Portugal 1-1 Austrália: Ainda coube um empate na mala para o Europeu

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A CRÓNICA: UMA PRINCESS QUE NÃO TIROU A COROA À RAINHA TELMA

É bom que a moral que Portugal alcançou com as duas vitórias frente à Grécia e um empate diante de um nome forte como a Austrália passe no controlo de bagagem do aeroporto na altura da viagem para Inglaterra, onde a seleção das quinas vai disputar o Europeu de futebol feminino.

A seleção australiana recebeu a alcunha de Matildas na altura da primeira qualificação para um Mundial, em 1994. O objetivo era fazer a diferenciação da equipa masculina, conhecida como Socceroos. Após uma sondagem realizada por televoto, a escolha recaiu sobre o Matildas, uma referência à música country. Apesar de tudo, quem começou a dar música foram as jogadoras portuguesas.

A primeira parte foi controlada pela seleção nacional. Jéssica Silva e Catarina Amado mostraram que Portugal estava a poucas afinações de entrar no ritmo do Europeu. As jogadoras portuguesas esgueiraram-se pelo lado direito, mas os remates de ambas acabaram por acertar no insucesso.

Tarde na primeira parte, Emily van Egmond deu à Austrália a primeira oportunidade para chegar ao golo. Já em cima dos 45 minutos, o cabeceamento de Tatiana Pinto saiu tergiversado.

As bolas lançadas para o ar na direção contrária à do vento voltavam para trás. A única coisa que andava para a frente era o tempo de um jogo que só não foi morno, porque, no Estádio António Coimbra da Mota, a temperatura era mais fria do que o que a altura do ano em que o jogo decorreu fazia prever.

O relaxamento para o qual o jogo evoluiu tornou-se favorável à Austrália. As Matildas aproveitaram erros de ligação para chegarem mais vezes ao ataque. Numa dessas ocasiões, Princess Ibini deu vantagem às australianas.

Carolina Mendes chegou-se à frente para dar a Telma Encarnação o golo que deu ao resultado o aspeto com que o jogo decorreu. Sem que no tempo que separa a primeira e a última vez que a árbitra apitou coubesse mais algum acontecimento que alterasse a tendência do resultado, Portugal amealhou um resultado positivo antes da viagem para o Europeu.

A FIGURA

Fonte: Euclides Delgado/Bola na Rede

Diana Silva – competente a impor velocidade. A pressionar fez as defesas australianas estarem sempre na iminência de errarem.

O FORA DE JOGO

Fonte: Euclides Delgado/Bola na Rede

Courtney Nevin – começou como lateral e acabou a central do lado esquerdo. Abriu os buracos que quase tiravam o título de inviolável à baliza australiana.

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

Portugal atuou em 4-4-2 losango. Dolores foi a médio mais recuado. Tatiana Pinto e Andreia Norton foram as jogadoras do meio-campo com um posicionamento mais lateralizado. Kika Nazareth alinhou nas costas de Diana Silva e Jéssica Silva.

A Catarina Amado e Joana Machão coube dinamizar os corredores exteriores. Jéssica Silva e Diana Silva executaram movimentos para o exterior, nunca as duas em simultâneo para a equipa não ficar sem referência ofensiva, para serem opção na hora de acelerar o jogo. O lado direito foi o flanco que Portugal mais conseguiu explorar.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Inês Pereira (6)

Catarina Amado (6)

Diana Gomes (6)

Carole Costa (6)

Joana Marchão (6)

Dolores Silva (5)

Tatiana Pinto (6)

Andreia Norton (5)

Kika Nazareth (5)

Diana Silva (6)

Jéssica Silva (6)

SUBS UTILIZADOS

Andreia Jacinto (6)

Telma Encarnação (6)

Sílvia Rebelo (5)

Fátima Pinto (-)

Carolina Mendes (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – AUSTRÁLIA

O selecionador australiano, Tony Gustavsson, não trouxe grande parte das estrelas da companhia. O sueco que comanda as Matildas apostou num conjunto de jogadoras menos experiente.

A equipa alinhou em 4-3-3. A Austrália tentou explorar a falta de largura defensiva das jogadoras da linha média de Portugal. Para isso, o selecionador australiano ia pedindo às jogadoras que jogassem a 1/2 toques. A equipa não foi particularmente bem-sucedida.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lydia Williams (5)

Tameka Yallop Butt (5)

Charlotte Grant (4)

Clare Polkinghorne (6)

Courtney Nevin (4)

Katrina Gorry (6)

Clare Wheeler (6)

Emily van Egmond (6)

Remy Siemsen (6)

Emily Gielnik (6)

Larissa Crummer (4)

SUBS UTILIZADOS

Princess Ibini-Isei (6)

Amy Sayer (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Portugal

Bola na Rede: Os erros que Portugal ainda cometeu podem ser encobertos com a concentração competitiva a que a envolvência de uma competição como o Europeu vai obrigar?

Francisco Neto: Se não melhorarmos, no Euro vamos expor-nos mais. Nos próximos dias de treino vamos ter que melhorar, mas desfrutámos todos do jogo. Estou muito feliz e as próprias jogadoras disseram que disfrutaram do jogo dentro do campo. As jogadoras sabem o que têm a corrigir. Este jogo foi um passo acima da Grécia, o jogo da Suíça vai ser um passo à frente deste e por aí em diante.

 

Bola na Rede: Deu minutos a várias jogadoras nestes jogos. Podemos esperar que no Europeu várias jogadoras tenham minutos?

Francisco Neto: Nestes dias fui eu que lhes dei minutos, no Euro são elas que vão ter que os ganhar. O onze vai depender do desempenho, mas a probabilidade de haver muitas com minutos é grande. A entrega das jogadoras tem sido muito grande. Felizmente, estou com dores de cabeça.

 

Austrália

Não foi possível colocar questões ao selecionador da Austrália, Tony Gustavsson.

Francisco Grácio Martins
Francisco Grácio Martinshttp://www.bolanarede.pt
Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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