A CRÓNICA: NUMA TARDE DE DESPERDÍCIO, PORTUGAL TERMINA COM GOLEADA

No último jogo de Portugal antes de embarcar na sua jornada europeia no Euro 2020, a seleção nacional lusa recebeu e venceu a congénere israelita, num encontro de sentido único desde início.

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Como favorito à entrada para o encontro, os comandados de Fernando Santos assumiram o controlo do jogo e da posse de bola desde o apito inicial, adotando uma postura poucas vezes vista de iniciativa e ataque organizado continuado.

As oportunidades de golos foram surgindo com naturalidade, na maior parte das vezes em iniciativas com origem nos corredores laterais – João Cancelo em grande destaque no primeiro tempo graças ao seu envolvimento no processo ofensivo – mas o golo tardava em aparecer.

Primeiro Diogo Jota, depois Cristiano Ronaldo, passando por Bruno Fernandes e Rúben Neves, todos tiveram oportunidades para marcar, mas olha por má pontaria, ora por inspiração do guardião Ofir Marciano, os campeões da Europa não conseguiam encontrar o fundo da baliza.

Isto é, até que à passagem do minuto 42, o lateral direito do Manchester City e melhor da Premier League na sua posição, João Cancelo, arrancou rumo à área adversária e cruzou rasteiro para a marca de grande penalidade, onde apareceu Bruno Fernandes, que rematou na passada e inaugurou o marcador, fazendo o seu terceiro golo pela seleção e 29.º da temporada.


Portugal quebrava o enguiço, e não tardou muito a fazê-lo de novo. Perda de bola israelita aproveitada pelo médio do Manchester United, transição ofensiva rápida e eficaz, que culminou com o remate forte do pé esquerdo de Cristiano Ronaldo, que aumentou a diferença e fez o 2-0 com que as equipas recolheram ao balneário.

No segundo tempo a toada manteve-se, com Portugal a colecionar ocasiões de golo, mas a ser incapaz de finalizar, complicando muito no momento da decisão. A entrada de um segundo avançado colocou algumas dificuldades, mas o primeiro remate na direção da baliza lusa apenas apareceu aos 80 minutos.

Quando o jogo caminhava para o fim e se esperava que o marcador não mexesse mais, João Cancelo tirou um coelho da cartola e com uma grande jogada individual, tirou o defesa do caminho e rematou com o pé esquerdo para o 3-0. Tal como acontecera no primeiro tempo, dois minutos depois foi a vez de Bruno Fernandes fazer o bis com um remate indefensável de fora da área.

Portugal vence por 4-0 e foca a sua atenção no embate da primeira jornada da fase de grupos do Euro 2020, dia 15, contra a Hungria.

 

A FIGURA

Bruno Fernandes – Não foi a exibição mais vistosa, mas o internacional português termina o jogo com dois golos e uma assistência. Muito interventivo na manobra ofensiva da equipa, Bruno Fernandes esteve constantemente a pedir a bola e a colocar os seus colegas em jogo. Uma menção honrosa para João Cancelo que também se exibiu a um nível muito alto e confirmou o bom momento que atravessa.

O FORA DE JOGO

Falta de eficácia – A seleção terminou o encontro com uma goleada confortável, mas o resultado podia ter sido mais dilatado caso Portugal tivesse convertido metade das oportunidades que desperdiçou. Foi um bom teste, mas no Europeu vai ser preciso mais confiança e foco no momento da decisão.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Fernando Santos fez várias alterações relativamente ao onze que enfrentou a seleção espanhola no Wanda Metropolitano em Madrid. Com Pepe, Diogo Jota e Cristiano Ronaldo como os únicos “sobreviventes” desse encontro, o timoneiro luso teve oportunidade de ver as restantes opções da convocatória a assumir um papel e desempenho diferentes.

Com um 4-2-3-1 característico, William Carvalho e Rúben Neves foram peça fundamental para a consistência defensiva, mas também para a liberdade ofensiva apresentada pelo ataque português. A dupla de médios controlou e equilibrou a formação das quinas e permitiu que Diogo Jota, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo se movimentassem livremente e trocassem de posição com relativa frequência.

Frente a um adversário de menor pendor atacante, a criatividade de João Cancelo e Nuno Mendes acabou por ser fundamental na manobra ofensiva portuguesa, ao aproveitarem o espaço deixado por Diogo Jota e Bernardo Silva que procuravam fazer diagonais para o centro de forma a aproveitar o espaço entre a linha defensiva e intermédia da seleção de Israel.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Silva (7)

João Cancelo (8)

Rúben Dias (6)

Pepe (6)

Nuno Mendes (6)

Rúben Neves (7)

William Carvalho (7)

Bruno Fernandes (8)

Bernardo Silva (6)

Cristiano Ronaldo (6)

Diogo Jota (5)

SUBS UTILIZADOS

André Silva (6)

João Moutinho (7)

Danilo Pereira (6)

Gonçalo Guedes (6)

Renato Sanches (6)

Pedro Gonçalves (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – ISRAEL

Com uma linha de três centrais, complementada pela descida dos laterais no momento defensivo, a seleção israelita tentou combater a largura do ataque português com uma linha de cinco defesas. Contudo, a falta de coesão entre o seu setor mais recuado e a linha de médios permitiu que os jogadores portugueses encontrassem espaço para combinar entre si e criar jogadas de perigo.

Ofensivamente, os comandados de Willibald Ruttensteiner focavam a sua atenção no ponta-de-lança, Fran Zahavi, na maioria das vezes em combinações com Sun Menachem. Após o intervalo, e com as alterações realizadas, e formação visitante apostou numa frente ofensiva com dois atletas, juntando Osama Khalaila a Zahavi, mas a alteração tática não trouxe grandes ocasiões de perigo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ofir Marciano (8)

Eli Dasa (6)

Orel Dgani (6)

Ofri Arad (6)

Bibras Natcho (6)

Neta Lavi (6)

Sun Menachem (7)

Gadi Kinda (6)

Manor Solomon (6)

Eran Zahavi (7) 

SUBS UTILIZADOS

Joel Abu Hanna (6)

Mohammad Abu Fani (6)

Osama Khalaila (7)

Matan Baltaxa (6)

Yonas Malede (6)

Aviel Yosef Zargary (6)

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