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O Bola na Rede continua a acompanhar a par e passo o Campeonato do Mundo de Futebol! Finalizada a primeira jornada do Mundial do Brasil e depois de todas as Selecções terem sido já postas à prova, é hora de fazer um breve apanhado em relação ao que está para trás e lançar os próximos dias de competição.

Grupo A

A Copa abriu com país anfitrião a receber e bater a Croácia por 3-1. Apesar da vitória, o Brasil não convenceu (algo que voltou a suceder já no primeiro jogo da segunda jornada diante do México): apareceu uma equipa demasiado presa a um 4-2-3-1 pouco dinâmico, sem profundidade, e que vive sobretudo da inspiração da sua estrela-maior, Neymar. Por sua vez, ainda que derrotada, a Croácia fez um jogo competente e é natural que venha a crescer em termos de agressividade atacante com o regresso de Mandzukic.

No outro jogo do grupo, o México derrotou os Camarões por 1-0. Com um esquema 5-3-2 que facilmente se desdobra em 3-5-2, os mexicanos revelaram (e confirmaram ontem, diante do Brasil) uma boa organização defensiva e uma capacidade invulgar de carrilar jogo pelas laterais (Aguilar e Layun são fundamentais neste aspecto), ao qual aliam grande objectividade em termos ofensivos (Herrera, Guardado e Gio dos Santos estão em evidência). Já os Camarões se mantiverem o padrão de atitude e de (des)organização defensiva terão uma curta estadia no Brasil.

Grupo B

Num grupo em que há, claramente, três galos para dois poleiros, a Holanda humilhou a Espanha (5-1). A equipa de Van Gaal trocou completamente as voltas aos Campeões do Mundo apostando num 5-3-2 muito compacto e povoado no espaço interior e em que a capacidade de esticar jogo através de passes longos dos defesas à procura de Robben e Van Persie se revelou decisiva; resta saber se Van Gaal continuará a apostar neste padrão de jogo e se Blind, um dos destaques da primeira ronda, manterá consistência no seu rendimento. Quanto a ‘La Roja’, tudo o que lhe podia correr mal, correu. Em causa está agora a forma como a equipa responderá diante do Chile num jogo em que só a vitória serve – Del Bosque deixará cair Casillas ou Xavi e injectará sangue novo na equipa, dando-lhe outra capacidade de resposta e largura em termos ofensivos (Pedro poderá ser importante num conjunto que, hoje, se revela previsível)?

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Manter-se-á Casillas na baliza de ‘La Roja’?
Fonte: Fifa.com

Na outra partida do grupo, o Chile venceu a Austrália por 3-1 mas só a espaços conseguiu traduzir em bom futebol a expectativa em torno da sua equipa. Os centrais Jara e Medel sofrem muito quando o jogo ganha dimensão aérea e a equipa precisará de um Vidal com outra capacidade se quer ombrear com a Espanha. Do outro lado da barricada, a Austrália é uma equipa claramente limitada, vivendo na esperança de que Cahill tenha capacidade para ganhar bolas na área, invariavelmente servido por um Bresciano que mantem a classe mas já não tem dimensão física e por uma agradável surpresa (a confirmar) de nome Leckie.

Grupo C

No grupo teoricamente mais equilibrado do Mundial, um dos resultados foi tremendamente desequilibrado. A Colômbia bateu a Grécia por 3-0, mas, não obstante esse dado, nem tudo é bom em ‘Los Cafeteros’ nem tudo é mau na equipa de Fernando Santos: os colombianos demonstraram viver muito em função da visão de jogo de James (e da prodigiosa técnica e velocidade de Cuadrado) e só não tiveram mais problemas porque o espaço central esteve sempre bem protegido e guardado por Yepes e Zapata e, à sua frente, por Aguilar e Sanchéz; quanto aos gregos, revelaram-se organizados mas demonstraram sempre enorme dificuldade em saber o que fazer com a bola, não conseguindo mudar de velocidade (Fetfazidis pode vir a ser importante para alterar esta tendência) e em que jogadores como Katsouranis, Maniatis ou Salpingidis pouco acrescenta(ra)m.

No encontro que colocou frente-a-frente Costa do Marfim e Japão, a vitória sorriu aos africanos (2-1). Os costa-marfinenses apenas foram capazes de mostrar algo de substancial na última meia hora e muito à custa da aura de Drogba: foi a sua presença em campo (moralizou e levou a equipa consigo) e na área (juntou-se a Bony e essa parceria confundiu a defesa japonesa) que virou o jogo. Já o Japão, no seu esquema habitual de 4-2-3-1, mesmo dando sempre a sensação de controlar o jogo, nunca o conseguiu dominar, vivendo demasiado em torno de Honda. Para seguir em frente, terá de não ter receio de assumir a partida (chamando mais Kagawa e Okazaki), evitar que os centrais sejam expostos a lances aéreos e possivelmente apostar em Kakitani como referência ofensiva.

