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Marta Pen agarrou a oportunidade em Birmingham

Pedro Pires · 9 min

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Há uma semana atrás, em Berlim, no final da prova dos 1500 metros, Marta Pen falava-nos da importância de poder vir a participar em eventos Diamond League. Passado poucos dias, a oportunidade surgiu e Marta Pen agarrou-se a ela como pôde, levando um excelente resultado de Birmingham. Correu os 1500 metros em 4:03.99, baixando pela primeira vez dos 4:04, cimentando a sua posição como a segunda melhor portuguesa da história da distância, apenas atrás da grande Carla Sacramento. Antes desta temporada, o melhor pessoal da atleta portuguesa era de 4:05.71, o que permite perceber a fantástica evolução que teve num ano em que bateu recordes pessoais dos 400 aos 3000 metros. 

Na prova, a atleta do Benfica voltou a demonstrar a coragem que já havia tido em Berlim, não se deixando intimidar pelo forte field que participava na prova da cidade inglesa, relembrando que todas as suas adversárias tinham um recorde pessoal melhor que o dela à entrada para esta prova. Com tempos de passagem impressionantes, a 400 metros em 1:05.4 e a 800 metros em 2:10.9, havia a dúvida se Marta Pen iria ter capacidade de aguentar a ponta final da prova, mas a verdade é que bateu-se bem até ao final e viria a terminar forte, colada inclusive a uma queniana bastante habituada a estas andanças, Winny Chebet. 

Em declarações no final, a atleta revelou-se satisfeita com a sua prestação, considerando que havia mostrado que a oportunidade tinha sido merecida, visivelmente feliz com o seu novo recorde pessoal. As declarações completas na zona mista podem ser encontradas aqui no Planeta do Atletismo.

A prova, essa, viria a ser ganha, sem surpresa, por Sifan Hassan, num tempo de 4:00.60. Pensava-se que iria cair para um tempo abaixo dos 4 minutos, mas mesmo Hassan não conseguiu manter o forte ritmo na parte final da prova. Uma curiosidade: quando todas provas terminaram, passado quase duas horas da prova de 1500 metros, a holandesa voltou à pista para treinar! No segundo lugar, a etíope Gudaf Tsegay correu em 4:01.03 e no terceiro lugar a polaca Sofia Ennaoui em 4:02.06.

Sifan Hassan venceu, tal como esperado
Fonte: IAAF

Outras finais: 

100 metros (M): Era uma das provas mais aguardadas da tarde e as emoções começaram cedo, antes ainda da transmissão televisiva, com a realização de meias-finais. A primeira série trouxe, desde logo, algumas dúvidas se Noah Lyles conseguiria estar ao nível que vinha apresentando ao longo da época. Demorou bastante a sair dos blocos e da fase de aceleração, apurando-se diretamente para a final apenas na terceira posição em 10.11 (+0.1), numa série ganha por Akani Simbine em 10.07. Na segunda série, Christian Coleman partiu bastante bem – como é hábito – e controlou a prova, nem sequer dando tudo até ao final e terminando em 10.01 (+0.9), com Yohan Blake bastante próximo em 10.03. Na final, as boas indicações de Christian Coleman mantiveram-se e correu forte em 9.93 (-0.5) segundos para conquistar a vitória no photo finish, com uma chegada apertadíssima a par do britânico Reece Prescod. Com uma decisão ao milésimo de segundo, o britânico apertou Coleman ao correr num novo recorde pessoal, demonstrando, mais uma vez, uma impressionante fase final da prova. 

No terceiro lugar, Noah Lyles correu em 9.98, depois de ter sido o mais rápido a reagir nos blocos, o que não quer dizer que tenha tido uma boa partida, antes pelo contrário. Esteve tão fora da prova, que no final até disse que pensava que tinha sido último! No quarto lugar, Yohan Blake também baixou dos 10 segundos, em 9.99. 

400 metros (M): Não é habitual, nos dias que correm, vermos um evento da Diamond League ser ganho em 45.54, mas pode-se dar o desconto por ser uma prova que não contava para a classificação da Liga Diamante. Ainda assim, havia nomes em prova habituados a correr na casa dos 44, e em alguns casos até na casa dos 43 segundos. Fred Kerley venceu a prova, parecendo fazer apenas o mínimo para garantir a vitória na frente do atleta da casa – e novo campeão europeu – Matthew Hudson-Smith, que correu em 45.59, gorando mais uma tentativa de recorde nacional, um dos objetivos traçados para esta época.

