A CRÓNICA: LIVERPOOL FC VOLTA A PUNIR ERROS DA POSSE ESTÉRIL DOS ALEMÃES

A segunda mão entre Liverpool FC e RB Leipzig mostrava-se como uma “montanha” difícil de transpor para ambos. Aos “alpinistas” de Klopp opunha-se um adversário a jogar o “tudo ou nada” e com elevada capacidade de concretização. Por outro lado, os “alpinistas” de Nagelsmann preparavam-se para atacar a cordilheira de Anfield, trasladada para a Puskás Aréna, na Hungria. Para lá da desvantagem de dois golos concedidos em casa, estava um gigante europeu do outro lado, vencedor da prova em 2019.

A partida começou num ritmo elevado e qualquer erro podia significar um golo prematuro. O 0-0 que chegou ao intervalo foi ameaçado por várias vezes e para isso valeram, essencialmente, os reflexos de Gulácsi.

Decorria o sexto minuto da partida quando Thiago descobriu Mané com um passe picado no coração da área. Sem oposição, o senegalês rematou com força, muito por cima. Lance exemplificativo da forma baixa que Mané apresenta nesta fase da temporada.

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Aos 10 minutos, Dani Olmo e Poulsen dividiram um lance confuso na área dos reds que foi terminado com uma sapatada eficaz de Alisson. O ritmo não prometia baixar e no espaço de 10 minutos, o Liverpool FC dispôs de três ocasiões, perdidas devido à displicência dos seus executantes.

Jota permitiu uma grande defesa ao guardião húngaro na sequência de um canto, Salah e Mané desperdiçaram um contra-ataque frenético e Upamecano salvou no último suspiro uma assistência açucarada de Arnold.

O melhor que os alemães conseguiam era guardar a bola, com qualidade na sequência de passes, mas pouca progressão e raro perigo. Aos 32 minutos, Forsberg rematou uma bola perdida a centímetros do poste direito de Alisson.

Até ao apito para intervalo, Diogo Jota dispôs de duas oportunidades, a primeira construída em exclusividade pelo português e a segunda num remate de ressaca. O desfecho foi o mesmo – alvo errado – e o nulo manteve-se nos primeiros 45 minutos.

A segunda parte contou uma história diferente da primeira e em muito semelhante ao jogo da primeira mão. Embora numa casa emprestada, o Liverpool FC instalou-se confortavelmente no seu terreno de jogo defensivo e feriu o adversário em ataques rápidos, beneficiando de erros alemães.

O aviso saiu aos 54 minutos, quando Diogo Jota, assistido por Mané, rematou à figura. Na recarga, Salah errou escandalosamente a baliza. A resposta alemã tardou e saiu dos pés de um central construtor. Upamecano, a melhor unidade dos pupilos de Nagelsmann, desarmou Jota, transportou até à área contrária e deixou que Hwang Hee-Chan cruzasse para Sorloth. O norueguês viu, no entanto, as intenções da sua cabeçada negadas pela barra.

A 20 minutos do fim, quando tudo parecia impossível para os visitantes, Salah selou a eliminatória. A diagonal perfeita de Diogo Jota atraiu todas as atenções, mas o português, após receber o esférico, entregou-o rapidamente ao egípcio. Com receções e orientações instantâneas, Upamecano ficou pelo caminho e o faraó carimbou o primeiro da noite.

Apenas quatro minutos mais tarde, e já depois de ajustes no ataque e meio campo ingleses, Naby Keita solicitou Origi perto da linha de fundo, que cruzou para Mané emendar ao segundo poste e colocar um rochedo em cima do assunto.

Com os homens da cidade de Leipzig de rastos animicamente, o jogo arrastou-se até aos 90 minutos sem grandes lances dignos de registo e aquilo que podia ser tão complicado foi, afinal, resolvido facilmente em contra-ataque, mas depois muito estudo e expectativa pacientes, que resultaram num agregado de 4-0.

Sem surpresa, o Liverpool FC avança para os quartos de final da Liga dos Campeões, patamar que o RB Leipzig alcançou na temporada passada e que se vê agora impossibilitado de repetir.

