Última horaBenfica: pérola é disputada por Portugal, Alemanha e Espanha
Publicidade

É possível jogar sem o base?

Mário Silva · 8 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidadesAo discutirmos o papel do base, entramos numa das áreas mais complexas de basquetebol, já que este tem de desempenhar uma grande variedade de papéis. Nenhuma das outras posições em campo tem que fazer tantos ajustes e mudanças, de jogo para jogo e no próprio jogo. Esta é provavelmente a posição mais difícil de desempenhar em campo.

O que se pede aos bases é que sejam capazes de comandar os seus companheiros de equipa, tanto ofensiva como defensivamente. Os bases devem fazer os seus companheiros melhores jogadores, passando-lhes a bola no momento e no lugar certo.

O base (PG), também conhecido como 1 e que no passado era referido como dribbler ou play-maker, é normalmente o melhor manipulador, driblador e passador da equipa. Os bons bases são ainda rápidos e capazes de marcar cestos de três pontos ou “na pintura”, aumentando a eficiência da equipa.

O base é visto como o “Comandante das Tropas” ou o “Treinador em Campo“. O seu papel é tão importante que ele é na realidade uma extensão do treinador, por isso têm de estar na “mesma página” e ter os mesmos objectivos para a equipa.

Deve ter múltiplas qualidades, mas acima de tudo não pode ter um ego tão insuflado que interfira com o seu julgamento do jogo. O base ideal deve ter um elevado QI de basquetebol e um conjunto completo de habilidades. A rapidez mental, a capacidade de pensar e reagir a situações de jogo em mutação constante com frieza, completam as capacidades . Desejo de vitória, determinação, agressividade e competitividade são ainda características comuns aos bons bases.

basket base
Fonte: FIBA

Devem ser líderes com habilidades de comunicação excepcionais, de forma a manter os companheiros envolvidos, ao mesmo tempo que são altruístas, pensando sempre primeiro na equipa. A pass-first point guard é a melhor opção para comandar uma equipa.

Conhecem bem o jogo e são capazes de rapidamente reconhecer as fraquezas e os pontos fortes, procurando jogar nas vantagens e tomar boas decisões. Além disso, devem estar alerta para a pontuação, tempo, situação de faltas na equipa e tempo limite restante. São também responsáveis pelo equilíbrio defensivo após lançamento ou perda de bola.

É esperado também que consigam controlar o ritmo do jogo, cuidando bem da posse de bola (especialmente quando sob pressão). Devem ser mental e fisicamente fortes para suportarem e entenderem as críticas a que são sujeitos. Devem condicionar os bases contrários, pressionando o drible e entrando nas linhas de passe para roubar bolas. O base executa o ataque e controla a defesa.

No passado, os bases eram os jogadores mais baixos das equipas; hoje a realidade é diferente e são muitos os bases de elevada estatura. Magic Johnson foi o primeiro jogador alto a dominar na posição, no College e na NBA, e o esloveno do Real Madrid, Luka Dončić, é, na actualidade, um bom exemplo.

DUKE joga sem base

Quem acompanha a competição da NCAA e está atento ao jogo, certamente já reparou que a equipa de Duke joga, na maioria dos encontros, sem um base de raiz.

A “estrela da companhia” é o polémico Grayson Allen, a que se juntam os rookies Jayson Tatum, Harry Giles, Marques Bolden e os veteranos Amile Jefferson e Matt Jones.

Na equipa actual, apenas o rookie Frank Jackson, que é mais um score-first guard, tem capacidade para ocupar o lugar no futuro.

Jackson, uma “estrela” proveniente de Utah, já se tinha comprometido, aos 14 anos, com BYU e pensava mesmo servir a religião numa missão Mórmon depois do Colégio, o que significava que o basquetebol universitário poderia ter de esperar alguns anos. Mudou de ideias e quer agora ajudar Duke a ganhar um campeonato nacional. Contudo, pese o facto de ser McDonald’s All-American, ainda não está preparado para ocupar um lugar de tanta responsabilidade.

Fonte: DUKE
Fonte: DUKE

“Ele é realmente bom, e queremos que ele seja ainda melhor”, disse o treinador adjunto de Duke, Jeff Capel. “Tem de se adaptar à equipa e aos companheiros . Ele pode ser um criador de jogo e ao mesmo tempo um marcador de pontos. Na defesa, é já o melhor a marcar, o portador da bola . Está também a aprender a comunicar e a liderar a equipa. Não queremos que ele pense demais, queremos sim que reaja e jogue”.

