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Académico Viseu FC 23-25 SL Benfica: Viseenses espreitaram surpresa

Pedro Filipe · 9 min

Viseu
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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A CRÓNICA: ÁGUIAS TIVERAM VITÓRIA MAIS DIFÍCIL DO QUE ERA PREVISTO

No Pavilhão Cidade de Viseu, Académico de Viseu e SL Benfica defrontavam-se com ambas a passarem por uma série de três jogos sem vencer.

As duas equipas tiveram dificuldades em finalizar no inicio da partida com faltas ofensivas para os dois lados, só havendo um golo na terceira posse de bola para o Académico.

No entanto, a vantagem caseira foi de curta duração com as águias a colocarem-se na frente do marcador (2-4 aos 5’). A diferença de dois  manteve-se durante boa parte da primeira parte.

A partir dos 20 minutos da primeira parte, o Benfica sofreu a terceira das quatro exclusões de um jogador, neste caso foi Vladimir Vranjes que contava já com uma anterior. O Académico conseguiu aproveitar algumas falhas no movimento ofensivo encarnado e chegou ao empate a 5’ do intervalo.

A equipa da casa podia ter passado mesmo para a frente do marcador depois de uma falta ofensiva dos visitantes, mas Cortinhas que tentou lançar um rápido contraataque fez um passe longo precipitado e o Benfica conseguiu virar o feitiço contra o feiticeiro e Adam Juhasz restabeleceu a vantagem encarnada só com o guarda redes pela frente.

Os viseenses mostraram alguma intranquilidade nos minutos seguintes e viram o Benfica conseguir um parcial de três golos sem resposta (11-14). Até ao intervalo e com mais uma exclusão nas águias, o Académico conseguiu reduzir para a margem mínima (13-14).

No segundo tempo, a equipa da casa conseguiu estar a taco a taco no resultado contra os campeões da Liga Europeia e saltaram mesmo para a frente aos 40´ (17-16), numa altura em que houve cerca de cinco minutos sem golos com faltas ofensivas e remates falhados pelo meio.

O Académico de Viseu conseguiu mesmo saltar para os dois golos de diferença, numa altura em que as águias se viam privadas de um jogador por exclusão de Izquierdo (20-18 aos 45´). No entanto, um parcial de 4-1 a favor dos encarnados voltou a coloca-los na frente do marcador.

No entanto, houve diferença mínima no resultado em muitos momentos nos últimos dez minutos (21-22 aos 50´ e 22-23 aos 55´). Assim, a vitória encarnada só ficou consumada no último minuto com o Académico de Viseu a não conseguir concretizar no ataque e os visitantes a estabelecerem o resultado final.

Vitória muito difícil para os favoritos na partida que regressam aos triunfos e iguala o rival FC Porto no topo da classificação. Já o Académico de Viseu continua no penúltimo lugar, mas fica a ideia que a equipa tem recursos para lutar pela manutenção na I Divisão até ao fim.

A FIGURA

Sergey Hernandez – Numa altura em que fala de uma saída para a Alemanha, o guarda redes do Benfica foi muito importante com defesas importantes, várias vezes no 1×1 com o marcador dos anfitriões. Perante a dificuldade no processo ofensivo do Benfica, o guarda redes segurou o resultado.

O FORA DE JOGO

Miguel Vieira – É difícil destacar alguém pela negativa, mas o central do Académico de Viseu errou em três momentos que podiam ter sido decisivos para a equipa não ter saído com mais uma derrota: quando os viseenses ganhavam por um, caiu e largou a bola, esperando que o árbitro assinalasse falta; atirou muito por cima um remate em que não estava na melhor posição mas fica a sensação que poderia ter feito melhor e a equipa podia ter empatado; ainda mediu mal um passe de um lado para o outro, colocando-o demasiado longo.

ANÁLISE TÁTICA – Académico Viseu FC

O treinador Rafael Ribeiro começou por apostar em Benjamin João para a ponta direita e reforçou a altura dos centrais com Dusan Maric.

Sem várias opções (Rúben Sousa, João Macedo e Diogo Quintas), a equipa teve de sobrecarregar com mais minutos vários jogadores como António Silva, Eduardo Almeida e Miguel Cortinhas.