 

A FIGURA

Dayot Upamecano (RB Leipzig) – Fica fácil perceber a pressa do FC Bayern Munchen em garantir o jovem francês depois de jogos como o de hoje. Meio mundo andava atrás dele, os bávaros anteciparam-se e impediram, segundo os rumores, o novo parceiro de Van Dijk. Se o resultado global se fixou nos 4-0 muito se deve à ação do francês. Insuperável no sprint, intransponível no duelo físico e uma aula ilustrada de antecipação do movimento adversário. Senhor Upamecano, um “centralão”.

 

O FORA DE JOGO

Concretização do RB Leipzig – Nunca se adivinhou tarefa fácil para a equipa alemã, mas zero golos em 180 minutos para o terceiro melhor ataque da Liga Alemã é manifestamente pouco. São 46 golos em 24 jogos numa das mais difíceis e entusiasmantes ligas da Europa. É um dado de apresentação que fazia antever golos, mais ainda frente a um gigante ferido e em busca constante de uma boia de salvamento na presente temporada.

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

No habitual 4-3-3, Klopp alinhou com uma dupla de centrais de 20 e 23 anos; Kabak e Phillips chegaram e sobraram para as encomendas. As laterais, como quase sempre, ficaram encarregues a Arnold e Robertson, que subiram não raras vezes em apoio ao ataque.

O centro do terreno foi controlado por Fabinho, Wijnaldum e Thiago. O brasileiro nunca esteve sozinho na frente dos centrais, pois as investidas dos colegas de setor foram em ataques rápidos e rapidamente compensados.

Thiago, por mais vezes que Wijnaldum, abriu o raio de ação ao ataque e voltou a ter um acerto de passe a rondar os 80 porcento, com quatro passes longos tentados e concretizados. Que delícia ver o espanhol no meio campo.

A frente de ataque, ainda que desinspirada “q.b.”, teve Diogo Jota como avançado e Salah e Mané nas linhas. Isto no papel, porque na prática assistimos a uma mobilidade sem fim e o lance do primeiro golo é exemplo disso mesmo; com Jota e Salah na mesma linha, a esquerda, é a diagonal do português que desmonta o castelo defensivo alemão.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson Becker (7)

Alexander-Arnold (7)

Nathaniel Phillips (7)

Ozan Kabak (6)

Andrew Robertson (6)

Georginio Wijnaldum (6)

Fabinho (6)

Thiago Alcântara (7)

Sadio Mané (7)

Diogo Jota (7)

Mohamed Salah (7)

SUBS UTILIZADOS

Divock Origi (7)

Naby Keita (7)

James Milner (6)

Kostas Tsimikas (-)

Oxlade-Chamberlain (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RB LEIPZIG

Os alemães voltaram a revelar muita tranquilidade com bola – terminaram com cerca de 60 porcento de posse de bola. O problema foi tranquilidade em demasia e, por vezes, apatia e conformismo total com o destino que o relógio e o marcador mostravam.

O sistema de três centrais (3-5-2) viu uma jóia evidente (Upamecano), uma pedra com alguns brilhos (Klostermann) e um rochedo baço (Mukiele). O francês já contratado pelo rival todo poderoso chegou até a alternar a saída de bola com Kampl e Forsberg.

As laterais viram um Nkunku muito mais irreverente e participativo do que Tyler Adams, um verdadeiro apagão. O centro do terreno foi pisado por uma tímida linha de três, com Kampl a descer mais para pegar na batuta, deixando a Forsberg e Dani Olmo as tarefas do último passe e do remate de média distância.

Na frente, Poulsen esteve sempre muito desamparado, tendo passado completamente ao lado da partida. Sabitzer foi dos que mais tentou contrariar o poderio e resultado a favor do Liverpool FC, mas viu no passe longo uma arma ineficaz, à qual recorreu em demasia.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Péter Gulácsi (7)

Christopher Nkunku (7)

Lukas Klostermann (6)

Dayot Upamecano (8)

Nordi Mukiele (6)

Tyler Adams (5)

Emil Forsberg (6)

Marcel Sabitzer (7)

Kevin Kampl (6)

Dani Olmo (6)

Yussuf Poulsen (6)

SUBS UTILIZADOS

Justin Kluivert (6)

Hwang Hee-chan (6)

Amadou Haidara (7)

Alexander Sorloth (6)

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