Pese o facto de Duke não ter um verdadeiro Point Guard, como tinha no passado (Bobby Hurley, Jayson Williams, Kyrie Irving e Tyus Jones), o treinador, Mike Krzyzewski, acredita nos jogadores sem posição definida, o que significa que os papéis na rotação dos Blue Devils são determinados pelo conjunto de habilidades e não pela posição. Então, quando ele construiu a equipa para esta temporada, fez uma aposta calculada com a distribuição de responsabilidades.

“Já não existem mais bases como Chris Paul”, disse recentemente o técnico, Mike Krzyzewski. “Ele é o tipo de base antiquado, o líder. Agora temos bases que marcam muitos pontos mas que, na verdade, não dirigem a equipa”.

O seu treinador assistente, Jon Scheyer, antigo jogador de Duke, sabe bem como lidar com esse problema. Em 2010, Krzyzewski definiu para a equipa o objectivo de ser campeã nacional e tinha o mesmo problema. A solução foi colocar Scheyer a fazer um papel que nunca foi o seu: base. “Eu não era um verdadeiro base, mas sabia o que o treinador queria”, disse Scheyer. “Tinha de ser o treinador no campo”.

Fonte: DUKE
Fonte: DUKE

Para o papel de liderança no campo, que cabe tradicionalmente ao base, Krzyzewski conta com Jefferson. “Eu não diria que temos um John Stockton na nossa equipa”, disse Scheyer. “Temos jogadores que são realmente versáteis e que podem jogar a base. Na realidade, são jogadores de basquetebol que podem transportar a bola para o ataque, marcar pontos e comandar a equipa. Podemos usar isto para criar vantagens? Podemos ser uma equipa altruísta e mover a bola”.

A equipa tem muito talento e o treinador acredita que é capaz de superar esta lacuna. Tem nove McDonald’s All-Americans, o que faz pensar ser possível dividir a tarefa de base. Na verdade, nas últimas épocas, também raramente teve um verdadeiro base, mas foram sempre ofensivos e chegaram mesmo ao Sweet 16. Com melhores atletas podem agora fazer o mesmo.

Quem toma as decisões?

No passado recente, os jogadores dos Blue Devils tinham papéis claramente definidos no ataque: Allen lançava 14,3 tiros por jogo, Brandon Ingram 13,4 e Kennard ficava feliz por ter oportunidade de lançar 9,3 vezes. O ataque funcionava e ninguém mais importava.

E agora?

Allen, Kennard e Tatum, todos eles acreditam que devem lançar 14 lançamentos por jogo. O problema é que só Duke lança, em média, 59,5 vezes por jogo e tem mais seis outros jogadores com média de dois dígitos em minutos, os quais também querem lançar. Enquanto isso, não há nenhum verdadeiro base para tomar decisões.Como deve fluir o jogo, quem recebe e para quê? Para agravar, todos querem ser protagonistas, como ficou claramente demonstrado na derrota nos minutos finais, com NC State.

Os Blue Devils perdiam 74-73, com 2,30 minutos para o final. Nas três posses subsequentes, Duke esteve desastrado e os três melhores marcadores Luke Kennard, Grayson Allen e Jayson Tatum falharam todos os lançamentos triplos. Resultado final: perderam 79-73, contra uma equipa que tinha um verdadeiro point guard (Dennis Smith).

[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=m4m-QAwH30E”]

A experiência diz que as equipas que têm bases confiáveis e verdadeiros lidam bem com estas situações de final de jogo equilibrado. Duke, sem base, naturalmente perdeu e está em dificuldades na temporada.

Deve notar-se também que os últimos seis campeões NCAA foram comandados por verdadeiros bases: Ryan Arcidiacono (Villanova), Tyus Jones (Duque), Shabazz Napier (Connecticut), Russ Smith (Louisville), Marquis Teague (Kentucky) e Kemba Walker (Connecticut), e isso, provavelmente, não é uma coincidência.

A perda para os Wolfpack foi a terceira derrota em quatro jogos sem o coach K, e a primeira derrota em frente a NC State, desde 1995.

Quem não ficou nada satisfeito foi Mike Krzyzewsk, que estava ausente da equipa por ter sido sujeito a uma cirurgia às costas. Reuniu de imediato na sua casa com a equipa e proibiu os jogadores de usarem a cabina e de vestirem roupas de Duke.

Fonte: ESPN
Fonte: ESPN

Fontes disseram à ESPN que Krzyzewski empregou esta estratégia várias vezes no passado.

“Ele não estava feliz”, disse uma fonte próxima da situação.

Perguntado quanto tempo as penas durariam, uma fonte próxima da escola disse: “Até que eles comecem a viver de acordo com os padrões do programa Duke”.

