cab andebol

FC Porto em 1º com 62 pontos, Sporting em 2º com 58. Assim terminou a fase regular do Campeonato Fidelidade Andebol 1. Os dragões somaram 20 vitórias e apenas duas derrotas (ABC em casa e Benfica fora, este último já com as contas decididas), enquanto os leões registaram 17 triunfos, dois empates (Benfica e Sp. da Horta, ambos fora) e três derrotas (os dois jogos com o FC Porto e um desaire surpreendente com o ISMAI, em casa). Tendo em conta não só os números mas também o próprio jogo jogado, a conclusão é simples: os dragões são os grandes favoritos nesta final do regressado playoff. Para aqui chegar, o clube da Invicta eliminou o Passos Manuel nos quartos-de-final (2-0) e o Benfica nas meias-finais (3-0). Já o Sporting superiorizou-se ao Sp. da Horta na primeira ronda (2-0) e ao ABC na segunda (3-1).

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A final do playoff disputa-se à melhor de três

 

FC PORTO

Vantagens: os azuis-e-brancos são hexacampeões, terminaram a fase regular no primeiro posto (garantindo assim a importante vantagem no factor-casa) e têm um plantel experiente, profundo e consolidado – Wilson Davyes saiu, mas o lateral-esquerdo Gilberto Duarte continua no clube e tem sido determinante. Os comandados de Ljubomir Obradovic dispõem, de resto, de óptimas soluções para todos os sectores: Alfredo Quintana e Hugo Laurentino na baliza, Daymaro Salina e Alexis Hernández como pivots, o já mencionado Gilberto Duarte e Michal Kasal na lateral-esquerda (o checo é, aos 21 anos, um dos elementos com maior experiência internacional da equipa, tendo participado no Europeu 2014 e no Mundial 2015), João Ferraz a lateral-direito e ainda os pontas Mick Schubert, à esquerda, e Ricardo Moreira, o carismático capitão, à direita. Miguel Martins, central, é, a par de Kasal, um dos jovens mais promissores.

Destaque individual: precisamente Gilberto Duarte, um dos melhores andebolistas portugueses. Com um porte físico notável e dono de um remate poderoso, o lateral é a maior referência numa equipa onde não falta qualidade. No primeiro jogo da meia-final do playoff apontou 10 golos ao Benfica e, na fase regular, tinha sido o carrasco do Sporting ao marcar, no último segundo, o golo do triunfo portista no reduto dos leões.

Jogo colectivo: o FC Porto é, no seu conjunto, uma equipa agressiva, muito forte fisicamente e com uma vasta variedade de recursos, mostrando grandes argumentos tanto na procura do jogo interior como através das pontas. Os dragões jogam a um ritmo alto, desgastam o adversário no ataque e manietam muitas das iniciativas deste no momento de defender. Frente a uma equipa do Sporting mais repentista mas menos imponente nos duelos de corpo a corpo, poderá passar por aqui um eventual sucesso azul-e-branco.

Pontos fracos: poucos duvidam da superioridade dos dragões, uma vez que os primeiros são uma equipa mais madura e, sobretudo, mais regular do que os leões. Porém, o sistema de “mata-mata” pode pesar, já que, desde 2012, o FC Porto perdeu três vezes contra o Sporting na Taça e uma vez na Supertaça. Só este ano a história foi diferente, com a equipa de Obradovic a levar os verde-e-brancos de vencida na Supertaça por 29-28. A excessiva dependência de Gilberto Duarte também cabe nesta categoria, especialmente se o Sporting conseguir contrariar as acções do jogador.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 75%

 

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Gilberto Duarte é a maior figura dos dragões e quer voltar a festejar
Fonte: fcporto.pt

 

SPORTING CP

Vantagens: as transições e jogadas rápidas são uma das imagens de marca do conjunto leonino e também um dos melhores argumentos para desmontar a defesa portista. A fome de títulos e o facto de alguns jogadores, como o central Rui Silva, o ponta-direita Pedro Portela e o lateral-esquerdo Fábio Magalhães, terem amadurecido, também poderão jogar a favor da equipa verde-e-branca.

Também o regresso de João Antunes à modalidade é uma boa notícia para o Sporting, que ganha assim uma arma defensiva e um complemento a Bruno Moreira para a posição de pivot. A experiência de Pedro Solha na ponta-esquerda e a grande meia-distância do lateral/central Frankis Carol também poderão fazer a diferença, assim como o facto de os leões terem no regressado Bosko Bjelanovic e no lateral-direito Pedro Spínola, ex-FC Porto, duas opções que acrescentam valor. Na baliza, Ricardo Candeias está de pedra e cal.

Destaque individual: embora o central Rui Silva (que irá, ao que tudo indica, reforçar os dragões no próximo ano) seja o estratega da equipa, o ponta-direita Pedro Portela é talvez o atleta “mais” deste Sporting. Jogador fisicamente potente, exímio nos remates cruzados e competente a defender, executa com critério e tem claramente nível para actuar numa liga mais competitiva. Exibiu-se a bom nível na eliminatória com o ABC, conseguindo 6 golos no primeiro jogo e 7 nos outros dois. É o terceiro melhor marcador do campeonato, com 177 golos.

Jogo colectivo: os homens de Frederico Santos apostam em transições rápidas e em reacções quase imediatas nas reposições de bola após os golos sofridos. Aproveitando o facto de o adversário ainda não estar bem posicionado, os leões dão frequentemente preferência ao efeito-surpresa em detrimento do ataque organizado. Se, por um lado, esta escolha permitirá mascarar um pouco a menor imponência física face ao FC Porto, por outro poderá levar, pontualmente, a decisões precipitadas (sobretudo se os leões não souberem prolongar os ataques quando estão a ganhar e concretizar de seguida) e a um cansaço superior ao desejável. No entanto, se a estratégia tem dado resultados, não se espera que a equipa abdique dela.

Pontos fracos: É mais fácil encontrá-los no Sporting CP do que no FC Porto. O peso do factor histórico (os leões não ganham no Porto há largos anos e terão forçosamente de o fazer para serem campeões) pode levar a quebras psicológicas nos momentos decisivos – este ano, nos três jogos realizados contra o FC Porto, o emblema de Alvalade perdeu pela margem mínima e sempre no último minuto. A equipa de Frederico Santos é algo inconstante, podendo aliar bons momentos na partida a largos minutos sem conseguir concretizar e com uma proliferação intrigante de falhas técnicas. Na baliza, apesar de Ricardo Candeias ter muito valor, o FC Porto leva alguma vantagem – o suplente leonino Ricardo Correia é nitidamente menos opção do que Hugo Laurentino, o seu homólogo azul-e-branco. O Sporting também é menos incisivo nos duelos físicos do que o rival.

Probabilidade de conquistar o campeonato: 25%

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Pedro Portela terá de estar a bom nível se o Sporting quiser contrariar o favoritismo portista
Fonte: sporting.pt

 

Foto de capa: site oficial do FC Porto

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