800 metros (M): Sabíamos que ia ser uma prova rápida e Emmanuel Korir não fez por menos. O queniano mostrou mais uma vez estar num grande momento de forma e voltou a correr em 1:42, mostrando em 2018 que irá a 2019 para atacar o título mundial, independentemente da estrela do país, David Rudisha, estar presente ou não. Com uma estratégia da prova um pouco na expetativa, mas em boa posição para os metros finais, Korir apenas se preocupou em assumir a primeira posição da prova a sensivelmente 100 metros do final, quando ultrapassou o seu compatriota Jonathan Kitilit (1:43.53) e bateu o recorde do meeting de Birmingham. O queniano tem agora dois dos três melhores tempos desta temporada. Destaque ainda para o terceiro lugar e novo recorde pessoal do também queniano Elijah Manangoi, em 1:44.15, ele que é o campeão mundial mas da distância dos 1500 metros. 

1 milha (M): Era um evento que não contava para a Liga Diamante e que terminou com os dois primeiros lugares a serem divididos por australianos: Stewart McSweyn em 3:54.60, com um novo recorde pessoal e Ryan Gregson em 3:55.10. No terceiro lugar, o norte-americano Paul Chelimo terminou em 3:55.96, também ele com recorde pessoal na milha. 

110 metros barreiras (M): Orlando Ortega correu em 13.08 (+1.3), um tempo que o coloca como o segundo atleta mais rápido em 2018. Certamente que o espanhol teria desejado um tempo semelhante em Berlim há uma semana – onde foi 3º em 13.34 – pois a marca chegaria para ser campeão europeu, mas não há duas provas iguais e correr uma final de um campeonato não é o mesmo que correr uma prova Diamond League. No segundo lugar, Ronald Levy percorreu a distância em 13.22 e o campeão europeu, Pascal Martinot-Lagarde apenas chegou na terceira posição em 13.27!

3000 metros obstáculos (M): Foi uma prova corrida de forma cautelosa e com um tempo mais lento do que se poderia esperar, mas com o regresso de Conseslus Kipruto às vitórias! O campeão olímpico e mundial correu em em 8:14.33, aproveitando também a ausência de El Bakkali, que não compareceu em Birmingham. Kipruto apenas assumiu a liderança da prova na última volta e até chegou a ter contacto físico com um dos rivais em prova no último fosso de água, mas conseguiu mesmo triunfar. O etíope Chala Beyo foi segundo, bem próximo, em 8:14.61 e em terceiro lugar ficou o queniano Kiptanui Bett, que correu em 8:16.44. 

Salto em Comprimento (M): Luvo Manyonga era o claro favorito e não desapontou. Mais um salto na casa dos 8.5, desta vez 8.53 metros (+1.5), um novo recorde do meeting de Birmingham, num concurso em que não teve qualquer concorrência, com o segundo lugar – Tajay Gayle – a terminar a 36 centímetros!

A prova ficou ainda marcada pela despedida de Greg Rutherford de Birmingham, na sua última época como atleta, depois do recente calvário de lesões. Uma carreira recheada de sucessos para o britânico, que venceu ao ar livre tudo aquilo que poderia conquistar – Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus. 

Salto em Altura (M): Enorme surpresa ao ver o campeão europeu, Mateusz Przybylko ficar-se pelos 2.20 metros (e à terceira tentativa), claramente com a cabeça ainda em Berlim. A vitória foi para o australiano Brandon Starc num novo recorde pessoal, ao saltar 2.33 metros. O canadiano Michael Mason e o norte-americano Jeron Robinson passaram ambos a 2.30 metros, na segunda e terceira posição.

Lançamento do Dardo (M): Também aqui o campeão europeu “não esteve” em Birmingham. Thomas Rohler lançou a 84.33 metros, lançamento que apenas lhe chegou para ser quarto, atrás de Magnus Kirt que lançou 85.31 metros. Na segunda posição, o alemão Julian Weber com o melhor da temporada em 86.63 e no primeiro lugar, o campeão alemão, Andreas Hofmann que lançou o engenho a 89.82 metros no segundo lançamento, marca que lhe teria chegado para ser campeão europeu há uma semana! 

