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    Apuramento em bom português | Diário do Mundial #9

    Dia rico em decisões no Mundial 2022, pendendo para as nações com língua oficial portuguesa que, hoje, com as respetivas vitórias, garantiram o apuramento para os “oitavos”. Ainda assim, começando pelo primeiro jogo de mais uma página desta história, assistimos ao festival do golo com um sensacional empate a três entre Camarões e Gana, ficando na retina golos de muita qualidade que figurarão, seguramente, nas compilações dos momentos mais belos da competição. A seguir, um jogo importante para Portugal, já que entravam em campo duas seleções do seu grupo, Coreia do Sul e Gana, sendo que a seleção africana acabou por ver o mesmo resultado no placar, ainda que, desta vez, a seu favor. No penúltimo jogo, um dos mais interessantes da jornada, opondo duas formas de jogar bastante distintas, tendo o Brasil acabado por conseguir fazer um golo nos últimos dez minutos por intermédio de Casemiro, conquistando assim a qualificação para a fase seguinte. Para terminar o dia, a partida que mexeu mais com os nossos corações, tendo Portugal, como já foi dito, garantido o acesso aos “oitavos”, deixando o Uruguai numa situação em que depende de si, mas que não deixa de estar associada ao perigo da eliminação deste Mundial.

     

    O JOGO DO DIA

    Em teoria, era o jogo mais difícil da seleção nacional na fase de grupos deste Mundial e, nesse sentido, os jogadores estavam mais que alertados para os perigos de uma seleção que, em 2018, assinou a nossa guia de marcha, rumo a casa. Ainda assim, desta vez, o contexto era, em teoria, diferente, pois o Uruguai não tem o mesmo poder de há quatro anos e, parece-nos, Portugal está melhor, comparativamente com o Mundial da Rússia 2018. Assim, todos sentíamos confiança para afirmar que, com a mentalidade certa, chegaríamos aos seis pontos e, como consequência, garantíamos já o acesso à fase a eliminar, ficando também a vitória no grupo bem encaminhada.

    Relativamente ao jogo, se, em tempos, as críticas à nossa mentalidade mais contida tinham a sua razão de ser, principalmente pela qualidade das nossas opções para assumir uma estratégia mais ofensiva, também é um facto que, nestes primeiros jogos do Mundial 2022, a equipa portuguesa tem apresentado outra cara, sendo isso notório na forma como as nossas linhas têm estado bem mais subidas, sendo hoje um jogo em que isso foi claro, pois o Uruguai esteve, na grande maioria do jogo, resumido ao seu meio-campo, tentando explorar o ataque à profundidade que os portugueses proporcionavam pela estratégia que já referimos.

    Ainda assim, a nossa qualidade exibicional está distante de ter atingido a sua melhor versão pois, independentemente de Fernando Santos ter colocado em campo jogadores imaginativos, com capacidade para criar e dinamizar, a verdade é que a nossa posse foi, muitas vezes, estéril, apostando em demasia na lateralização, tornando assim evidente a necessidade de, por vezes, sermos mais verticais.

    Bem ou mal, é certo que Portugal não abdicou de ser uma equipa que tenta ser o mais equilibrada possível, com a balança a cair para o lado mais cerebral, contrariamente a outras gerações do nosso futebol em que, claramente, havia mais coração e algum risco.

    Em suma, neste jogo, concedemos poucas oportunidades até ao momento em que fizemos o primeiro golo, existindo também um padrão que está ligado à nossa dificuldade para gerir vantagens pois, neste legado de Fernando Santos e, sobretudo, nos últimos anos, insistimos em demasia na ideia de conseguir a vantagem e, de seguida, gerir com recurso a linhas muito recuadas. Felizmente, o nosso selecionador soube mexer no jogo e, com a entrada de Palhinha, Matheus Nunes e Gonçalo Ramos, as linhas voltaram a subir, tendo o segundo golo de Bruno Fernandes através de uma grande penalidade definido que os três pontos eram nossos.

     

    A FIGURA DO DIA

    Hoje existiriam várias opções viáveis e, fosse qual fosse a nossa escolha, todas teriam consistência argumentativa associada. Contudo, entre elas, optamos pelo jogador que veste as nossas cores: Bruno Fernandes. Até ao momento, neste Mundial, tem os dois golos de hoje que juntou às duas assistências da jornada inaugural sendo, até agora, o mais decisivo nos pequenos passos bem-sucedidos que temos dado.

     

    O FORA DE JOGO DO DIA

    Por ter tantas soluções ofensivas e com qualidade, apesar da idade mais avançada de algumas, o Uruguai acabou por desiludir devido ao fraco investimento em futebol ofensivo já que, como sabemos, tinha, no seu onze inicial, jogadores de grande qualidade que, nos seus clubes, estão habituados a ter bola e a assumir outro tipo de postura que, claramente, beneficiam mais as suas características. Hoje, muitas delas estiveram, na maioria do jogo, desaparecidas, visto que a partida estava a ser jogada com maior incidência nos setores mais recuados da equipa de Diego Alonso.

     

    A CURIOSIDADE DO DIA

    Portugal tem, como todos sabemos, evoluído muito como seleção e, principalmente, enquanto presença assídua nas grandes competições. No entanto, com a qualificação para a fase a eliminar no Catar 2022, devemos perceber que é algo a que não estamos assim tão habituados, pois esta é apenas a segunda vez que o conseguimos fazer em dois Mundiais consecutivos, tendo a primeira sido no África do Sul 2010, na sequência do Alemanha 2006.

     

    RESULTADOS 

    GRUPO G

    Camarões 3-3 Sérvia

    Brasil 1-0 Suíça

    GRUPO H

    Coreia do Sul 2-3 Gana

    Portugal 2-0 Uruguai

     

    Artigo com a opinião de Orlando Esteves, comentador BnR TV.
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