O 3.º dia dos Mundiais não desiludiu a nível de resultados, com uma enorme final de 100 metros feminina, com emoção a rodos no Triplo masculino e com um concurso de Vara de alto nível, que trouxe coisas novas… e outras que parecem mais um deja-vu. A nível nacional, no triplo salto Pedro Pablo Pichardo não alcançou a medalha que os portugueses desejavam e o próprio ambicionava.

OS PORTUGUESES ENVOLVIDOS

Pichardo foi o melhor 4.º classificado de sempre, mas não era isso que pretendia
Fonte: FPA

No estádio, o único português a competir no 3.º dia dos Mundiais de Doha era Pedro Pablo Pichardo no Triplo Salto, que lutava pelo Ouro (como o próprio várias vezes afirmou). Sendo um dos favoritos juntamente com os norte-americanos Christian Taylor e Will Claye – todos eles integrantes do clube dos 18 metros.

Will Claye (USA) – o atleta com a melhor marca do ano – deu o mote com um forte primeiro salto a 17.61m, marca que viria a melhorar no 2º ensaio para 17.72m e, mais tarde, ao atingir duas vezes a marca de 17.74 metros. Christian Taylor (USA) – o campeão olímpico e mundial –  parecia estar com dificuldades em encontrar o seu salto, com dois nulos. Aí, ao 3.° salto, foi cauteloso ao deixar uma grande distância da tábua, mas mesmo assim, saltando a 17.42 metros, o que certamente lhe deu confiança. Ao 4.° ensaio melhorou para 17.86 e depois ainda aumentou para 17.92 metros, arrumando de vez com o concurso, conquistando o 4.° Ouro em Mundiais.

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Christian Taylor volta ao topo do mundo
Fonte: IAAF

Pedro Pichardo melhorou para 17.62 ao quarto ensaio, salto que manteve como melhor até ao final, mas não esperava que Hugues Fabrice Zango (BUR) saltasse na 6.ª e última tentativa a 17.66 metros – um novo recorde africano – que retirou Pichardo de qualquer medalha. Pichardo ainda tentou, mas a sua última tentativa foi já fraca tecnicamente, chegando apenas aos 17 metros. O atleta do SL Benfica tem como consolação o facto de ter sido o homem que mais saltou na história de Mundiais a não alcançar qualquer medalha (o melhor 4.º lugar de sempre), que de pouco valerá ao atleta, tendo em conta as expectativas que trazia.

No final, o português confessou-se “muito desiludido” e disse que sempre tentou um salto “para o Ouro e não apenas para alcançar medalha”. Pichardo afirmou ainda que pensa que teve uma falha na abordagem técnica aos seus saltos e que isso poderá ter condicionado um salto maior. Agora só pensa em descansar para depois preparar em força os Jogos de Tóquio.

Ana Cabecinha participou nos 20 km Marcha, mais tarde, na Corniche de Doha e terminou no 9.º lugar, com um tempo de 1:36:31.

Ana Cabecinha e o seu treinador Paulo Murta
Fonte: FPA

A atleta fez uma prova inteligente, sem entrar em euforias e consegue sair de Doha com um resultado que a deixa “muito satisfeita”, dadas as “condições” em Doha e tendo em conta que este ano não trazia uma “grande marca” em comparação com outras atletas que ficaram atrás de si.

A vitória na prova foi para Hong Liu em 1:32:53, a Prata para Shenjie Quieyang em 1:33:10 e o Bronze foi para Liujing Yang em 1:33:17, completando um pódio totalmente chinês!

AS (OUTRAS) FINAIS DE HOJE

Fraser-Pryce volta ao topo
Fonte: IAAF

Na prova de 100 metros femininos, as atletas que haviam deixado melhores indicações nas meias-finais, abaixo dos 11 segundos, tinham sido Marie-Josée Ta Lou (CIV), Dina Asher-Smith (GBR) e Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM), que voltou a ser mais rápida desta ronda (10.81, depois dos 10.80 nas eliminatórias). A final confirmou isso mesmo.

Quando o tiro de partida foi dado, Shelly-Ann Fraser-Pryce disparou como uma flecha e manteve-se bastante forte durante todos os 100 metros para conquistar o seu 4.° Ouro neste evento em Mundiais, com a melhor marca mundial do ano – 10.71 segundos. Este tem um sabor especial, pois, como se sabe, após os Jogos do Rio, a atleta teve uma longa paragem, altura em que foi mãe do seu primeiro filho, Zion. Regressou a meio da temporada passada e agora alcançou mais um título mundial a roçar o seu recorde pessoal (10.70).

No segundo lugar, Dina Asher-Smith correu em 10.83 segundos para um novo recorde nacional britânico e a sua primeira medalha global, enquanto que a fechar o pódio, mais uma medalha para Ta Lou (CIV), em 10.90. No 4.º lugar, Elaine Thompson (JAM) – que é ainda a campeã olímpica – não conseguia esconder o desapontamento e na zona mista até as lágrimas vieram aos olhos da jamaicana, que tem passado por alguns problemas físicos e que já em 2017 havia falhado as medalhas.