A Holanda e a Itália falharam o Mundial deste Verão. Se era pouco comum uma das duas ficar de fora, então as duas de fora em simultâneo… São dois os pontos de vista que associo a este acontecimento: primeiro, o claro demérito em relação a gerações anteriores por parte das seleções em questão; segundo, o mérito de seleções sem grande expressão internacional, que começam a habitar na mesma selva que os outros.

Foi semi-finalista do Mundial 2014, não há muito tempo, e ainda conta com peças importantes dessa ocasião, bem como novas ainda por “aparafusar”. Mas não foi apenas no Mundial 2018 que a Holanda não esteve presente. Muitos já não se recordam, independentemente de ter sido há muito pouco tempo, mas a verdade é que a Holanda também não conseguiu figurar no Euro 2016.

A caravana passa, e hoje tudo se inverte. Uma seleção que respira bom futebol, recheada de talento, como sempre foi. Os holandeses viram, certamente, na Liga das Nações algo não tão importante como, por exemplo, Europeus ou Mundiais. Isto ao início. Neste momento, acredito que estamos perante o inverso. Trata-se de um povo que adora futebol e via a seleção da sua pátria desacreditada, mas após os confrontos com França e Alemanha, os três do mesmo grupo, quem seguiu foram os holandeses.

Bergwijn estreou-se há pouco pela Holanda e é exemplo de sangue novo
Fonte: KNVB

Esta federação precisava muito de regressar ao topo. Sempre lhe foi reconhecido potencial, no que ao futebol AA diz respeito. Porém, os resultados não iam condizendo com a reputação que a Holanda ostenta no futebol. Não se tratou apenas de um apuramento. Tratou-se do regresso de um futebol bem organizado e detalhado, rápido e intenso, bem ao estilo holandês, oculto durante quatro anos…

Neste momento, conta com um guarda-redes muito seguro, ao nível dos melhores (Cilessen), um defesa central de elevada fasquia (Van Dijk), um médio de classe mundial (Wijnaldum), e um incrível Memphis Depay. Em cada setor, como sempre foi, encontra-se um especialista dessa posição, e a eclosão de um avançado como Justin Kluivert pode muito bem complementar da melhor forma esta equipa. De Ligt, do Ajax, será certamente o companheiro do central do Liverpool no próximo Euro.

A seleção holandesa foi um vulcão durante muito tempo, passou uns maus bocados, perdeu inúmeras finais e semi-finais quando tinha uma seleção absolutamente fantástica, mas, como qualquer vulcão, chega a um ponto em que explode. Vem tudo cá para baixo. O talento para o futebol na Holanda não vem só do Ajax. Antes de o miúdo se formar em qualquer escola, já tem algo especial, propício para o futebol. Da mesma forma que “arrumou” com os dois últimos campeões mundiais, não será de espantar um regresso por parte da Holanda à elite, assim do nada…

Foto de capa: KNVB

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