A decisão de Krzyzewski tem obviamente a ver com mind games, mas a verdade é qualquer treinador atento dirá que as questões de Duke não são psicológicas, excepção aos problemas de Grayson Allen. O maior problema é mesmo a falta de um base de qualidade, o que leva a que os papéis dos jogadores nunca tenham sido claramente definidos. Claro está que as lesões e castigos e a ausência temporária do treinador também nada ajudem.

“Ele precisa fazer algo mais do que simplesmente tirar as camisolas”, acrescentou outra fonte próxima ao programa. “Há questões maiores que precisam ser resolvidas.”

Quando questionado sobre a situação, o treinador provisório Jeff Capel disse: “Realmente não posso falar muito sobre o assunto. Pensava ficar na reunião mas fui obrigado a sair“. Mais vale prevenir que remediar…”

Duke parece ter aprendido com o erro e recrutará, antes do final do período de assinaturas de 2017, um novo base. Qual o melhor base para os Blue Devils?

Como Kentucky não perde tempo e já tem dois talentosos bases (Quade Green e Shai Alexander), resta a Duke garantir o jogador número 1 na posição: Trevon Duval.

[ot-video type=”youtube” url=”https://www.youtube.com/watch?v=kBjUltOtndk”]

Duval tem convites de cinco escolas: Arizona, Baylor, Duke, Kansas e Seton Hall. O nativo de Delaware está a joga na IMG Academy (Flórida), a sua terceira escola nos últimos três anos, após a transferência de Advanced Prep International (Texas). Como John Calipari (Kentucky) se recusa a recrutar jogadores da API, o problema parece estar solucionado

Duke tem, para 2017, compromissos com o poste de “cinco estrelas”, Wendell Carter, com o shoting guard, Gary Trent Jr., também com avaliação “cinco estrelas” e com o base, Alex O’Connell, de “quatro estrelas”. Os Blue Devils também estão na corrida para recrutarem Mohamed Bamba e Kevin Knox, dois jovens top-10. Juntando o tal base de raiz (Trevon Duval), a equipa volta a ficar completa…

Como conclusão final, o coach K acredita que é possível jogar sem base, mas o melhor é mesmo ter um, e de preferência bom…

Foto de capa: RantSports

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Mário Silva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Europa League

O caminho da redenção europeia passa por Leiria | Torreense x Ararat Armenia

O Torreense recebe, esta quinta-feira, o Ararat Armenia, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, em encontro relativo à quarta jornada da fase de liga da UEFA Europa League. Frente ao atual campeão arménio, a formação de Torres Vedras procura regressar aos triunfos na competição e somar pontos importantes para continuar na luta pelo apuramento. Ora, as duas equipas chegam a este encontro em momentos distintos nos respetivos campeonatos, mas partilham um percurso europeu negativo nas últimas jornadas. O Torreense, que surpreendeu na estreia ao vencer o Lillestrom, na Noruega, por 1-2, não voltou a conquistar qualquer ponto, tendo perdido diante do Sunderland (1-2) e do Ferencváros (4-1). Do outro lado, o Ararat ainda não conseguiu pontuar, somando três derrotas nos três encontros já disputados.

Raul Saraiva · 6 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Na Luz, não há três vitórias sem quatro | Benfica x Lech Poznan 

Na entrada para quarta jornada da fase de Liga da UEFA Europa League, são cinco as equipas que procuram o pleno de alcançarem quatro vitórias nos quatro jogos. O Benfica é uma das mesmas. Estando em primeiro lugar e com o melhor ataque da competição (dez golos), as águias têm mais um desafio pela frente. O desgaste causado por seis jogos em três semanas e a própria rotatividade do conjunto faz parte do desafio. Dois dos últimos jogos da equipa encarnada (Açores com Santa Clara e em casa com FC Alverca) deixaram patente o cansaço com o qual a equipa de Marco Silva se depara e se torna importante geri-lo da forma mais eficaz possível. Quanto ao jogo em si, não existe dúvidas quanto ao favoritismo das águias. Tem sido uma das duas equipas mais fortes do futebol português na presente época, tal como uma das equipas mais capaz e a chamar a atenção na UEFA Europa League. Embora o apuramento ainda não esteja seguramente alcançado e muito menos o acesso direto aos oitavos de final na competição (oito primeiros classificados), já nada retira aos encarnados o feito de já ter vencido em Milão, a equipa de Rúben Amorim (considerada pela qualidade e estatuto, uma das favoritas) por 2-0 e mais duas goleadas ao Celtic em casa e em Chipre, frente ao Omonia e ambas por 4-1.

Jorge Afonso · 6 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.