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A CRÓNICA: DOIS GOLOS (AMESTER)DÃO A PASSAGEM AOS PAÍSES BAIXOS

Os Países Baixos bateram em solo caseiro a seleção da Áustria por 2-0 e garantiram a presença nos oitavos-de-final do Europeu. Numa partida que não primou pela qualidade, a “Laranja Mecânica” não precisou de se espremer muito para levar de vencida uma Áustria que prometia, mas que nunca foi criativa em quantidade, nem em qualidade suficiente para inverter o sentido da partida, que foi só um a partir dos dez minutos.

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Nos primeiros dez minutos, a partida apresentou-se aos adeptos na Johan Cruyff Arena de uma forma muito tímida. Nenhuma das seleções parecia sobrepor-se à outra, com as oportunidades de golo a escassearem. Um lance de aparência inocente viria alterar o que havia sido o encontro nestes minutos inaugurais. David Alaba, capitão e figura maior dos austríacos, tentou dividir uma bola perdida com Dumfries.

O jogador dos Países Baixos foi mais lesto e tocou a bola em exclusivo, deixando no local apenas o seu próprio pé, que foi o que Alaba encontrou com os pitões da sua bota. Não havia perigo aparente de golo, uma vez que Dumfries se dirigia para fora, mas o toque calhou ser dentro da área austríaca. Chamado a bater, Memphis Depay não perdoou.

A Áustria, que sem ser superior de forma clara havia tido algum ascendente, quebrou animicamente e demorou a encontrar a tranquilidade necessária para voltar a assentar o seu jogo, perante uma “Laranja Mecânica” que, mais do que nunca, estava confortável. Estava, até, confortavelmente dormente (“comfortably numb”). Como tal, entre a dormência holandesa e a amorfia austríaca, o jogo careceu de qualidade quase toda a primeira parte.

Os poucos momentos de frenesim couberam aos da casa (ainda que assim não sejam considerados), mas foram demasiadas as areias nas engrenagens da “Laranja Mecânica”, que foi para intervalo a vencer, sem, todavia, fazer jus à alcunha que a acompanha há mais de três décadas.

A segunda parte trouxe consigo uma seleção forasteira mais sólida e com maior propensão ofensiva. Alheios a esse pormenor, os Países Baixos foram mesmo os primeiros a criar perigo no segundo tempo. Ao bater da uma hora de jogo, um canto batido por Depay levou o perigo à área austríaca. No entanto, nem de Vrij, nem de Ligt chegaram ao golo.

Quem chegou ao golo foi mesmo Dumfries, cinco minutos depois. Depay recebeu a bola de costas para a baliza, perto da linha de equador do relvado de Amsterdão e encontrou em profundidade Malen, que viria a servir o “22” dos da casa para o 2-0. Ainda mais confortável, a seleção três vezes vice-campeã mundial deixou jogar e limitou-se a gerir o resultado e a partida sem bola.

Um remate perigoso de Alaba, a dez minutos do final, foi o único rasgo de luz saído da escuridão ofensiva austríaca. Seguiram-se algumas bolas lançadas para o centro da área holandesa, mas sem que alguma houvesse provocado calafrios a Stekelenburg. Desta forma, os Países Baixos amarraram com tranquilidade uma vitória que lhes assentou como uma casca de laranja.

 

A FIGURA

Dumfries – Apesar do brilhante trabalho de Wijnaldum e do jogo criativo de Depay, Dumfries leva o troféu de Figura BnR na sua bagagem pela presença nos dois golos – ganha de forma mestra o penalti que redunda no primeiro, antecipando-se a Alaba, e aponta o segundo – e pela capacidade que demonstrou para estar sempre ligado ao jogo. A defender bem e com regra, a atacar com profundidade (o que lhe permitiu aparecer para finalizar no segundo golo), Dumfries fez tudo bem.

 

O FORA DE JOGO

Incapacidade ofensiva da Áustria – Mesmo perante uma “Laranja” menos mecânica do que o habitual, a Áustria não foi capaz de, com a regularidade necessária, criar perigo nas suas ofensivas. Os homens de Franco Foda tentaram por fora, por dentro, pela relva e pelo ar, mas sem provocarem verdadeiros sustos aos homens de laranja. Esperava-se um pouco mais de uma seleção que havia entrado bem neste Euro 2020.

