Todos nós procuramos sempre uma forma de sermos melhores. Ultimamente, o Andebol Nacional tem vivido uma fase de excelência e bem-estar, com os excelentes resultados quer de clubes, quer de Seleções. Mas nada é perfeito. Há sempre algo a melhorar, e há que ter coragem para o reconhecer. Este momento tem de ser aproveitado para trazer patrocinadores, adeptos, visibilidade ao nosso campeonato e às equipas portuguesas. No entanto, há que colocar uma questão: será que o modelo competitivo do nosso Campeonato é o melhor?

O FC Porto e o Sporting CP vêm de fases de investimento na modalidade e praticam Andebol ao nível dos melhores da Europa. O SL Benfica está longe do nível dos seus adversários. O ABC passa por momentos de enormes dificuldades financeiras. O FC Gaia, o CF Os Belenenses e a AA Águas Santas são equipas de qualidade, mas estão longe de ter qualidade para colocar problemas às equipas de topo.

O Madeira SAD, o ISMAI, o Boa Hora FC, a A. Artística de Avanca e o SC Horta conseguem, com mais ou menos dificuldades, fazer um campeonato relativamente tranquilo e garantem cedo a manutenção. Por fim, às equipas que sobem de divisão, neste caso o Vitória de Setúbal FC e o Boavista FC, sobra tentarem fazer o milagre de permanecer na primeira Divisão.

E assim é todos os anos, apenas vão mudando os nomes das equipas. Chegamos às Fases Finais, o Sporting CP e o FC Porto lutam pelo título, e, basicamente, todas as outras equipas do Campeonato já sabem qual é o seu destino. Será de esperar que as pessoas vão aos Pavilhões ver jogos de Andebol? É de esperar que surjam investimentos e patrocínios num Campeonato em que a maioria dos jogos são para cumprir calendário?

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Os últimos três títulos pertencem a Sporting CP e FC Porto, que têm feito uma grande aposta na modalidade
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No meio disto tudo, qual é a resposta? A resposta está mais próxima do que pensamos. Está no Campeonato Nacional de Voleibol, de Basquetebol e de Futsal. Está até nos Campeonatos Nacionais de Andebol de 2014/15 e 2015/16: Play-offs. Nestas épocas, o Campeonato foi disputado de forma inédita, e em 2015/16 algo novo aconteceu: o ABC de Braga foi campeão Nacional. Durante a disputa deste modelo de organização do “Grupo A”, foram vários os grandes encontros de Andebol que sucederam.

O velhinho Flávio Sá Leite enchia-se de amarelo, o Pavilhão Nº. 2 da Luz nunca teve um ambiente tão bom no Andebol como naquelas épocas. Todos os jogos contavam, e os adeptos sabiam disso. Agora imaginem o ambiente no Dragão Arena, no Pavilhão João Rocha, em qualquer pavilhão deste país, havendo a hipótese de qualquer coisa acontecer em 60 minutos (ou mais). As hipóteses de “história de Cinderela” seriam maiores, a imprevisibilidade seria maior, o espetáculo seria maior e com isto chegaria a visibilidade, o reconhecimento e os novos adeptos.

Claro que isto não é positivo para os ditos “Grandes”, que conseguem facilmente ser regulares, vencendo os seus desafios sem grandes dificuldades. Mas se queremos que o nosso Andebol chegue ainda mais longe, temos de melhorar o nosso campeonato, mesmo que isto signifique enfrentar quem mais poder tem. Não seria uma decisão fácil de se tomar, e duvido imenso que venha acontecer. Entretanto, resta-me relembrar com saudade o ambiente que vivi pela TV ao ver os jogos no Flávio Sá Leite e o qual nunca mais experienciei.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

                               Artigo revisto por Mariana Plácido