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O último dia dos Mundiais – já sem portugueses – não atingiu os níveis das noites anteriores, mas deu-nos, ainda assim, emoção a rodos e marcas fantásticas. Se Fraser-Pryce, Felix e Liu já tinham provado que ser mãe não era um problema, Nia Ali fez questão de mostrar que ser duas vezes também não o é, batendo as favoritas nas barreiras, com a 2.ª melhor marca de sempre em campeonatos mundiais!

Malaika Mihambo fez um enorme salto no Comprimento, conseguindo a maior margem da história face à 2.ª classificada (3.º maior salto na história de Mundiais), enquanto que Cheruiyot e Cheptegei voltaram a mostrar que os africanos continuam a mandar totalmente na meia e longa distância. Houve uma enorme surpresa no Dardo e as estafetas encerraram a noite, com a (esperada) dupla vitória norte-americana.

AS FINAIS DE HOJE

Nas provas de corrida, a final da noite foram os 100 metros barreiras. Nia Ali (USA) surpreendeu as grandes favoritas Danielle Williams (JAM) – a líder do ano – e Kendra Harrison – a recordista mundial – e conquistou o primeiro Ouro global ao ar livre. A norte-americana bateu mais um recorde pessoal (já o tinha feito hoje nas semifinais), correndo a distância em 12.34 segundos. Ali iguala a 2.ª melhor marca de sempre em Mundiais. No Rio, a norte-americana tinha sido Prata e, três anos depois, já depois do nascimento do seu 2.º filho (a filha Yuri nasceu em 2018, fruto da sua atual relação com o velocista Andre de Grasse), sobe ao topo do mundo (em pista coberta já tinha dois Ouros nos 60 barreiras), comprovando que ser mãe parece ser a melhor receita para as velocistas!

A Prata foi para Kendra Harrison (USA), que ainda não é desta que consegue o seu Ouro global ao ar livre (venceu os 60 barreiras, em Birmingham, em pista coberta), mas que, ainda assim, consegue a sua primeira medalha ao ar livre, correndo em 12.46 segundos, apesar de falhas cruciais na transposição de algumas barreiras. A medalha de Bronze foi para Danielle Williams (JAM) – a grande favorita – que partiu muito mal, tropeçou ainda na 4.ª barreira e nunca conseguiu entrar na discussão da vitória. Williams foi por cinco vezes mais rápida neste ano, incluindo a marca líder mundial, mas em Doha fechou em 12.47 segundos. Tobi Amusan (NGR) correu em 12.49 segundos, mas tal não chegou para entrar no pódio nestes Mundiais.

Os 1.500 metros masculinos foram a primeira final da noite e os quenianos, desde cedo, assumiram o comando da prova e a um bom ritmo. Timothy Cheruiyot (KEN) nunca quis passar confiança a ninguém e quando percebeu que teria que assumir sozinho os ritmos altos, fê-lo sem qualquer hesitação. Terminou isolado, confirmando o favoritismo, em 3:29.26, conquistando o seu primeiro grande título global, para delírio dos muitos quenianos presentes no estádio.

O 1.º título global de Cheruiyot
Fonte: IAAF

O outro queniano – Kwemoi – não aguentou o ritmo alto de Cheuiyot e ficou para trás, sendo que Taoufik Makhloufi (ALG) correu para a Prata, com a sua melhor marca do ano (3:31.38). A medalha de Bronze foi para Marcin Lewandowski (POL), um atleta que conhece bem Portugal, que terminou em 3:31.46, um novo recorde nacional polaco, batendo Jakob Ingebrigtsen (que foi 4.º), num novo duelo que ainda poderá contribuir mais para alimentar a rivalidade que existe entre o polaco e o “clã” Ingebrigtsen.

Na final muito tática dos 10.000 metros, o grupo da frente chegou a ter nove atletas ainda à entrada para os últimos 800 metros, mas a partir daí é que tudo se decidia e Joshua Cheptegei (UGA) deu uma sapatada na prova. Cheptegei ainda teve oposição de Yomif Kejelcha (ETH), mas, tal como na final dos 5.000 da Diamond League, o ugandês voltou a vencer, com uma ponta final bastante forte, em 26:48.36, marca líder do ano. Cheptegei, de 23 anos, sobe assim uma posição em relação ao que fez nos Mundiais de Londres na mesma distância, alcançando o seu primeiro título global em pista, num ano em que também foi campeão mundial de Corta-Mato.

Um ano em cheio para Cheptegei
Fonte: IAAF

A Prata foi para Yomif Kejelcha (ETH), que correu em 26:49.34, um novo recorde pessoal na sua primeira medalha global ao ar livre (é bicampeão mundial dos 3.000 em pista coberta). A fechar o pódio ficou Rhonex Kipruto (KEN) a poucos dias de completar os 20 anos, naquela que é a sua primeira medalha global como sénior, depois do título júnior do ano passado.

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