 

ANÁLISE TÁTICA – PAÍSES BAIXOS

Os Países Baixos apresentaram um 5-2-1-2 defensivo, que se transmutava num 3-4-1-2 no momento de ataque posicional. Com Wijnaldum a servir de elo de ligação entre o duplo pivô de meio-campo e os dois homens da frente, os homens de laranja faziam usufruto da capacidade de Weghorst para dar apoios frontais, de forma a viabilizar as movimentações de Depay.

Com os alas numa busca incessante pela profundidade, os pupilos de Frank de Boer colocavam quatro homens (apoiados por Wijnaldum) no ataque com rapidez, conseguindo, por consequência, encontrar várias vezes mais do que um homem para finalizar. Quando era chegada a hora de defender, a “Laranja Mecânica” compactava o seu bloco, cerrando o corredor central.

A seleção da Europa Central obrigava, assim, a Áustria a jogar por fora, criando muitas dificuldades aos de negro. Com um jogo aéreo imperial e com o potencial de sair em transição rápida para o ataque (com homens como Depay e Dumfries), os Países Baixos foram sempre capazes de conter as investidas tentadas pelos austríacos e impor respeito a uma seleção que estava consciente das dificuldades que teria sempre que fosse forçada a ma transição defensiva em velocidade máxima.

Com Wijnaldum a ser um verdadeiro relógio de pêndulo, com Depay a espalhar a sua criatividade nos momentos-chave, com Dumfries a desequilibrar imenso, os Países Baixos mostraram igualmente uma solidez coletiva que acompanhou muito bem os vários planos individuais em destaque.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Stekelenburg (6)

Dumfries (8)

de Vrij (6)

de Ligt (7)

Blind (6)

van Aanholt (6)

de Roon (6)

de Jong (6)

Wijnaldum (8)

Depay (8)

Weghorst (6)

SUBS UTILIZADOS

Nathan Aké (5)

Wijndal (5)

Luuk de Jong (5)

Malen (6)

Gravenberch (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – ÁUSTRIA

A construção austríaca fazia-se pelos três centrais, que contavam com o apoio frontal imediato de uma dos médios do duplo pivô defensivo – Laimer ou Schlager – ou mesmo Sabitzer, que, a jogar muito tempo por dentro, se movimentava muito no miolo do terreno, aproximando-se quer dos centrais no primeiro momento de construção, quer dos avançados na fase final da mesma.

Ulmer e Lainer procuravam dar largura, para tentar anular os alas contrários e obrigar os médios holandeses a abrirem mais espaços para os três médios austríacos receberem a bola. Não chegou verdadeiramente a resultar, dada a incapacidade para ter a posse da bola demonstrada pela turma de Franco Foda a partir do golo inaugural da partida.

Mais capazes no segundo tempo (até ao segundo golo holandês), os homens de Franco Foda procuraram muito Sabitzer, que, naturalmente, não chegava para tudo. Com pouca gente no ataque, visto os três centrais e dois dos médios ficarem no primeiro momento da construção, e obrigada pelo bloco fechado dos holandeses a jogar por fora, a Áustria tinha dificuldade em criar perigo.

Não conseguindo por fora, os austríacos procuraram colocar gente dentro do bloco adversário para apoios frontais que permitissem aos centrais ou a um dos médios realizar passes verticais pela relva, queimando linhas e obrigando os Países Baixos a reagir à presença de homens dentro do seu bloco.

Com a bola já mais próxima da área dos da casa e com mais elementos na frente de ataque e mais juntos, a Áustria procurava ferir a “Laranja Mecânica” de outra forma. Alaba subiu no terreno para tentar, sem sucesso, alumiar as ofensivas da sua equipa. Contudo, tal como havia acontecido por fora, também por dentro a falta de criatividade dos forasteiros tornava inócuas quaisquer tentativas de violar as redes de Stekelenburg.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bachmann (5)

Lainer (5)

Dragovic (5)

Alaba (6)

Hinteregger (5)

Laimer (6)

Ulmer (6)

Schlager (5)

Sabitzer (6)

Baumgartner (5)

Gregoritsch (5)

SUBS UTILIZADOS

Grillitsch (5)

Lienhart (5)

Onisiwo (5)

Lazaro (5)

Kalajdzic (5)

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