Revista do Mundial 2022 | Grupo A

EQUADOR

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O Equador regressa ao mais alto palco do futebol de seleções. E com todo o mérito, diga-se. Ficou em quarto lugar nas difíceis e competitivas eliminatórias sul-americanas onde foi uma das principais atrações. Além da intensidade do futebol praticado, o destaque equatoriano passa pela juventude da seleção.

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Nos últimos anos a formação no Equador deu passos em frente impulsionada pelo Independiente del Valle. Em 2007 implementou um projeto de desenvolvimento da formação, através de uma academia que permite acolher estudantes que, enquanto continuam a formação académica, podem seguir o sonho de viver no mundo do futebol. As convocatórias das seleções jovens passaram cada vez mais a incorporar jogadores do clube que, embora sem qualquer título nacional, passou a ser a principal fábrica de talento. Os frutos foram colhidos mais recentemente, com a conquista da Copa Sudamericana em 2019 e 2022 bem como do campeonato nacional em 2021 e 2022. A nível de seleções, o terceiro lugar no Campeonato do Mundo sub-20 em 2019 exemplifica o progresso dado.

Gustavo Julio Alfaro tem sabido extrair o melhor rendimento dos meninos equatorianos, e as principais referências da seleção são, na sua maioria, ainda muito jovens. O Equador estrutura-se num 4-3-3 e faz da intensidade – com e sem bola – o seu modo de jogar. No momento ofensivo, os laterais assumem preponderância fulcral. Com os extremos de fora para dentro (ou mesmo só por dentro), os laterais projetam-se. Estupiñan à esquerda é o mais beneficiado, podendo usar toda a capacidade física para galgar metros no corredor. O médio mais recuado – habitualmente Gruezo – recua para entre os centrais permitindo uma saída mais limpa – Hincapié pela qualidade no passe é o destaque –, e o meio-campo (composto por Moisés Caicedo e Alan Franco ou Cifuentes) joga em alturas diferentes do terreno. A principal dúvida em relação à proposta ofensiva do Equador prende-se com a concretização das oportunidades em golo. Nenhum ponta de lança garante golos e o Equador tem pecado na finalização.

Defensivamente é possível definir toda a estratégia de Alfaro numa palavra: sufocar. Os extremos pressionam de fora para dentro procurando impedir as saídas exteriores e obrigar a um jogo interior altamente condicionado pela pressão dos médios. Se bem coordenada, a teia de pressão do Equador é a oitava maravilha do mundo. Mas basta uma falha para o dominó cair e a equipa sul-americana ficar exposta atrás. Por exemplo, se a bola entrar no lateral adversário, Estupiñan à esquerda e Castillo à direita deixarão um buraco enorme a ser explorado.

JOGADOR A OBSERVAR

Moisés Caicedo – O produto do Independiente del Valle é hoje a referência equatoriana e está em grande forma. Chegou a Inglaterra e, após um período de adaptação, pegou de estaca no Brighton quer com Potter, quer agora com De Zerbi. Na seleção é um canivete suíço-equatoriano. Procura receber nas costas da primeira linha de pressão, tem capacidade para transportar bola e queimar linhas em posse e um bom passe. Se jogar com Cifuentes tem maior liberdade para se projetar onde também tem chegada à área. No momento defensivo é também fundamental já que, incansável e com um pulmão a mais que o comum mortal, consegue entrar no ritmo de constantes vaivéns imposto pelo Equador. Se o Equador não cai cedo no Mundial, muita da culpa deverá passar por Moisés.

PREVISÃO DE POSIÇÃO NO GRUPO: SEGUNDO LUGAR

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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