cab andebol

Gostava que este texto não soasse tão fatalista, até porque este foi apenas o segundo jogo da fase de qualificação, mas assim o futuro da selecção portuguesa fica mais difícil. Mesmo tendo em linha de conta a qualidade da equipa russa, se Portugal quiser a qualificação para um torneio internacional – algo que já lhe escapa desde 2006 – tem de derrotar os adversários fortes quando joga em casa. E hoje, contrariamente ao jogo da semana passada na Hungria (derrota por 31-30), isso nunca esteve perto de acontecer.

O jogo começou a um ritmo interessante, com a Rússia a respeitar Portugal e ambas as equipas a saírem em ataques rápidos. A defesa forasteira mostrava-se agressiva e disposta em 5-1, com o ponta-esquerdo Oleg Skopintsev invariavelmente posicionado à frente dos colegas de forma a encurtar o ataque português e a afastá-lo de zonas de perigo. Ainda que esta opção táctica pudesse abrir brechas que permitissem a entrada dos laterais e do pivot, a verdade é que Tiago Rocha (6 golos) foi quase sempre bem defendido, particularmente na primeira parte, e Gilberto Duarte (6 golos, o melhor lateral) só a espaços criou problemas.

O momento mais importante da partida surgiu cedo: Pedro Portela (7 golos), o melhor português, colocou a selecção nacional a vencer por 9-7 aos 15 minutos com dois golos seguidos, obrigando a Rússia a pedir time-out. O treinador Oleg Kuleshov cortou o ímpeto nacional e, até ao intervalo, quase só deu Rússia. Aos 22 minutos, os visitantes já venciam por 10-15. As exclusões quase seguidas de Portela e Gilberto Duarte também não ajudaram, mas a verdade é que Portugal nunca conseguiu furar a defesa russa. Ao intervalo, o resultado era de 12-18.

pedro portela
Pedro Portela, com Cláudio Pedroso e Pedro Solha, foi o melhor português, com 7 golos
Fonte: facebook.com/pedro.a.portela.7

Foram os segundos 15 minutos da primeira parte que acabaram por condenar a equipa portuguesa uma vez que, após o intervalo, os homens de Rolando Freitas pareceram querer imprimir um ritmo mais dinâmico. A exlcusão de Konstantin Igropulo, lateral-direito do Füchse Berlin que é talvez a maior figura desta equipa e que estava a ser um dos mais decisivos (orquestrava ataques e marcava golos importantes; melhor marcador do encontro com 8 golos) permitiu a Portugal sonhar com a aproximação. Contudo, a equipa da casa raramente conseguiu períodos de dois golos sem resposta – mérito também da Rússia – falhando portanto a redução da desvantagem.

Pedro Solha (2 golos) mostrava-se pouco inspirado e desperdiçou alguns lances em momentos importantes. Do lado russo, tanto em ataque continuado como em contra-ataque a superioridade era notória, com os pontas Dmitri Kovalev (2 golos) e sobretudo Timur Dibirov (3 golos) a arrancarem uma segunda parte de bom nível. Auxiliados por um Sergei Gorbok imperial a defender e um Pavel Atman decisivo na meia-distância, os russos venceram por 29-34 sem contestação.

Portugal somou a segunda derrota em outros tantos jogos e tem ainda quatro partidas pela frente. A ida de Wilson Davyes para França, as boas campanhas recentes de Sporting e Porto na Europa e a maturação dos atletas que se sagraram vice-campeões europeus de sub-20 em 2010 podem ajudar o andebol português a dar um salto qualitativo. No entanto, isso só acontece caso se vençam os melhores. E, não fossem os últimos 15 minutos do primeiro tempo, esse cenário até não era uma missão impossível…

Para se apurar para o Europeu de 2016, a selecção terá de ficar nos dois primeiros lugares do grupo ou ser a melhor terceira classificada. No entanto, com deslocações difíceis à Ucrânia e à Rússia e com a recepção à temível Hungria, as coisas não se afiguram fáceis.

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