Revolução Cultural Francesa segue de vento em popa e muitos dos novos Iluministas são os centrais

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Não obstante a importância das instituições referidas anteriormente para o desenvolvimento de jovens jogadores, os subúrbios franceses não deixam de ser a primeira casa para grande parte das estrelas do futebol gaulês.

A enorme e diversificada população de migrantes que viria a “invadir” o país, e da qual até nós tugas fazemos parte, não poderia nunca ser jogada porta fora. Não pode, porque eu não deixo.

Esquecemo-nos talvez demasiadas vezes do que significa “autoexpressão” e do quão importante ela é para a evolução do mundo em que vivemos; do quão importante é que sejamos também capazes de nos expressar coletivamente, de criar cultura; do que dizia Saramago, que as pessoas são papagaios uma das outras e não há sequer outro modo de aprendizagem.

Esquecemo-nos talvez demasiadas vezes de que precisamos dos ideais iluministas de liberdade individual, tolerância e fraternidade para alcançar o progresso.

Nesses tais subúrbios, que muitos veem como locais de “não-cultura”, o futebol tornou-se na forma de expressão mais comum e, com sorte, assim continuará por muito mais tempo. A França tem mais sorte do que azar, sim. Por que haveríamos nós de querer viver no seio de uma só cultura com um prato tão grande em cima da mesa?

Cada geração inspira as próximas e a produção de talento que tem havido nas últimas décadas, muito graças a essa tal diversidade cultural, só me faz acreditar que a França dificilmente irá fechar esta torneira e deitar por terra um domínio que tem tudo para ser de longo termo.

Com tudo isto dito, que a viagem já vai longa, o verdadeiro assunto do artigo: os defesas centrais franceses.

Kimpembe, Varane e Lenglet; Zouma, Diallo e Niakhaté; Laporte, Todibo e Zagadou; Badiashile, Saliba e Simakan; Nianzou, Sarr e Diakité; Lacroix, N’Dicka e Upamecano; Konaté, Fofana e Koundé.

Ainda que alguns já estejam nos seus 26 ou 27 anos, a maior parte dos centrais referidos não têm mais de 22 e a descoberta, nos últimos meses, de um padrão de qualidade que me parece inigualável, deixou-me, no mínimo, extasiada. Há de ser difícil estar no papel de Didier Deschamps.

A própria evolução do papel dos centrais no jogo dá pano para mangas. Longe vão os dias em que os defesas centrais mais pareciam ter tijolos nos pés e isso chegava perfeitamente para executar a única coisa que lhes era pedida: que fossem “peões gladiadores” a defender o “rei” na sua baliza. E se é ao xadrez que comparamos o futebol, acho justo dizer que, claramente, os “peões” já evoluíram para “bispos” ou “cavalos” há algum tempo. Ao mais alto nível, os antigos “peões” não bastariam para o futebol que se pratica hoje em dia.

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