200 metros (F): Era provavelmente a prova mais esperada da tarde, mas ainda que tenha sido batido o recorde do meeting, esperava-se um pouquinho mais a nível de marcas. Dafne Schippers teve um fortíssimo arranque a aguentou a sua posição até sensivelmente 70 metros do final. No entanto, a holandesa voltou a ter problemas onde não nos habituou, na parte final da prova, terminando em terceiro, com um tempo de 22.41 segundos (+0.4). A britânica Dina Asher-Smith sentiu algum cansaço, provavelmente decorrente do triplo Ouro de Berlim, mas ainda assim conseguiu terminar na segunda posição em 22.31 segundos. No primeiro lugar, a grande favorita e imbatível em 2018, Shaunae Miller-Uibo, com uma primeira metade da prova bastante cautelosa, mas a terminar forte em 22.15, mostrando que neste momento é a rainha dos 200 e 400 metros. 

1000 metros (F): Numa distância pouco corrida, Laura Muir vinha com intenção de bater o recorde nacional britânico, mas tal não foi possível, vencendo, ainda assim, a prova com uma marca de 2:33.92. Renelle Lamote da França terminou em 2:34.48 e a britânica Adelle Tracey correu a distância em 2:34.59 no terceiro lugar. 

3000 metros (f): Todas as 3 primeiras posições foram para atletas do Quénia. As 3 atletas andaram sempre na frente da prova, sendo que a única dúvida era como ficariam ordenadas na classificação final. Agnes Tirop (que correu em 8:32.21) e Lilian Rengeruk (8:33.43) já eram as melhores da temporada e assumiram mesmo esse estatuto perante a campeã mundial dos 5.000 metros, Hellen Obiri, que ainda assim fez o melhor tempo da época nesta distância, ao terminar em 8:36.26. 

400 barreiras (F): Com a ausência inesperada de Shamier Little, a jamaicana Janieve Russell assumia o total favoritismo, mas não foi capaz de mostrá-lo em pista, tendo provavelmente confiado em demasia na sua ponta final. Foi segunda em 54.91 e viu a campeã europeia Léa Sprunger levar a vitória em 54.86 segundos! A norte-americana Georganne Moline, que também era uma das candidatas, ficou presa aos blocos e daí não passou. 

100 metros barreiras (F): Não era um evento Diamond League e começou azarado. Primeiro, com a falsa partida da belga Eline Berings e depois com o forte embate na barreira e consequente queda da jamaicana Yanique Thompson. A vitória foi para a germânica Pamela Dutkiewicz em 12.84, com o segundo lugar a pertencer à sua compatriota Cindy Roleder em 12.96 e no terceiro lugar a holandesa Nadine Visser com 13.07. 

Salto com Vara (f): Uma competição bastante prejudicada pelo inconstante vento que se fazia sentir na cidade inglesa, com resultados que não fazem jus à competição nem à qualidade das atletas em prova. A norte-americana Sandi Morris foi a vencedora com o melhor salto a ser de 5.62 metros, sendo que a grega Katerina Stefanidi ficou-se pelos 5.52 metros e depois 4 atletas na casa dos 5.40 metros e 3 atletas sem marca! 

Salto em Comprimento (f): Um dos melhores concursos da tarde, com a campeã europeia, a alemã Malaika Mihambo, a apresentar-se em grande forma e a conseguir, no último ensaio, o seu melhor salto, com 6.96 metros, um novo recorde do meeting. A colombiana, especialista no Triplo, Caterine Ibarguen foi segunda com 6.80 metros ao quarto ensaio e a britânica Shara Proctor foi terceira ao saltar 6.70 metros na última tentativa, ultrapassando por um centímetro Lorraine Ugen. 

Lançamento do Peso (f): Um lançamento de 18.20 metros foi suficiente para dar, desta vez, a vitória à germânica Christina Schwanitz, com a campeã europeia Paulina Guba a ficar no segundo posto com apenas 17.92 metros. A holandesa Melissa Boekelman fechou na terceira posição, com 17.78 metros. 

Foto de Capa: FPA

Pedro Pires

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