

A Seleção Nacional de Andebol saiu do Europeu de 2026 de cabeça erguida, com a melhor prestação de sempre e com algo que nem sempre é fácil de conquistar em competições desta dimensão: respeito. Respeito dos adversários, dos adeptos da modalidade e de quem percebe o jogo para lá do resultado cru.
Portugal apresentou-se com uma identidade clara, um andebol moderno, intenso, inteligente nos dois lados do campo e, sobretudo, competitivo. Houve qualidade individual, houve organização coletiva e houve personalidade — aquela capacidade de olhar olhos nos olhos seleções historicamente mais fortes e jogar sem complexos. Esta equipa já não vai aos Europeus para aprender; vai para discutir jogos. A vitória frente à tetracampeã mundial Dinamarca foi o pináculo da prestação. Os Heróis do Mar foram os únicos na competição a derrotar a seleção campeã europeia 2026.
O único resultado verdadeiramente desnivelado ao longo do torneio surgiu frente à França e não pode ser explicado apenas pela qualidade do adversário. Portugal esteve abaixo do seu nível habitual, tanto no plano defensivo como ofensivo, permitiu demasiadas facilidades, revelou pouca agressividade na contenção e teve dificuldades em encontrar soluções no ataque organizado. Ao intervalo, o marcador já refletia esse desnível (28-15), uma diferença de 13 golos que expôs uma primeira parte claramente conseguida pelos franceses. A reação na segunda metade, que reduziu a desvantagem para um resultado final de 46-38, atenuou o impacto do desaire, mas não apaga uma exibição globalmente insuficiente para este patamar competitivo.
No entanto, em termos gerais, este Europeu deixa sinais muito positivos para o futuro. Há talento, há profundidade, há maturidade competitiva e há uma clara sensação de que esta geração ainda não atingiu o seu teto. O andebol português já não vive de surpresas ocasionais: vive de competência sustentada e a história continua no Mundial do próximo ano, presença garantida
Fica a eliminação, sim. Mas fica sobretudo a certeza de que Portugal pertence a este patamar. E que, com prestações assim, o próximo passo não é sonhar — é exigir ainda mais.