Grupo D

Referir-me à primeira jornada do grupo D é falar de dois grandes jogos. Surpreendentemente o Uruguai foi batido pela Costa Rica (1-3), numa partida em que os sul-americanos desiludiram: jamais tiveram capacidade para ligar o seu jogo e sentiram demasiado a falta do seu super goleador, Luiz Suaréz. Reverter a situação não é impossível mas é preciso tornar a equipa mais compacta – como era o ‘Uru’ do Mundial’2010 ou da Copa América’2011 –, recuando Forlán (mesmo sabendo que não é o mesmo jogador de outrora) e recuperando o seu nº 9. Por outro lado, a Costa Rica foi a mais bela surpresa da Copa até à data: arrumada num invulgar 5-2-2-1 tem em Keylor Navas o seu porto de abrigo mas é Joel Campbell o seu elemento mais excitante, com uma capacidade técnica e explosiva anormais, aos quais se alia a classe de Bryan Ruiz.

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O Uruguai precisa de Luiz Suárez.
Fonte: Fifa.com

Se o primeiro foi bom, o segundo foi ainda melhor: a Itália bateu a Inglaterra por 2-1, naquele que é, provavelmente, o melhor jogo do torneio até ao momento. Os ingleses até convenceram – ter quase metade da equipa do Liverpool ajuda –, com um futebol  ofensivo, pontuado pela classe de Gerrard e de Rooney e com a velocidade e o rasgo de Welbeck, Sterling e Sturridge, mas não conseguiram vencer. Trocar Henderson por Wilshere (ou mesmo Lampard) poderá deixar os britânicos mais perto dos primeiros três pontos. Que, em abono da verdade, só não lograram porque do outro lado esteve a Itália: a Itália que domina, controla e especula com o jogo, conforme os seus intentos a cada momento, fazendo-o como mais ninguém. Pirlo parece que tem 25 anos, e depois há De Rossi, Marchisio, Candreva ou Balotelli. Ou, se calhar, mais – a Itália parece que joga sempre com mais.

Grupo E

Na sua primeira jornada, o grupo E ficou marcado por dois jogos bastantes distintos. O Suiça 2-1 Equador revelou-se emotivo até ao final, contrapondo uma equipa helvética que viveu sobretudo das incursões dos seus dois laterais (Lichtsteiner e Rodriguez) e da veia goleadora dos homens que saíram do banco (Mehmedi e Seferovic, que, pela sua performance, merecem ser considerados para o próximo onze inicial) mas que, durante muito tempo, se mostrou apática e inconsequente, a um Equador que fez por merecer outro empate: o seu 4-4-2, facilmente desdobrável em 4-2-4, viveu muito do manancial técnico de Montero, numa equipa recheada de bons talentos (Ayovi, Paredes, Noboa e os dois Valência) e que irá, por certo, dar luta até final.

Na outra partida, as Honduras foram uma presa fácil para a França (0-3). Os hondurenhos chegaram a demonstrar capacidade de condicionar a França e esticar o jogo (através de Bengston e Costly) mas a expulsão de Palacios deitou tudo a perder. Já a equipa de Didier Deschamps, num 4-3-3 perfeitamente definido, tem um meio-campo de alta rotação (Matuidi, Cabaye e Pogba) e um Benzema a jogar a toda a largura – neste sentido, a entrada de Giroud para o espaço ‘9’, por troca com Valbuena, e a deslocação do jogador do Real Madrid para outros terrenos pode dar à França mais qualquer coisa.

Grupo F

A primeira jornada do Grupo F ficou marcada pela vitória da Argentina sobre a Bósnia (2-1) mas sobretudo pelas invenções do seleccionador do país do tango. Sabella foi a jogo com um inaudito 5-3-2 e com uma equipa claramente dividida em dois: sete praticamente só defendem, quatro só atacam. Não fosse o autogolo de Kolasinac e o jogo poderia ter sido bem mais complicado para Messi e companhia, mesmo que o regresso ao 4-3-3 (ou 4-4-2 losango, com o astro argentino no vértice ofensivo) não tenha ocultado as grandes dificuldades de organização e controlo do jogo. Do lado da Bósnia, esperava-se mais de uma equipa que tem vários elementos de categoria mas que se limitou a fazer um jogo pouco imaginativo e profundo. A entrada de Ibisevic deu outra agressividade atacante, pelo que é lógico o seu surgimento  a titular na próxima partida.

