Revolução Cultural Francesa segue de vento em popa e muitos dos novos Iluministas são os centrais

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Confesso que não pude ir tão longe no meu trabalho de pesquisa, mas adoraria comparar a quantidade de cartões vermelhos vistos pelos centrais de hoje à dos de há 20 ou 30 anos atrás. Mesmo havendo nos dias que correm muito menos tolerância à falta, não tenho medo de arriscar dizer que há menos cartões vermelhos agora de certeza. E comecemos por aqui, até porque o principal objetivo não deixou de ser defender.

O próprio Maldini dizia, na sua altura, que se tivesse de fazer um tackle é porque já havia cometido um erro. Quem olha para qualquer um dos centrais de que aqui se fala, fica obrigatoriamente com a ideia de que eles agem com todo o controlo e estão sempre no sítio certo. Coincidência? Pas du tout.

Não é apenas uma questão de concentração e rapidez. A visão de jogo está no ponto e o constante scan que fazem das imediações permite que raramente haja erros no posicionamento.

Por isso mesmo, ao saberem onde estar a cada instante, não é de admirar que fiquemos deslumbrados com a intensidade do poder de antecipação e com a quantidade de armas que apresentam para assegurar que o oponente não tem tempo ou espaço de fazer o que quer.

Estes “novos centrais” mostram ser capazes de identificar e prever padrões de jogadas e, assim, acabam por saber onde vai cair a bola, qual o melhor espaço a ocupar, de que forma colocar o corpo para evitar perder a posse. Efetivamente, atuam sempre no momento certo e são a inteligência e astúcia com que pensam que lhes permite executar com praticamente toda a calma do mundo.

Tal como existem as “receções orientadas”, existem também os “cortes orientados” e eu, coração emprestado pel’O Principezinho, resisto muito pouco a este tipo de pormenores bonitos tão comum nos centrais franceses.

Nem a isso nem muito menos à competência no papel de playmakers que muitas vezes assumem, normalmente através da habilidade de executar passes precisos e a roçar o surrealista, ou até na forma como eles próprios abrem jogo como se estivessem na faixa esquerda da autoestrada, avançando pragmaticamente com o esférico, atraindo as atenções e procurando o timing perfeito para dar o melhor seguimento à jogada.

Posto isto, aproveito para finalizar em tom peremptório e defender aqui, de joelhos, que a versatilidade que todos os treinadores exigem hoje aos seus jogadores em campo é fundamental para o sucesso de qualquer equipa. Mais! Se alguém quiser aproveitar a dica, juntem já versatilité e diversité aos nossos velhos camaradas “liberté, égalité, fraternité”.

O que sinto? Que estes novos centrais versáteis e oriundos de todo o mundo estão sempre prontos para o que der e vier. O que gostaria? De experimentar fazer uma equipa só com 11 dos jovens referidos anteriormente. Sem dúvida que estou conquistada e muito curiosa para ver de que forma irá continuar a evoluir a posição do defesa central nos próximos anos.

Foto de Capa: Federação Francesa de Futebol

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