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E o Galo cantou pela madrugada

Daniel Melo · 3 min

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Foto: Clube Atlético Mineiro

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Está consumado o segundo título no Brasileirão para o Clube Atlético Mineiro. O Galo – carinhoso apelido por que é conhecido – logrou a liderança na classificação, fruto de uma campanha sólida e sem grandes sobressaltos.

Foi a equipe mais regular durante a campanha; provando-o, sem sombra de dúvida, com a apresentação do maior número de vitórias (25, para já), do menor número de derrotas (apenas cinco), e da melhor defesa (somente 27 golos sofridos).

Faz, deste modo, jus à velha máxima de que os ataques podem ganhar jogos, mas são as defesas, que, efetivamente, ganham campeonatos.

O Atlético venceu muitas partidas pela margem mínima (13), é verdade. Mas venceu-as. Isso, para somar os três pontos, é mais que suficiente.

Apesar de algumas escorregadelas, aqui e ali, conseguiu uma ótima série de 15 partidas sem conhecer o sabor da derrota, o que, no Campeonato Brasileiro de Futebol, significa amealhar pontos preciosos para se manter na frente. Depois… bom ,depois o Galão tomou conta da chácara e foi dono e senhor.

A equipa – sapientemente orientada por Cuca (que já havia vencido uma Libertadores pelo Clube, em 2013) – funciona como um coletivo fortíssimo, de onde se destaca a segurança do guarda-redes Éverson, a experiência dos estrangeiros Mauro Zaracho, Nacho Fernández, Júnior Alonso, Jefferson Savarino, e Eduardo Vargas – e, já agora, do hispano-brasileiro Diego Costa; mas também dos brasileiros Réver, Keno, Arana, Rabello e Tchê Tchê.

Mas a grande figura é o veterano Hulk, cujos 35 anos de idade não lhe parecem pesar nas pernas, apesar de ser um jogador fisicamente fortíssimo. Os 17 golos com a camisa alvinegra, ajudaram o Galão da Massa a cimentar o estatuto de campeão de Vera Cruz.

É impressionante como, passados exatamente 50 anos, este título tem tantas similaridades com o primeiro conquistado pelo Atlético, quando corria o ano de 1971.

O Brasil, como Portugal, estava mergulhado na sombra da ditadura, da qual Chico Buarque cantou que o dia seguinte seria outro. E foi, mas passados 15 anos… Depois disso, o Galo ainda esteve em várias finais do Campeonato Brasileiro – o modelo antigo era jogado por grupos e, depois, eliminatórias – mas nunca mais desfrutou da alegria do primeiro lugar.

O Atlético, ao longo dos anos, ficaria conhecido como um Clube sem sorte, fruto de algumas injustiças arbitrais e protocolares. Mesmo assim, conseguiu vencer a Taça dos Libertadores da América, em 2013 – o maior troféu continental, como foi referido – e a Copa do Brasil, na temporada de 2014.

Voltando ao presente, o modo como Hulk celebrou o segundo golo frente ao Fluminense foi a homenagem perfeita para Reinaldo (antiga glória dos Mineiros – que estava na bancada, diga-se).

O punho erguido, tal como nos anos 70 em protesto contra a ditadura, demonstra não só carinho por um ídolo dos alvinegros de Belo Horizonte, mas, igualmente, uma consciência social que honra os pergaminhos do próprio Clube.

Consubstanciando-se, o Galo de Minas Gerais, num clube da massa, operário, do povo.

Hoje o Galo cantou de alegria. Soltou o grito de “Campeão!” entalado no gogó havia 50 anos.

Quando, em 1908, um grupo de estudantes de classe média fundou o Clube Atlético Mineiro, estaria longe de imaginar que o Galo, seria, de facto, um Galão.

Um Clube onde se sofre, mas onde a alegria de ser atleticano supera. O Alvinegro do Mineirão.

O Campeão do Gelo. Canta, Galo! Canta! Todo o Brasil acordará ao som do teu canto imponente! De Minas Gerais para o mundo, o teu canto rejubilará! Parabéns, Galo forte e Vingador! Agora o teu povo já pode chorar… mas de alegria!
Daniel Melo

Redação Bola na Rede · ver artigos

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