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No primeiro dia com finais, tivemos já uma medalha para Portugal e logo um Ouro! Inês Henriques juntou o título europeu ao título mundial nos 50 km Marcha num dia de muito calor (os termómetros ultrapassavam os 30 graus já à hora da Marcha) que condicionou em muito os tempos obtidos. A atleta portuguesa voltou a provar estar um passo à frente da concorrência e dominou desde o início uma prova em que chegou a ter parciais bem abaixo do recorde mundial, marca que a atleta tentou bater, mas que não foi possível devido às difíceis condições da prova da capital germânica, terminando a distância em 4:09:21. Ainda assim, o grande objectivo de Inês Henriques foi conseguido e tornou-se na primeira atleta da história a tornar-se campeã europeia desta distância. 

Inês Henriques faz soar "A Portuguesa" em Berlim

A medalha de Ouro e o Hino de Portugal.

Publicado por Federação Portuguesa de Atletismo em Terça-feira, 7 de Agosto de 2018

A entrega da medalha de Ouro a Inês Henriques

Em declarações no final da prova, Inês Henriques reconheceu que o aumento da temperatura ao longo da prova – com reflexos na sua condição física – tornou impossível essa marca de recorde mundial e que teve dificuldades em gerir o ritmo ao longo da distância. A atleta deixou ainda o desejo de ver os 50 km Marcha no feminino fazer parte do programa dos Jogos Olímpicos já em Tóquio. Mais um enorme feito da atleta portuguesa de 38 anos que em boa hora decidiu apostar nesta distância. Fecharam o pódio a ucraniana Alina Tsviliy em distantes 4:12.44 (recorde nacional ucraniano) e a espanhola Julia Takács (4:15:22).

Mas a manhã deste dia não se resumiu à fantástica prestação de Inês Henriques. Também Ricardo dos Santos mostrou o melhor de si e, de forma algo surpreendente, bateu, mais uma vez, o recorde nacional dos 400 metros, suplantando a marca que tinha obtido há quatro anos em Zurique. 

Ricardo dos Santos voltou a bater o recorde nacional dos 400!
Fonte: FPA

Foi nas eliminatórias dos 400 metros, que correndo numa série rápida vencida por Kevin Borlée (em 45.29), Ricardo dos Santos correu o mais rápido que alguma vez um atleta português correu a distância, completando a mesma em 45.55 segundos, batendo por larga margem o seu anterior recorde que era de 45.74 segundos! A excelente temporada de Ricardo dos Santos continua e o atleta confessou que até desacelerou um pouquinho perto do final quando percebeu que estava no grupo de atletas com qualificação direta! 

Nas outras provas da manhã, pouca sorte para os atletas masculinos nos 50km Marcha, com visíveis complicações físicas para João Vieira que foi obrigado a abandonar a prova e para Pedro Isidro, que terminou a mesma com bastantes dificuldades ao nível do cansaço, num tempo de 4:11:44, na 24.ª posição. No estádio, Eliana Bandeira esteve aquém do seu melhor no Lançamento do Peso ao lançar 15.18 metros na 22.ª posição. Em 14 provas disputadas em 2018, este foi o quarto pior resultado de Eliana, sabendo que ainda assim o seu melhor pessoal (16.63 metros) não chegaria para a qualificação para a final, uma vez que a última qualificada fez 17.17 metros. Ainda de manhã, Pedro Pereira participou nos 3000 metros obstáculos, correndo em 8:54.63, na 27.ª posição, longe do último tempo de qualificação que foi de 8:30.44 – a sua melhor marca pessoal é de 8:39.19, pelo que seria sempre muito complicada a qualificação. 

No período da tarde, mais uma sessão recheada de portugueses com quatro presenças nos 100 metros (3 no masculino e uma no feminino), uma nos 10.000 metros e uma na final do Peso. Lorene Bazolo foi a primeira a primeira a entrar em prova nas meias-finais dos 100 metros, mas o seu tempo de 11.46 (+0.3) apenas deu para ser oitava na sua rápida série, que apurou as duas atletas repescadas por tempo. 

No masculino, o primeiro a entrar em prova foi Carlos Nascimento, que partiu bem e correu em 10.31, numa série ganha por Jimmy Vicaut em recorde dos campeonatos (9.97, vento de +0.4). O português reconheceu que esperava mais e que apesar da fortíssima série onde corria, acreditava que poderia passar à final. Ainda assim, ficou satisfeito por voltar a correr na casa dos 10.3 e, mais uma vez, abaixo do recorde pessoal que trazia para esta época, demonstrando uma grande regularidade em 2018. 

Yazaldes Nascimento foi o seguinte e correu o seu melhor da temporada em 10.22 (+0.6) no terceiro lugar da série, marca que foi a nona melhor (igualada) das meias-finais e por apenas um centésimo acabou por ficar de fora da final…

No final, Yazaldes Nascimento não poupou palavras para quem nele não acreditou!
Fonte: FPA

No final, Yazaldes confessou que é frustrante ficar tão próximo da final mas que, ao mesmo tempo, a sua marca prova que ainda tem muito para dar ao Atletismo e que os resultados aparecem quando existem pessoas que confiam nos atletas, mesmo nesta fase em que muitos o davam como acabado. 

Na terceira série, foi a vez de José Pedro Lopes correr a distância em 10.40 (+0.2), sendo sexto dessa série. O atleta reconheceu ter sentido algum nervosismo por estar num palco desta dimensão, mas considera que foi uma boa estreia (com o apuramento para as meias-finais) uma vez que nem sequer contava com a sua presença na prova individual. 

Nos 10.000 metros foi a vez de Samuel Barata entrar em acção. O atleta do Benfica acusou o calor e, sensivelmente a meio da prova, perdeu energia e sentiu que não seria capaz de terminar com um tempo digno, não terminando a distância. Por fim, no Lançamento do Peso, Tsanko Arnaudov teve 3 ensaios válidos, sendo que o melhor lançamento foi a 20.33 metros que chegou para o nono lugar, numa época em que o atleta português lançou o seu melhor logo em Fevereiro em pista coberta – com os 21.27 metros no Pombal. No final, Tsanko reconheceu que foi uma época complicada, com a lesão – pé partido – e respetivo atraso na preparação para estes campeonatos. Reconheceu o enorme nível da final e considera que aprendeu muito com o que se passou em Berlim, saindo orgulhoso pelo que conseguiu fazer este ano, apesar de tantas dificuldades. 

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O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.