EQUIPA E PONTUAÇÕES

António Silva (5)

Rodrigo Gameiro (-)

Eduardo Martins (-)

Miguel Cortinhas (6)

Tiago Heber (6)

Kevin Diaz (5)

Diogo Liberato (5)

Benjamin João (6)

Aldrin Andrade (6)

Matheus Victor (-)

Eduardo Almeida (7)

Miguel Vieira (5)

André Lima (6)

Dusan Maric (5)

Jefferson Bastos (5)

Alejandro Guerrra (-)

ANÁLISE TÁTICA – SL Benfica

A equipa do técnico Chema Rodriguez apostou na pressionante defesa 6×0. O jogo ofensivo passava pelo pivot, especialmente quando era Alexis Borges, que servia como distribuidor de jogo caso não tivesse espaço para rematar. Muitas faltas ofensivas foram assinaladas.

Na segunda parte, a eficácia ofensiva ainda diminui mais e só Belone Moreira na primeira metade do segundo tempo conseguiu dar dinâmica no marcado. Em desvantagem, o técnico acabou por ter de pedir um time out para tentar despertar a equipa.

EQUIPA E PONTUAÇÕES

Sergey Hernández (7)

 Gustavo Capdeville (6)

 Ádám Juhász (6)

 Bélone Moreira (7)

 Ander Izquierdo (6)

 Carlos Martins (6)

 Ole Rahmel (6)

Arnaud Bingo (5)

 Paulo Moreno (5)

 Alexis Borges (5)

Vladimir Vranjes (5)

 Demis Grigoras (-)

 Tadej Kljun (5)

 Leandro Semedo (5)

Petar Djordjic (6)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académico Viseu FC

BnR: O Académico deu sinais positivos ao superar da desvantagem ao intervalo, mas acaba por não segurar a vantagem e perder o jogo novamente. O que é que fica deste jogo?

Rafael Ribeiro [técnico principal]: Ao fim ao cabo, acabamos com o mesmo número de pontos. É a mesma conversa que temos tido quase semana após semana: o que fica é o resultado, mas seria hipócrita se não reconhecesse que tivemos perto de ganhar o jogo, nem foi de pontos, foi ganhar mesmo. Até me dá a ideia que em certos momentos não quisemos ganhar o jogo porque nos momentos chave não conseguimos assumir sobretudo por falhas técnicas e remates falhados.

Tivemos a situação de passar para três, tivemos a possibilidade passar para dois já numa fase final e, no último minuto, tivemos a bola com mais um para empatar e para ir para cima do jogo, mas não conseguimos fruto de algumas coisas. É o que é. O que fica para a história é o resultado.

BnR: Fizeste um time out na segunda parte, numa altura em que a equipa já estava novamente em desvantagem e o Benfica tinha falhado o golo no lance anterior. O que pretendias transmitir à equipa?

Rafael Ribeiro: Nós fizemos a segunda parte quase toda à frente e nesse momento o Benfica passou para a frente. Se o Benfica ganha a confiança com dois ou três golos, depois para ir buscar o jogo era complicado.

Ao mesmo tempo, eles estavam a criar dificuldades a nível defensivo no nosso ataque. Então, juntou-se a questão de eles estarem para a frente e nós com dificuldade para passar para o 7×6.

BnR: Apostaste no Benjamin João no início do jogo e no Tiago Heber. O que pretendias com essa aposta?

Rafael Ribeiro: O Tiago Heber não jogou de início. Costuma jogar sempre a defender ao meio, mas hoje não começou. Depois houve uma situação em que o Eduardo Almeida já estava cansado, jogar a este ritmo não é fácil, estamos a falar de um atleta sub-20.

O Benjamin é a rotatividade dos pontas. Quem acho que trabalha melhor durante a semana. Hoje acabou por se lesionar porque o planeado era que jogasse mais algum tempo. Por uma questão de lesão, acabou por ter de sair e entrar o André Lima que também esteve bem.

BnR: Agora vem aí uma pausa de mês e meio de jogos oficiais. O que está preparado para este período?

Rafael Ribeiro: Primeiro, férias. Os resultados não têm ajudado. Íamos de férias muito melhor se tivéssemos ganho o jogo. É a verdade.

Tivemos uma semana complicada e espero não voltar a passar uma semana como a que passei esta. Portanto, fazer o jogo que fizemos depois da semana que tivemos, ainda me deixa mais incrédulo. Agora é férias até ao final do ano, estamos todos cansados uns dos outros (risos).

