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    NBA MVP 2023 | Nikola Jokic, o sérvio que pode igualar Wilt, Bird e Russell

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    A lista de talentos que atualmente compõem o topo da hierarquia da Liga Norte-Americana de basquetebol, a tão famosa NBA, nunca foi tão extensa e as grandes exibições a que temos assistido ultimamente estão a tornar-se num padrão tão comum que até chega a ser impossível comparar a dificulade e consequente grandiosidade desses feitos.

    Desde o inédito triplo-duplo de 60 pontos, 21 ressaltos e 10 assistências com o qual Luka Doncic graciou os New York Knicks em dezembro passado, aos 71 pontos e 10 assistências registados por Donovan Mitchell no início de janeiro frente aos Chicago Bulls, são muitas as estrelas que legitimamente poderiam ser consagradas como o melhor jogador da liga em qualquer outra época. Atrevo-me inclusive a dizer que nem mesmo os fãs da modalidade têm a verdadeira  noção das belíssimas obras de arte com as quais se deparamconstantemente.

    Ainda assim, aqui estamos nós, simples amantes da modalidade encarregados da quase impossível tarefa de escolher apenas um dos vários candidatos ao topo da cadeia alimentar. Será que os  31.2 pontos por jogo de Tatum são suficientes para trazer o prémio para Boston? Poderá Joel Embiid ser o primeiro jogador dos Sixers desde Allen Iverson a consagrar-se como MVP? Ou Luka Doncic dará mais um ar da sua graça e definitivamente ocupar o trono que tem pertencido a Lebron James?

    Com tanta especulação em torno da liga, seria de esperar que uma decisão destas fosse tomada com base no mais ínfimo detalhe. Mas, para surpresa de todos, existe um jogador que se arrisca a monopolizar o troféu individual mais prestigiado da NBA.

    O atual MVP da NBA, Nikola Jokic, está mais uma vez perto de ganhar outro prémio de Most Valuable Player. “The Joker”, como é conhecido, já ganhou dois títulos de MVP consecutivos em 2021 e 2022, juntando-se assim a grandes nomes da NBA como Kareem Abdul-Jabbar, Moses Malone, Magic Johnson, Michael Jordan e muitos outros.

    Nesta temporada, o gigante dos Denver Nuggets continua a mostrar toda a sua qualidade, o que atualmente lhe vale a primeira posição na tabela classificativa para a distinção de jogador mais valioso da liga. Dito isto, poderá Jokic assegurar o seu lugar na história e vencer o prémio de MVP pela terceira vez seguida?

    Mas, antes disso, quem são os ícones que já realizaram este feito?

    Na história da NBA, um total de 12 jogadores ganhou dois prémios MVP consecutivos, no entanto, apenas três deles tiveram o previlégio de repetir a conquista pela terceira época seguida. Estas três lendas são, nem mais, nem menos do que Wilt Chamberlain (1965-68), Bill Russell (1960-63) e Larry Bird (1984-86).

    De facto, é extremamente raro um atleta ganhar o prémio em três temporadas consecutivas, basta ver que Nikola Jokic está a tentar alcanlçar um feito que mesmo nomes como Tim Duncan e LeBron James nunca fizeram. Aliás, é até um feito difícil, mesmo para alguns dos melhores jogadores de sempre, conseguir pelo menos um.  Mas os três membros do Hall of Fame supracitados conseguiram concretizar exatamente o impossível.

    Como tal, não é totalmente impossível para Jokic ganhar o seu terceiro título de MVP este ano. Tudo isto revela-se ainda mais surpreendente se recordarmos que à apenas algumas semanas atrás, Jokic nem estava no pódio dos candidatos ao título, encontrando-se na altura atrás de Giannis, Luka e Tatum. Agora, apenas duas semanas após o início de 2023, a grande figura dos Nuggets restabeleceu-se como o claro favorito e, a julgar pelas suas exibições, promete não tirar o pé do acelarador.

