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Cabeçalho modalidadesAtravés da rubrica “Lendas do Atletismo” iremos revisitar alguns dos nomes maiores do nosso desporto, dando a conhecer também aos mais novos aqueles atletas que devem ser imortalizados e nunca esquecidos.

Começamos por falar de um nome por demais conhecido das gerações de 80/90: Gail Devers! Confesso que a atleta é uma das primeiras recordações que eu tenho do Track & Field. Ainda em criança, acompanhava pela televisão os grandes eventos e numa dessas ocasiões, sentado ao lado do meu pai, não consegui esconder o espanto (ou até o medo!) por aquela mulher de expressão séria e com umas enormes unhas, compridas até ao ponto de enrolarem. No final, venceu. Eu sabia que ela iria vencer assim que a vi. Se é verdade que as unhas sempre foram uma das imagens de marca de Devers enquanto atleta, esta deve ser recordada sobretudo por ter sido uma das mais extraordinárias atletas da história, tendo enfrentado um percurso que jogou muitos obstáculos contra si.

As unhas eram uma das imagens de marca Fonte: Macrumors
As unhas eram uma das imagens de marca
Fonte: Macrumors

Recuemos então até ao início da carreira da atleta de Seattle. Desde cedo, começou a destacar-se no Atletismo, sendo que a especialidade na escola secundária eram os 800 metros, a meia distância. Quando chegou à universidade, nomeadamente a UCLA, conheceu Bob Kersee, treinador-estrela do desporto norte-americano e do Atletismo em geral e que a incentivou para as distâncias mais curtas. Cedo começou a vencer, também, nas provas mais rápidas de distância curta (nos 60 e nos 100 metros, com e sem barreiras), chegando inclusive a bater o recorde nacional dos 100 metros com barreiras quando ainda era estudante universitária e foi com naturalidade que, aos 21 anos, viu carimbado o seu apuramento para os Jogos Olímpicos de Seul 88 nos 100 metros barreiras. No entanto, ainda antes da competição, a atleta começou a apresentar várias queixas de tonturas, queda de cabelo, perda de visão, perda de peso drástica, perda de memória e extremo cansaço, o que se viria a agravar no decorrer do ano, não tendo Devers passado das meias-finais da competição.

Em 1990, dois anos depois dos sintomas aparecerem em força, a atleta viria finalmente a ser diagnosticada com a chamada “Doença de Graves” – uma doença autoimune que afecta a tiroide. A situação de Devers chegou a ser tão delicada que, devido ao agravamento da doença e à formação de coágulos de grande dimensão, os médicos chegaram a ponderar a amputação de ambos os pés, no decorrer de uma má reacção ao tratamento com radiação. Na verdade, a atleta recorda que em Fevereiro de 1991 foi internada de urgência no hospital para que o seu pé esquerdo fosse amputado. Num emocionante depoimento – que pode ser consultado neste artigo do The Guardian Gail Devers: ‘A girl asked what was wrong with me. She said I looked like a monster’  – a mesma relembra o sofrimento que passou e a sua condição que fazia com que parecesse “um monstro”. Em determinadas alturas, Gail Devers não era sequer capaz de caminhar, tendo que se arrastar para fazer pequenas distâncias, como da cama para a casa de banho. Subitamente e com a ajuda de um diferente tratamento, Devers começou a melhorar significativamente da sua condição e até retomou os treinos pouco mais de um mês depois do sucedido e dois anos e meio depois de ter parado de treinar e competir. Em Agosto do mesmo ano, Devers viria a conquistar a medalha de Prata nos Mundiais de Tóquio, na distância curta com barreiras.

Um ano depois, em 1992, partindo da linha dois, a atleta viria a conquistar a medalha de Ouro nos 100 metros dos Jogos Olímpicos de Barcelona – algo ainda mais surpreendente porque a mesma era vista mais como uma “barreirista” e não era favorita no hectómetro sem barreiras. A chegada à meta dessa final foi do mais emocionante que o nosso desporto alguma vez viu, sendo que a decisão apenas foi tomada após a consulta do photo finish, com 5 atletas separadas por apenas 0.06 segundos! Vejam o video abaixo, que com certeza não darão o tempo por perdido:

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.