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Quando pensamos no futebol italiano, logo nos vêm à cabeça algumas imagens e ideias chave. O rigor, a táctica, a organização defensiva, o contra-ataque. Por muito que o futebol – na sua globalidade – tenha tido constantes mutações ao longo das últimas décadas, há coisas que permanecem intactas na cabeça dos observadores. Ora, o Cagliari desta temporada promete abalar essas ideias feitas. Para lá da análise ao próximo adversário da Roma – jogo importante numa jornada em que há um Juventus-Lazio – importa realçar uma equipa que promete contrariar as bases fundadoras do futebol transalpino.

Estar em décimo lugar e ser, de longe, a pior defesa do campeonato diz muito. O Cagliari, equipa habituada a campeonatos tranquilos, continua no meio da tabela com um processo defensivo… Intranquilo. Quarenta e quatro golos sofridos é coisa rara no futebol italiano. A equipa até pode defender muito, mas, por razões diversas de equilíbrio táctico, defende mal. Isso, em Itália, é notícia.

Borriello
Borriello continua a marcar golos
Fonte: Cagliari Calcio

A equipa vive sempre em dois mundos diferentes. A equipa, por um lado, em quase todos os encontros, demonstra uma organização defensiva frágil e sofre golos em quase todos os jogos – mesmo aqueles que ganha com naturalidade. Por outro prisma de análise, a equipa marca golos quase sempre – mesmo quando perde. Importa perceber, caro leitor, como se explica tanta ambivalência.

A equipa tem um processo ofensivo indefinido. Não há um padrão de jogo definível, e o talento não abunda. A criatividade e a criação de jogo são feitas, maioritariamente, pelo italiano Di Gennaro. Mas a principal força da equipa está no ataque. Mesmo com pouco jogo criado e com alguma indefinição em relação ao modelo de jogo, o poder concretizador dos diferentes avançados tem garantido à equipa números assinaláveis. Borriello continua a ser uma fábrica de golos; Farías, mesmo não sendo titular, continua com uma média de golos impressionante, e Sau e Melchiorri dão também eles garantias de bons números.

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Sem nunca esquecer o contributo de Bruno Alves – líder da defesa e já com um golo fantástico de livre -, este Cagliari promete continuar a surpreender o futebol italiano. Nem que seja pela ausência de organização defensiva. Enquanto o lugar na tabela for confortável, os adeptos não se importam. Ainda que estejam… Num mundo ao contrário.

Foto de Capa: Cagliari Calcio

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

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O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.