A CRÓNICA: DO CÉU AO INFERNO

Portugal defrontou, este sábado, a Croácia, na segunda jornada do Torneio Pré-Olímpico, após ter vencido a Tunísia, na primeira jornada. A Croácia perdeu o primeiro jogo desta fase contra a França, agravando ainda mais a “crise” da qual tem vindo a sofrer desde o Mundial de janeiro. Este era um jogo decisivo para ambas as equipas, já que uma derrota colocava a Croácia fora dos Jogos Olímpicos, enquanto Portugal garantiria a qualificação para Tóquio.

Devido à importância do jogo, ambas as equipas pareceram um pouco nervosas no começo da partida, algo que se notou nas dificuldades ofensivas e nos erros técnicos cometidos. Aos seis minutos, apenas tinham sido marcados dois golos, um para cada equipa. Após superar estas dificuldades iniciais, Portugal conseguiu distanciar-se da Croácia, construindo uma vantagem de três golos. No entanto, por algumas vezes, a Croácia conseguiu minimizar a distância.

Anúncio Publicitário

A entrada de Manuel Gaspar e a aposta no 7×6 permitiram que Portugal voltasse a aumentar a vantagem, que só não foi maior ao intervalo porque, nos momentos finais da primeira parte, a equipa de Paulo Jorge Pereira apresentou alguma displicência ofensiva. Ainda assim, Portugal saiu para o intervalo a vencer 9-12.

Se o final da primeira parte não foi o melhor, a entrada na segunda parte foi completamente o oposto. Manuel Gaspar entrou em grande nível, tal como o ataque português, o que levou a um parcial de 0-3, que permitiu construir uma vantagem de seis golos logo no início do segundo tempo. Mas se todos pensavam que vinha daí um jogo confortável, estava muito enganado, porque do 10-16 para a frente foi um autêntico descalabro que ninguém fazia prever.

Em menos de dez minutos, a Croácia fez um parcial de 6-1 e colocou a diferença em apenas um golo. Portugal conseguiu ir aguentando a vantagem com recurso ao 7×6, mas via-se que as soluções iam sendo escassas e cada vez mais forçadas. A Croácia acabou mesmo por se colocar, pela segunda vez, na frente do marcador, aos 59 minutos. Portugal ainda voltou a empatar, mas não conseguiu nem impedir o último golo dos croatas, nem empatar a partida no derradeiro ataque, perdendo, então, a partida por 25-24.

Se lhe pareceu que já viu este jogo em algum lado, não está enganado. Já no Mundial, Portugal esteve próximo (não tanto como hoje) de conseguir um resultado muito importante para os objetivos contra a Noruega, mas acabou por perder por apenas um golo. Tal como em janeiro, Portugal precisa agora de levar vencida a França para estar nos Jogos Olímpicos, naquela que vai ser uma missão muito complicada. Fica o sentimento de vazio de ter estado tão perto de conseguir o ponto mais alto da história do Andebol português e ter falhado por tão pouco.

 

A FIGURA

Ivan Cupic – Poucos são os jogadores que, num jogo deste nível, marcam nove golos. No entanto, muito menos são aqueles que o fazem com 100% de eficácia. O pequeno jogador croata é um dos nomes do andebol europeu há alguns anos e, infelizmente para Portugal, hoje voltou a demonstrá-lo, elevando uma equipa da Croácia que bem precisa das suas individualidades ao mais alto nível.

O FORA DE JOGO

Paulo Jorge Pereira – Mesmo enquanto a equipa esteve em vantagem, na segunda parte, via-se que estava nervosa, sem ideias e que, mais tarde ou mais cedo, a Croácia ia passar para a frente. O treinador português teve tempo para pensar e agir mas, quando o fez, não teve efeitos práticos, nem foi na altura acerta. É impensável uma equipa fazer um parcial de 1-4 no começo da primeira parte para aumentar a vantagem para seis golos e, ainda assim, no final da partida, perder o jogo. Apesar de existirem outras razões de queixa (duas exibições muito preocupantes dos árbitros da partida), o treinador português deve ser considerado o principal responsável pela derrota.

 

ANÁLISE TÁTICA – CROÁCIA

Esta é uma equipa da Croácia em renovação, pelo menos na equipa técnica, e que vem de uma má prestação no Mundial. Hoje apresentou um sistema defensivo muito híbrido, variando entre o 5×1, 4×2 e 3x2x1, colocando grandes dificuldades à circulação ofensiva portuguesa, o que acabou por ser decisivo na fase derradeira da partida. Em termos ofensivos, a equipa esteve um pouco dependente das grandes individualidades que ainda tem, apesar de, em alguns momentos, mostrar algum do seu “perfume”.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivan Pesic (4)

Igor Karacic (7)

Ivan Martinovic (4)

Ivan Cupic (10)

Zeljko Musa (8)

Domagoj Duvnjak (9)

David Mandic (8)

SUBS UTILIZADOS 

Marin Sego (6)

Marino Maric (8)

Manuel Strlek (4)

Marko Mamic (4)

Luka Sebetic (6)

Kresimir Kozina (4)

Domagoj Pavlovic (4)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

O que dizer sobre este jogo? Em termos defensivos, Portugal melhorou um pouco a sua performance defensiva, em relação ao jogo com a Tunísia, principalmente na contenção do jogo com os pivots. No entanto, manteve-se muito dependente das intervenções dos guarda-redes para conseguir conquistar bolas. Em termos ofensivos, vimos uma organização de bom nível durante 35 minutos, mas, a partir daí, a equipa deixou de ter capacidade para superar as dificuldades que a defesa adversária colocou.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Gustavo Capdeville (4)

Pedro Portela (5)

Leonel Fernandes (5)

André Gomes (6)

Victor Iturriza (9)

Rui Silva (7)

Fábio Magalhães (8)

SUBS UTILIZADOS

Manuel Gaspar (7)

Miguel Martins (7)

Belone Moreira (5)

Daymaro Salina (7)

Diogo Branquinho (7)

Alexandre Cavalcanti (-)

António Areia (6)

Luís Frade (8)

Foto de Capa: IHF Handball

Artigo revisto 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome