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Sonhadores ou não, há sempre uma réstia de esperança na concretização do que idealizámos. Porque um dia fomos crianças e projectámos, no refúgio da nossa imaginação, o maior dos nossos sonhos, independentemente da probabilidade de este se alcançar, porque só há uma coisa nesse sítio tão amplo que é a imaginação de uma criança: impossíveis.

Esses não existem. Sim, pode-se ter um tubarão como animal de estimação. Sim, podemos ser astronautas e partir numa missão intergaláctica com os nossos amigos. Sim, podemos namorar aquela rapariga do anúncio, mesmo que ela tenha 20 anos a mais que nós.

Num quarto qualquer de Leicester, Inglaterra, um miúdo sonhou ver a sua equipa campeã nacional. Com certeza vindo de Filbert Way (King Power Stadium, comercialmente), sentindo, ainda o suor do sofrimento do pai no jogo a que acabavam de assistir, tendo bem presente os sons dos gritos de apoio, o cheiro da relva acabada de regar e o azul vivo que preenchia todo o Estádio.

Terá contado esse sonho a um amigo mais velho, e ele ter-se-à rido. Jamais um clube que mal conseguia sobreviver na Premier League conseguiria conquistá-la. Havia tantos clubes grandes! O Manchester Ctiy, o Manchester United, o Chelsea e o Arsenal. Jogadores tão bons, das melhores selecções do mundo. E dinheiro! Essas equipas tinham tanto dinheiro. Era ridículo pensar num clube tão pequeno como os foxes.

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Esse miúdo terá ido para casa desanimado, descrente do seu sonho. Mas hoje recuperou-o. Hoje celebra de punho cerrado aquilo com que sonhara. Hoje é a imagem viva de que vale a pena acreditar que o melhor pode, de facto, tocar-nos. Podemos ser nós!

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O resultado do título
Fonte: Chelsea FC

Era ridículo imaginar, há dois anos , Wes Morgan a marcar o golo do pontinho decisivo, com aquela carequinha negra, frente ao Manchester United. O golo do empate no Teatro dos sonhos que aproximaria os foxes do culminar bem-sucedido de uma jornada épica. O golo que não era suficiente, por si, mas que podia ajudar, como todos os pontos amealhados ao longo da temporada, a conquistar uma coisa com que todos sonharam, mas que poucos tinham coragem de dizer.

Faltava algo para que Segunda-feira, dia 2 de Maio de 2016, fosse um dia histórico na vida da cidade de Leicester, no futebol inglês, no futebol mundial… na vida. Era preciso o Chelsea empatar ou ganhar ao Tottenham.

Ao intervalo desse jogo, parecia impossível que o dia 2 de Maio de 2016 fosse o tal. O Tottenham vencia por 2-0, o Chelsea mais vulgar da época vinha ao de cima, desinspirado.

O golo de Cahill, porém, fez renascer as esperanças. O resultado estava 2-1, e houve gente que voltou a achar que aquele era o tal dia. E foi. E é! Hazard colocou um ponto final na ansiada espera e ofereceu, de bandeja, o título aos foxes.

Chora-se de alegria. Penetrando pelos olhares vagos de quem invade as ruas de Leicester é possível vislumbrar o miúdo que existe em cada um dos indefectíveis do Leicester, tenham eles a idade que tiverem.

Renasce a esperança na esperança. O Leicester campeão 2015/2016 faz ver que vale a pena acreditar… seja no que for.

Foto de capa: Leicester City FC

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Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.