Allyson Felix – Ainda haverá espaço para mais?

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A aposta nos 400 metros

A passagem para os 400 metros acabou por se dar de forma natural na carreira de Felix, após sugestão do seu técnico, o histórico – e com o seu grau de controvérsia – Bob Kersee. Com o passar do tempo, os 21.69, que tem como melhor pessoal (que permitiram alcançar o Ouro dos 200 metros em Londres), deixaram de ser uma possibilidade e, embora a atleta nunca tenha esquecido formalmente os 200 metros, a verdade é que não parece que já tenha a capacidade para alcançar tais marcas, sendo que nos últimos 5 anos apenas baixou uma única vez dos 22 segundos. Nos dois últimos grandes eventos globais (Jogos do Rio e Mundiais de Londres) até participou nos Trials norte-americanos, mas não conseguiu o apuramento na distância.

Dessa forma, foi com naturalidade que a maior aposta passou para os 400 metros, prova onde parecia existir um vazio norte-americano depois da saída de cena de Sanya Richards-Ross, devido às lesões que a apoquentaram e que viriam a forçar o seu abandono de carreira. A sua primeira grande aposta na distância começou em 2011 e nos Mundiais de Daegu, a atleta estrear-se-ia logo com uma medalha de Prata (em 49.59). Em 2012, acabou por preferir fazer os Trials nos 100 metros (como segunda prova, já que a principal aposta continuava a ser os 200), devido ao calendário dos Jogos de Londres. Nesses Olímpicos, viria a conquistar o seu único Ouro em Jogos Olímpicos até ao momento. 2013 foi um ano marcado por alguns problemas físicos e os Mundiais de Moscovo foram o primeiro evento global da carreira da atleta após os Jogos de Atenas, em 2004, em que a atleta não alcançou qualquer medalha.

Na final dos 200 metros, a atleta lesionou-se durante a prova e sairia em ombros, transportada pelo seu irmão
Fonte: Spikes IAAF

2015 foi o primeiro ano em que começámos a olhar para Allyson Felix mais como uma corredora de 400 metros. Nesse ano, a atleta afirmou que a sua prioridade seriam os 400 metros, a única prova que fez nos Trials norte-americanos para os Mundiais de Pequim, depois de perceber que o calendário dos campeonatos não permitiriam dobrar distâncias. Nesses Mundiais, alcançou o seu único Ouro global na distância da volta a pista, com o seu recorde pessoal de 49.26 segundos (com uma tal de Shaunae Miller-Uibo a mostrar já as garras no segundo lugar), tornando-se a primeira mulher da história a conquistar o Ouro em 200 e 400 metros em Campeonatos Mundiais.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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