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SL Benfica e Sporting CP defrontaram-se em jogo a contar para a terceira jornada do Campeonato Andebol 1. Um derby que se realizava numa fase ainda muito embrionária da temporada e por isso mesmo o resultado era ainda mais imprevisível. As equipas ainda se encontram em construção e vão certamente melhor bastante ao longo da temporada. Se do lado do SL Benfica Carlos Resende continua ao comando da equipa encarnada, no caso do Sporting Thierry Anti está ainda a dar os primeiros passos no comando técnico dos verde e brancos.

No que ao confronto direto diz respeito, vantagem para o Sporting. Num total de 45 jogos, 24 vitórias, 15 derrotas e 6 empates. Contudo, se tivermos em conta apenas os últimos 5 embates, vantagem para o SL Benfica: os encarnados ganharam três das últimas cinco partidas.

SUPERIORIDADE LEONINA NA PRIMEIRA PARTE

O Sporting entrou bastante bem e rapidamente se adiantou para uma vantagem de 3 golos. Por sua vez, os encarnados pareciam algo apáticos e mostravam algumas dificuldades em entrar na partida.

No entanto, após falhar um livre de sete metros e se encontrar a jogar em inferioridade numérica, o sporting começou a cometer alguns erros e a baixar a intensidade defensiva. Os encarnados igualavam assim o marcador. Nota positiva para o pivot do Benfica, René Toft Hansen,. Quando já estavam decorridos 10 minutos, o marcador registava uma igualdade a 5-5.

Neste jogo, e comparativamente com o que se passou na época passada, nota para a excelente prestação defensiva da equipa leonina. Um sistema defensivo com bastante agressividade ou, se preferirem, muita profundidade. Costuma dizer-se que os jogos de andebol começam a ganhar-se na defesa e não podia estar mais de acordo. Fruto do excelente trabalho defensivo, os verde e brancos saiam com bastante facilidade em ataques rápidos. Foram inúmeras as interceções conseguidas pela equipa leonina. No capítulo individual, destaque para Frankis Carol, Valentin Ghionea e Bingo. Desta forma, e com alguma naturalidade, o Sporting voltou a recuperar a vantagem de três golos.

Frankis Carol foi uma das principais figuras leoninas durante todo o encontro. O cubano tomou decisões acertadas em momentos decisivos
Fonte: FAP

Carlos Resende foi obrigado novamente a pedir um tempo técnico e desta vez, surtiu efeito. Os encarnados recuperaram dois dos cinco golos de atraso. Mas, mais uma vez, o jogo parecia estar sempre muito dependente da equipa leonina. Não retirando mérito aos encarnados, o resultado tornava-se mais equilibrado após decisões erradas dos jogadores leoninos no aspeto ofensivos.

CARLOS RESENDE MUDOU (E BEM) A PARTIDA

Na segunda parte, entrada forte por parte do SL Benfica. Os encarnados rapidamente reduziram a desvantagem para apenas dois.

Nesta fase menos positiva do Sporting, Cudic assumiu um papel de destaque. Defendeu um livre de sete metros e no um contra um frente a Pedro Seabra Marques evitou que o Benfica reduzisse a desvantagem.

Eis que, e perante a inferioridade dos encarnados, Carlos Resende decidiu alterar o rumo do jogo. O treinador português colocou a sua equipa a atacar 7-6. Confesso que não sou grande apologista deste tipo de prática. Contudo, por exemplo na época passada, foi utilizada com bastante sucesso pelo FC Porto.

Perante a inferioridade do SL Benfica, Carlos Resende alterou a estratégia e teve sucesso com a utilização do 7-6 encarnado
Fonte: FAP

Neste jogo, a verdade é que o SL Benfica conseguiu aproximar-se e obrigou mesmo Thierry Anti a pedir um desconto de tempo. O Sporting voltava a ser pouco esclarecido no processo ofensivo e não estava a saber lidar com o 7-6 encarnado.

Apesar disso, o Sporting continuava a cometer demasiadas faltas técnicas e não estava a saber lidar com o 7-6 do SL Benfica. Thierry Anti mostrava-se bastante desagradado com a prestação da sua equipa.

CONTROLO EMOCIONAL VALEU VITÓRIA LEONINA

A partida entrava agora numa fase de parada e resposta. Quando entravamos para os últimos 10 minutos, o equilíbrio era a nota dominante. Carol e Petar Djordjic iam destacando-se dos restantes e não tinham qualquer problema em assumir a responsabilidade nos momentos decisivos. O cubano levava acabaria por conseguir um total de sete golos e o sérvio de nove tentos certeiros.

Na fase final, valeu aos leões o maior controlo emocional. O jogo estava bastante equilibrado e, nestes momentos, esse fator é decisivo. Nos últimos minutos, Gonçalo Vieira marcou um golo espetacular e que se revelaria decisivo. O Sporting foi mais competente nesta fase final da partida e Tiago Rocha não tremeu após um passe primoroso de Carol.
Quando faltavam apenas 11 segundos e muito dificilmente o Sporting perderia esta partida, Nuno Grilo toma uma decisão menos feliz e Pedro Valdes consegue intercetar a bola e confirmar a vitória leonina.

Foi provavelmente um dos melhores jogos entre Sporting e Benfica dos últimos anos. Os encarnados mostraram maior competência do que em temporadas anteriores. René Toft Hansen e Petar Djordjic assumiram-se como verdadeiros reforços. Contudo, e até tendo em conta a alteração no comando técnico dos verde e brancos, não posso deixar de considerar o resultado justo. O Sporting foi durante mais tempo a melhor equipa, sobretudo na primeira parte. Uma menção honrosa para Carlos Resende que alterou com sucesso a estratégia da sua equipa para a segunda parte.

Como referi no início do artigo, estamos ainda numa fase muito embrionária da temporada. Contudo, esta vitória vale mais pelo ascendente emocional que pode trazer ao Sporting CP do que pela diferença pontual ganha.

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