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Sabrina Ionescu: O futuro é agora

Leonardo Costa Bordonhos · 4 min

Sabrina Ionescu: O futuro é agora
Foto: University of Oregon

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“E com a escolha número um do Draft da WNBA 2020, as New York Liberty escolhem Sabrina Ionescu…”

Foi desta forma que Cathy Engelbert, Comissária da WNBA, deu início ao Draft deste ano, abrindo uma nova página na história do Basquetebol feminino em Nova Iorque e, acredito, na própria liga.

Filha de pais romenos, mas nascida na Califórnia, Sabrina Ionescu é a filha do meio (tem um irmão gémeo que nasceu 18 minutos depois) de um casal que partiu para os Estados Unidos em busca do sonho americano. E poucas coisas são mais americanas do que o Basquetebol.

Um “animal de competição” desde cedo, produto das batalhas em campo com o seu irmão gémeo Eddy, os irmãos Ionescu cresceram com o drible da bola a pautar as suas ações. Como a própria relembrou numa entrevista ao canal norte-americano ESPN:

“Ficávamos no parque durante horas enquanto os nossos pais estavam a trabalhar. Se estivéssemos mesmo dentro do jogo havia sangue, alguém acabava a chorar, havia lutas, era muito intenso.”

Essa dificuldade e intensidade moldaram-na, deram-lhe uma determinação e resiliência que ficam claras em vários momentos da sua vida. Quando, no sexto ano, foi impedida de jogar com a equipa dos rapazes e lhe foi dito que deveria ir brincar com bonecas, esta respondeu, convencendo o número necessário de raparigas, que a sua escola deveria criar uma equipa feminina.

Sabrina sempre foi diferente e com a bola nas mãos essa diferença era ainda mais evidente. A sua qualidade não lhe permitia ser outra coisa que não brilhante e a sua vontade de melhorar levava-a a trabalhar na sua “arte” incansavelmente.

Apesar da facilidade em colocar a bola no cesto, a base nunca se destacou pela sua capacidade física – com 1.8m é uma jogadora relativamente baixa quando comparada com outras do seu ano. Por isso, Ionescu tentou tornar o seu jogo o mais completo possível, uma característica que pode ser comprovada olhando para as médias com que terminou o seu último no secundário: 25 pontos, 8.8 assistências, 7.6 ressaltos, 4.5 roubos de bola (!) e 1.3 blocos por jogo.

A sua versatilidade levou a que ganhasse inúmeros prémios individuais – Melhor jogadora do Ano para a USA Today, Max Preps e Gatorade, All-American e MVP do jogo All-American, entre outros – e que fosse para a faculdade com grande parte dos recordes da sua secundária. Tudo isto chamou a atenção da Universidade de Oregon.

Apesar do estatuto que Oregon possui – mais no Futebol Americano – nunca uma jogadora tão bem classificada nos rankings escolhera aquela universidade. Como o seu irmão coloca, Sabrina queria desbravar o seu caminho e diferenciar-se de todas as outras. E assim o fez.

Em Oregon, Ionescu afirmou-se como a melhor jogadora do país. Apesar de não ter sido capaz de guiar a sua universidade ao cobiçado título de campeã nacional, fez história ao tornar-se a única pessoa na história da NCAA – incluindo masculinos e femininos – a terminar a sua carreira universitária com mais de 2000 pontos, 1000 ressaltos e 1000 assistências. Como se não bastasse, é também a pessoa com mais triplos-duplos na história da NCAA, com 26.

Os números seriam suficientes para ver Sabrina como uma das primeiras escolhas do Draft deste ano. No entanto, ao vê-la jogar ficam claras as razões que levaram as New York Liberty a indicá-la como a escolha número um.

Ionescu é uma líder nata, uma general dentro de campo que lidera as suas companheiras dando o exemplo. Ela não se limita a dizer “temos que melhorar os ressaltos defensivos”, ela assume a responsabilidade e ganha os ressaltos defensivos, transformando-os de imediato em contra-ataques rápidos que a maior parte das vezes terminam em pontos, assumindo ela o lançamento ou usando a sua incrível visão para encontrar uma colega sozinha.

Se dúvidas existissem em relação à sua capacidade de ter um impacto imediato na WNBA, basta ver o jogo entre a Universidade de Oregon e a seleção nacional americana que se realizou em Novembro de 2019. Frente a Sue Bird, Diana Taurasi, Nneka Ogwumike e outras jogadoras da principal liga de Basquetebol feminino, a base de Oregon foi a estrela da noite terminando o jogo com 30 pontos e sete assistências, na vitória da sua equipa por 93-86, naquela que foi a primeira derrota da seleção americana desde 1999!

Sabrina Ionescu é uma jogadora que cativa pela sua capacidade técnica e tática, mas também pela sua entrega ao jogo – uma das discípulas de Kobe Bryant, que era seu mentor. Tê-la na equipa de Nova Iorque não só trará vitórias, mas colocará pessoas nos pavilhões, venderá merchandising (as suas camisolas para venda no site da equipa esgotaram em menos de uma hora) e irá trazer um mediatismo que faltava à liga, visto ser uma das suas principais figuras no maior mercado do mundo que é a “Big Apple”.

Com a questão da pandemia da COVID-19, ninguém sabe quando é que os adeptos poderão finalmente ver a base pisar o court pela primeira vez. E existe sempre a possibilidade de (bato na madeira para que tal não aconteça) Sabrina não confirmar na totalidade o seu potencial.

Uma coisa é certa: mesmo sem ainda ter jogado um único segundo, Sabrina Ionescu já é a cara da “nova” WNBA. E todos nós [adeptos da modalidade] vamos já contando os segundos para a ver em campo.

Foto de Capa: University of Oregon

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Leonardo Costa Bordonhos

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