Já não há dúvidas. Se a nível organizativos, foram uns campeonatos longe da perfeição; a nível de resultados nas provas de estádio, estes Mundiais terão lugar na história entre os melhores. E, curiosamente, isso também se deve a aspetos organizativos, uma vez que a temperatura e vento controlado do estádio, permitem condições excelentes para a prática do atletismo.

Hoje, Sifan Hassan (HOL) fez história ao ser a primeira atleta a conquistar a dobradinha de 1.500 e 10.000 em Campeonatos Mundiais e fê-lo com uma marca estupenda, que é recorde dos campeonatos e também recorde europeu. No que também poderia ser o nosso maior destaque, o Lançamento do Peso esteve a um nível nunca antes visto, sendo que três homens fizeram marcas acima do anterior recorde dos campeonatos… todos separados por um centímetro!

Yulimar Rojas (VEN) mostrou, uma vez mais, que tem tudo para bater o recorde mundial no Triplo, enquanto que Hellen Obiri (KEN) também quebrou o recorde dos campeonatos com uma ponta final demolidora nos 5.000 metros. Por fim, as estafetas fecharam em grande, com direito a vários recordes de área – a surpresas e drama. Quanto aos portugueses, terminou hoje a nossa participação em Doha, com a finalista Patrícia Mamona na prova do Triplo Salto.

Mamona teve a sua melhor participação em Mundiais
Fonte: FPA

AS FINAIS DE HOJE

Anúncio Publicitário

A final do Triplo era a que tinha interesse nacional, com a presença de Patrícia Mamona, final que era a última presença portuguesa nos Mundiais de Doha. A portuguesa entrou bem no concurso, com um salto a 14.40 metros, que lhe possibilitou um lugar nas oito finalistas, com direito a mais três saltos. Infelizmente, a partir daí, a portuguesa não mais conseguiu sequer chegar a esses níveis, sendo que a marca foi o suficiente para o 8.º lugar entre as melhores do mundo.

Lá na frente, a questão, desde cedo, ficou resolvida por Yulimar Rojas (VEN). A venezuelana mostrou, mais uma vez, que, neste momento, não tem qualquer rival e que tem tudo para dominar durante muitos anos a disciplina. Ao 2.º salto, voou para 15.37 metros, ameaçando, mais uma vez, o recorde mundial da disciplina.

A Prata foi para Shanieka Ricketts (JAM) que colocou, assim, a cereja no topo do bolo na que foi uma impressionante época da jamaicana, que hoje terminou com 14.92 metros. A completar, o pódio, com o Bronze ficou Caterine Ibarguen (COL), que esteve longe dos seus melhores dias, mas que ainda assim entrou nas medalhas, com uma marca de 14.73 metros.

No final, Patrícia Mamona afirmou que ficou “satisfeita por ter feito melhor do que nos últimos Mundiais”, reconhecendo vinha com “ambição de bater o recorde nacional”, mas que, hoje, o corpo não permitiu ir além dos 14.40.

Nos 1.500 metros, Sifan Hassan (HOL) puxou desde cedo na prova, obrigando Faith Kipyegon (KEN) e Laura Muir (GBR), as outras maiores candidatas ao Ouro, a fazer o tipo de prova que não gostam. Muitos pensaram que Hassan estava a testar as suas companheiras, mas a verdade é que a holandesa ainda aumentou o ritmo, principalmente, na última volta, correndo praticamente sozinha para uma impressionante marca de 3:51.95, um novo recorde dos Campeonatos, um novo recorde europeu, apenas atrás das chinesas (marcas que muitos colocam em causa ao nível da legitimidade das mesmas) e da recordista mundial, Genzebe Dibaba (que correu em 3:50.07 em 2015, no Mónaco).

É o segundo Ouro de Sifan Hassan, nestes Mundiais, depois de ter também vencido a final dos 10.000 metros, sendo a primeira atleta na história a completar esta dobradinha e mostrando que as polémicas em redor do seu treinador – que foi suspenso por quatro anos por violações do código antidoping – não a afetaram.

O 2.º lugar foi para a campeã mundial de 2017, Faith Kipyegon (KEN), que só pode sair satisfeita com a sua marca, uma vez que correu em 3:54.22, um novo recorde nacional queniano. O 3.º lugar foi para Gudaf Tsegay (ETH), que terminou em 3:54.38, um novo recorde pessoal. 8 mulheres correram abaixo de 3:59 e também foi batido o recorde nacional do Canadá e o recorde da América do Norte e Central (Shelby Houlihan correu em incríveis 3:54.99 no 4.º lugar…).

Na prova de 5.000 metros, grande demonstração de força de Hellen Obiri (KEN), que renovou o seu título mundial, com uma volta final demolidora, terminando em 14:26.72, novo recorde dos Campeonatos Mundiais.

Numa prova que foi também bastante tática – como devem ser finais de longa distância em pista -, a queniana destruiu por completo as etíopes e a concorrência de Konstanze Klosterhalfen (GER), que até pareceu, por momentos, que poderia responder ao ataque da queniana, mas que não foi capaz de a acompanhar naquilo que foi um sprint de 400 metros. Ainda assim, a alemã terminou forte, em 14:28.43, tendo conquistado a medalha de Bronze, pois foi alcançada já nos 100 metros finais por Margaret Kipkemboi (KEN), que aos 26 anos, alcança a sua primeira medalha global da carreira. Foi uma prova, na generalidade, bastante rápida, com 11 atletas a bater os seus recordes pessoais na distância.

1
2
Artigo anteriorSL Benfica 29-28 RK Dubrava: Eliminatória em aberto
Próximo artigoAs 5 melhores modalidades de pavilhão masculinas do SL Benfica
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.