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“Um fenómeno. Velocidade impressionante, rapidez de disparo, coordenação, grande sentido de golo”. Assim falava Carlo Ancelotti sobre aquele miúdo de 18 anos, acabado de chegar ao Milan. Do outro lado do oceano, Abel Braga, então treinador do Internacional de Porto Alegre, concordava: “Se houver paciência, em dois anos vamos ver o novo Fenómeno”. Alexandre Pato era o miúdo que parecia destinado a ser a próxima grande estrela do futebol mundial. Agora, prestes a completar 27 anos e depois de várias épocas fora dos grandes palcos europeus, Pato assinou pelo Villarreal. Que se passou com aquele jovem prodígio e o que esperar para as próximas épocas?

É importante notar que Pato foi mais do que uma promessa e, mesmo muito jovem, conseguiu afirmar-se naquele que é (ou, pelo menos, era) um dos maiores clubes do mundo. Em 2008-09, com apenas 19 anos, foi o melhor marcador do Milan e, em 2010-11, contribuiu muito para o título de campeão italiano, com os seus 14 golos na Serie A, tantos como os de Ibrahimovic e Robinho. Mas a maior distinção que recebeu a nível individual foi o prémio Golden Boy, em 2009, atribuído ao melhor futebolista jovem (sub-21) do mundo. Nesse ano, estavam nomeados jogadores como Gareth Bale, Thomas Müller, Eden Hazard, Toni Kroos, Javier Pastore ou Pjanic, mas Pato era considerado o mais promissor de todos. A camisola 7 do Milan parecia ter encontrado um sucessor à altura de Shevchenko.

Infelizmente, as épocas seguintes ficaram marcadas por várias lesões. Pato foi perdendo fulgor e acabou por ser transferido para o Corinthians, por €15 Milhões. Aí, o jogador nunca chegou a convencer os adeptos, tendo ficado marcado por alguns falhanços importantes, incluindo uma tentativa de penálti à Panenka. Acabou por ser emprestado ao São Paulo, onde fez 33 golos em dois anos, voltando a chamar a atenção da Europa. A meio da época passada foi emprestado ao Chelsea, onde acabou por só fazer dois jogos, e neste verão foi contratado pelo Villarreal.

Pato celebra um dos seus muitos golos pelo Milan Fonte:
Pato celebra um dos seus muitos golos pelo Milan
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Aqui, se conseguir manter-se afastado de problemas físicos (o que é um grande “se”), tem tudo para poder aproximar-se do nível que um dia se esperou dele. O Villarreal não é um desses gigantes onde há demasiada pressão e nenhuma margem para errar, mas é um bom clube, numa das melhores ligas do mundo, e participa nas competições europeias. Trata-se de uma equipa bem organizada, com um estilo de jogo de posse de bola, que beneficia um avançado como Pato. A tática utilizada nas últimas épocas, com dois avançados, é a ideal para o brasileiro fazer uso das suas características de jogador móvel, que não se limita a esperar na área para finalizar. Pelo contrário, Pato sabe baixar para combinar com um colega ou também cair numa ala para causar desequilíbrios. É um jogador bastante versátil, rematando bem com os dois pés, e, se for preciso, marcando também com a cabeça, como aconteceu logo no seu jogo de estreia frente ao AS Monaco, em que jogou os 90 minutos.

À partida, o novo camisola 10 do Villarreal esperaria forte concorrência na frente de ataque, dado que a dupla Soldado-Bakambu foi responsável por 30 golos na temporada passada. No entanto, a grave lesão de Soldado (que só regressará em 2017) praticamente garante a titularidade a Pato nesta primeira metade da época. A única má notícia nos últimos tempos foi a inesperada saída de Marcelino Toral, a apenas uma semana da primeira mão do playoff da Liga dos Campeões. O treinador asturiano orientava a equipa há três épocas e foi ele quem pediu a contratação de Pato. Ainda assim, Fran Escribá não deverá fazer mudanças radicais numa equipa que tem funcionado bem.

Pato nunca será Bola de Ouro, como um dia sonhou. Mas, aos 27 anos, está de volta a uma das melhores ligas do mundo, de volta às competições europeias, e, se conseguir brilhar no Villarreal, ainda vai a tempo de voltar à seleção brasileira e até a um grande clube europeu.

Foto de Capa: Uefa Champions League

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