Há algo que o rapaz não faça?

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A versatilidade

Por vezes ouvimos falar de atletas capazes de fazer com qualidade várias disciplinas, mas raramente associamos isso a marcas do topo da elite em todas as disciplinas em que competem. Tal parece mudar com o jovem norte-americano que, para todo o lado onde vai, carrega e mostra as suas raízes de South Chesapeake com orgulho. Nos últimos dois anos, sagrou-se campeão universitário na distância dos 110 metros com barreiras, naquela que pode ser apontada como a sua maior especialidade e onde espera seguir as pisadas de outros grandes talentos norte-americanos que fizeram história na disciplina, como é o caso do atual recordista mundial, Aries Merritt. Nessa disciplina e, quando ainda tinha apenas 20 anos, Grant correu no ano passado em 13.15 (+0.9), marca que o colocou como o norte-americano mais rápido em 2018 nessa distância e o 4º em todo o mundo, tornando-se também no segundo mais rápido de sempre do desporto universitário.

Também na distância mais curta com barreiras indoor (os 60 metros) correu em impressionantes 7.42 segundos (recorde universitário), marca que foi a mais rápida de todo o ano de 2018 – Holloway viria a não participar nos Mundiais de Pista Coberta devido aos compromissos universitários.

Este ano, Holloway já mostrou mais da sua qualidade e da sua velocidade sem barreiras. Começou o ano a correr os 200 metros em pista coberta em 20.69 (um novo recorde pessoal) – não há registos da distância no perfil da IAAF desde 2014 – e ainda mais impressionantes foram os 6.51 nos 60 metros neste último sábado em Fayeteville, a marca mais rápida na velocidade curta neste início de temporada em todo o mundo. Também nas distâncias mais longas, Grant já mostrou o seu valor, fazendo parte da estafeta 4×400 que venceu os Universitários em 2017, ao correr o percurso final em 43.89!

E agora perguntam-se “será que ele também salta”? Oh se salta! No ano passado, um dia antes do enorme recorde pessoal nos 110 metros com barreiras, em Knoxville, o jovem-prodígio saltou 8.17 metros (+0.6) legais no Salto em Comprimento e 8.32 com vento favorável (+2.9), o que demonstra que também no Comprimento já atinge níveis de elite (em pista coberta, tem um melhor pessoal de 8.13, também do ano passado). Nesse fim-de-semana, o jovem alcançou mesmo o que nunca alguém tinha alcançado, ao tornar-se no primeiro atleta da história a baixar dos 13.20 nos 110 barreiras e a saltar mais do que 8.10 metros no Comprimento – feito semelhante ao que já tinha alcançado uns meses antes em pista coberta, ao tornar-se no primeiro da história a baixar dos 7.50 nos 60 metros com barreiras e a saltar mais do que 8 metros no Comprimento.

No que concerne ao Salto em Altura, Grant não o faz desde 2015, mas os 2.15 metros que saltou em 2014, quando ainda tinha 16 anos, demonstram que o seu potencial é quase inesgotável! Falta saber o que vale nos lançamentos, mas será que queremos mesmo apostar contra ele?

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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