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Mesmo no caos, Messi ajudou a resolver.
Fonte: Fifa.com

O primeiro nulo do Brasil’2014 chegou com o Irão-Nigéria. Um jogo com pouca história e que se resume a uma estratégia de resiliência montada por Carlos Queiroz, com linhas bem próximas e procurando entregar as despesas do jogo, condicionando-o, à turma nigeriana. O objectivo foi plenamente atingido e o estratagema irá por certo manter-se nas próximas partidas. Por sua vez, a Nigéria lidou mal com o papel de comandante da partida – é uma equipa que vale sobretudo pela velocidade dos seus homens da frente, pelo que, retirando-lhes espaço, rouba-se-lhes a capacidade de fazer a diferença no jogo. É, pois, possível que frente a Argentina e Bósnia se sinta mais confortável e, quiçá, consiga fazer uma gracinha.

Grupo G

No grupo de todos nós, a primeira partida de Portugal no Mundial dificilmente poderia ter corrido pior. O resultado de 4-0 é, por demais, elucidativo do que a equipa de Paulo Bento (não) fez, mesmo que seja fruto de incontáveis circunstâncias e episódios. Com os EUA aí à espreita, é imperioso que o grupo se reabilite em termos emocionais e que o seleccionador prepare uma verdadeira estratégia. Com tanto imponderável, Beto deveria assumir a baliza, Neto emparelhar com B.Alves, Veloso derivar para a lateral esquerda, William voltar à posição ‘6’ e Éder ser a aposta atacante. Do lado da Alemanha, nem Low sonharia com tanto! A inclusão de jogadores móveis na frente de ataque foi decisiva (Muller e Gotze estiveram impecáveis) e o roubo do espaço predilecto de Ronaldo revelou-se fundamental. A equipa germânica tem a qualificação na mão, tendo sido, possivelmente, a equipa que maior qualidade de jogo apresentou.

A outra partida da primeira jornada deste grupo desembocou numa vitória dos EUA sobre o Gana (2-1). Os norte-americanos foram tremendamente felizes mas o certo é que foram também imensamente competentes: defenderam-se sempre com oito homens atrás da linha da bola, com duas linhas de quatro bem próximas, redundando num bloco bastante organizado e coeso. Dempsey tem muita qualidade, Jóhannsson substituirá o lesionado Altidore mas foi Beckerman quem encheu o campo e as  medidas: o médio defensivo está no encalce de todas as bolas e lances. Do lado do Gana, este foi um jogo inglório: sofreu um golo ao minuto 3, assumiu por completo o jogo, desperdiçou e viu o empate fugir-lhe por entre os dedos. Num conjunto com vários jogadores de qualidade, Atsu (ex-FC Porto) e Asamoah estiveram em plano de evidência.

Grupo H

No último grupo a entrar em campo, a primeira jornada ofereceu uma vitória da Bélgica sobre a Argélia (2-1). Ao contrário do que era expectável, os belgas tiveram muita dificuldade em assentar o seu jogo, marcadamente lento e inofensivo durante a primeira parte. A diferença esteve sobretudo no banco: a largura dada por Mertens e a dimensão física e aérea trazidas por Fellaini fizeram cair o jogo para o conjunto de Wilmots. Por sua vez, a equipa da Argélia demonstrou ter uma estratégia bem delineada: condicionar o jogo belga e tentar sair em transição, sobretudo pelo lado esquerdo. Ter bons intérpretes, como Ghoulam, ajudou durante um certo período mas, nos próximos jogos, se quiser passar, a Argélia tem de ter outra acutilância ofensiva – Ghilas ou Slimani poderão ser importantes peças.

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Mertens foi preponderante na vitória da Bélgica sobre a Argélia.
Fonte: Fifa.com

O empate entre Rússia e Coreia do Sul (1-1) reflecte bem a contraposição entre as duas equipas. Os russos, num 4-3-3 bem definido, têm claro dedo de Capello no processo defensivo: são uma equipa que, em organização defensiva, está sempre bem posicionada e não permite grandes veleidades. Todavia, chegar à frente ainda é complexo, algo acentuado após a lesão de Shirokov. Abrir a frente de ataque com Kerzhakov e Dzagoev resultou plenamente ontem mas dificilmente se irá repetir (pelo menos desde o inicio) diante da Bélgica. A Coreia do Sul surpreendeu positivamente: enquanto teve capacidade física, os coreanos apostaram num 4-2-3-1 muito pragmático, com um futebol rápido e positivo, mas, como tradicionalmente, com problemas ao nível da finalização. Heung-Min Son é sempre o homem mais perigoso e pode fazer com que a equipa asiática tenha uma palavra a dizer neste grupo.

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