    Isto não signifca que um craque como Doncic esteja verdadeiramente fora da discussão, não só porque o esloveno é um jogador inacreditável, mas também porque, sem o seu contributo, os Mavericks não teriam outros meios para criar um ataque consistente. Por sua vez, Jokic encontra-se rodeado por um plantel de grande calibre em Denver, principalmente com Jamal Murray de volta à sua melhor forma física e Aaron Gordon, que se tornou num potencial All-Star desde que se juntou à estrela sérvia.

    Não obstante, esta equipa dos Nuggets certamente não seria tão boa sem Jokic a gerir graciosamente a orquestra. Dito de outra forma, quando Jokic joga, Denver regista uma classificação ofensiva que o classificaria como a melhor da história. Quando o sérvio não está presente em quadra, os Nuggets têm o pior ataque da liga. E não é só no ataque que Jokic faz a diferença. O poste sérvio tem evoluindo bastante defensivamente na presente temporada, transformando-se num dos pilares de uma defesa que aos poucos vai se tornando mais competente do que no passado.

    A ficha estatística de Jokic é um verdadeiro sonho, com uma média por jogo de 25 pontos, 11 ressaltos e 9.8 assistências. O que Nikola Jokic tem feito esta temporada é absolutamente fenomenal, especialmente considerando que tem, praticamente, um triplo-duplo de média e uma eficácia de lançamentos de campo acima dos 62%. Portanto, Seja Jayson Tatum, Joel Embiid, Luka Doncic ou Kevin Durant, Jokic é mais eficiente e um melhor distribuidor de jogo do que todos eles.

    Adicionalmente, tornou-se apenas no terceiro jogador a obter a média de um triplo-duplo e o primeiro atleta da sua posição a fazê-lo, quebrando também recentemente o recorde de assistências dos Denver Nuggets. Por melhor que seja a temporada de Tatum ou Embiid, é quase impossível superar isto.

    Estes são números somente superados pela estética com que o poste de 27 anos se movimenta em quadra. Ninguém, nem mesmo um base puro, pensa o jogo como ele, nem muitos percecionam desmarcações com tanta facilidade. Possuído por uma amálgama fascinante de indiferença, ímpeto e talento, cada jogada de Jokic é feita com extrema eficiência e sem precisar de ter constantemente a bola nas mãos. É o raciocínio altruísta de alguém que sabe jogar basquetebol na sua forma mais pura e divertida.

    Relativamente às críticas sobre a falta de presenças nas finais da NBA, a verdade é que acontecem coisas que estão além do controlo de qualquer indivíduo. Jokic nunca teve um verdadeiro All-Star ao seu lado e o companheiro de equipa mais talentoso com o qual jogou esteve de fora nas duas últimas pós-temporadas por lesão.

    No ano passado – sem Jamal Murray e Michael Porter Jr. – foi a primeira vez que Jokic foi eliminado na primeira ronda. Sem embargo, o sérvio esteve imparável, registando uma média de 31 pontos, 13.2 ressaltos e 5.8 assistências por jogo contra os eventuais campeões, Golden State Warriors.

    Campeonatos importam. Vencer ao mais alto nível é obviamente muito importante. Mas usar esse critério para denegrir uma superestrela que, por acaso, joga todos os anos extremamente bem nos play-offs é simplesmente absurdo.

    Simultaneamente, os Nuggets apresentam o segundo melhor recorde de todo a NBA. Portanto, Jokic não precisa de dar satisfações a ninguém, ao contrária da temporada transata, quando ganhou o seu segundo título de MVP consecutivo apesar da sua equipa terminar no sexto lugar do Oeste.

    Em síntese, três títulos de MVP em sequência não é uma tarefa fácil e é algo que apenas três jogadores já fizeram, e nenhum desde Larry Bird em meados dos anos 80. Mas com Jokic a presentear-nos com outra temporada de nível divino em termos ofensivos, e com Denver agora no topo da sempre competitiva Conferência Oeste, a narrativa das últimas semanas sugere que nem mesmo os adeptos mais céticos podem negá-lo de forma plausível neste momento.

    Artigo de opinião de Diogo Vieira, redator de Modalidades

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