A partir de janeiro, tentar retomar com algumas alterações espero porque o que aconteceu hoje, não pode apagar o que está para trás com alguns maus jogos e algumas más atitudes que tivemos em certos jogos e, pronto saio daqui satisfeito. A pausa vai servir para descansar e não pensar em Andebol tanto da minha parte como da parte dos atletas para voltar com mais energia, mais vontade e mais força porque aquilo que nos espera é uma montanha muito complicada de trepar.

BnR: Essa semana complicada levou às ausências na convocatória do Diogo Quintas, do João Macedo e do Ruben Sousa?

Rafael Ribeiro: Também, mas não só. Eu falei na antevisão da questão das doenças e isso não é desculpa. Tanto o Diogo Quintas, como o João Macedo são jogadores que jogam. O Macedo é, neste momento, o único ponta esquerda e hoje tivemos de improvisar um bocadinho. Depois houve outros problemas que se criaram e tivemos de os resolver. Não esperava uma atitude e uma resposta tão boa da equipa. Isso surpreendeu-me.

BnR: O André Lima foi contratado já a meio da época. O que pretendeste adicionar à equipa com esta contratação?

Rafael Ribeiro: Nós tínhamos preparado a época com dois pontas direitas, mas o André estava livre e vinha morar para Viseu. É um jogador que tem experiência de I Divisão, foi o terceiro melhor marcador do Campeonato há três anos.

Apesar de estarmos com dois pontas direitas, achamos que era uma mais valia e depois entretanto o outro ponta direita, o Tiago Arrojado, acabou por sair. Não foi uma coisa planeada no início da época, foi planeado ter dois pontas direita sem o André e o André apareceu depois.

 

SL Benfica

BnR: O Benfica vence, mas mostrou alguma intranquilidade. Que balanço faz do jogo?

Chema Rodriguez [técnico principal]: Foi uma partida muito complicada de jogar. Não costumo falar em arbitragem, mas achei uma arbitragem rara. Não nos soubemos adaptar à arbitragem e custou-nos muito ganhar o jogo.

A equipa fez um bom trabalho, fez um bom jogo e custou-nos conquistar a vitória. Era um jogo difícil porque era o ultimo da primeira volta depois de encontros complicados que tivemos antes de vir aqui. O mais importante era conquistar os três pontos que conseguimos. Agora é pensar no que vem.

BnR: Na primeira parte, o pivot Vladimir Vranjes foi a aposta durante muitos minutos na primeira parte até sofrer a segunda exclusão. O que pretendia explorar com a sua utilização?

Chema Rodriguez: Os três pivots que temos são igualmente bons. Primeiro começou o Paulo Moreno, a seguir foi o Vladimir Vranjes e depois foi o Alexis Borges.

O nosso jogo passa muito pelo pivot, mas cada vez que tentávamos jogar com pivot era falta no ataque ou outra coisa assim. Portanto, tivemos de mudar um pouco o nosso jogo. Não nos conseguimos adaptar ao jogo que estavam marcando os árbitros.

BnR: Os três jogos seguidos sem vencer que a equipa trazia intranquilizaram para este jogo?

Chema Rodriguez: Não, penso que fizemos três bons jogos.

Fizemos um bom jogo em casa contra o Montpellier que lutamos quase até ao final contra uma grandíssima equipa; jogámos contra o Sporting em que também fizemos uma grande partida, não tivemos sorte; igualmente fizemos uma boa partida em Montpellier em que os guarda redes adversários estiveram muito eficazes e não foi um problema de jogo, mas de marcar golos.

Hoje tivemos uma partida complicada, mas penso que a equipa está bem e com ganas de enfrentar o que vem no futuro.

BnR: Agora vem aí a paragem com o mister a seguir para o Mundial. Como é que vai ser a preparação do Benfica neste mês e meio de pausa?

Chema Rodriguez: Como noutros anos. Estou no Benfica como na Seleção Húngara. Muitos dos jogadores estão também no Mundial e os outros que não estarão no Mundial trabalharão física e taticamente para quando voltarmos em fevereiro, estarmos a um nível ótimo as competições que teremos.

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedro Filipe

Redação Bola na Rede · ver artigos