Com a segunda semana do Tour a chegar tivemos na 11ª etapa, uma chegada sprint. No final a vitória sorriu a um dos sprinters que não tinha obtido qualquer êxito na prova. Nem um trabalho fenomenal da Jumbo-Visma para Groenewegen conseguiu parar o “Pocket Rocket” Ewan. Esta foi a sua primeira vitória de sempre no Tour! Groenewegen fez segundo e Elia Viviani terminou em terceiro. Num dia em que Ewan tinha ficado para trás devido a uma queda, a sua equipa acabou por consegui-lo levar à vitória.

Julian Alaphilippe manteve a liderança da geral individual. Geraint Thomas manteve a segunda posição, a 1m:12s.

Na 12ª etapa apareceu a alta montanha. Uma fuga bastante numerosa marcou o dia, com muitas equipas representadas. Após alguns ataques e contra-ataques, ficaram três homens na frente, no caso: Simon Yates, Bilbao e Muhlberger. O mais forte acabou por ser o britânico da Mitchelton-Scott. Ganhando pela primeira vez uma etapa no Tour, sendo que das Grandes Voltas, só lhe faltava ganhar na França. Bilbao fechou a etapa em segundo e o austríaco da Bora-Hansgrohe terminou em terceiro. Rui Costa esteve na fuga e terminou em oitavo lugar. O pelotão chegou com 9m:35s de atraso.

Na geral individual não apareceram mudanças significativas, com o francês a manter a liderança. Uma etapa que claramente poderia ter tido mais emoção.

Na etapa 13 surgiu o contrarrelógio individual em Pau, com uma extensão de 27.2 quilómetros. Num dia em que se pensava que Alaphilippe iria perder tempo para os homens da geral, acabou por ser precisamente o contrário! O francês da Deceuninck-Quick-Step voou no contrarrelógio e fechou o percurso em 35 minutos. Geraint Thomas ficou em segundo, gastando mais 14 segundos que Alaphilippe. Durante praticamente todo o contrarrelógio, Thomas De Gendt, liderou com o melhor tempo, perdendo apenas para os primeiros dois da geral, acabando por ficar no terceiro lugar, a 36 segundos.

Nélson Oliveira acabou em 11º lugar a 1m:03s. Os homens da geral que tiveram um maior prejuízo, foram: Adam Yates (2m:08s), Dan Martin (2m:06s), Nairo Quintana (1m:51s) e Mikel Landa (1m:45s).

Alaphilippe aumentou a liderança, passando para 1m:26s a vantagem em relação a Thomas. Kruijswijk subiu para a terceira posição, a 2m:12s. Enric Mas subiu duas posições com o contrarrelógio e passou para quarto. Bernal perdeu a 3ª posição e desceu para quinto.

Um dia em que ficou marcado, pelo afastamento de Wout Van Aert do Tour. O belga estava quase a terminar o contrarrelógio quando embateu contra uma das barreiras de segurança e acabou por cair com gravidade. Levando ao abandono de uma das sensações desta edição do Tour.

No dia seguinte, chegava a etapa 14 e consigo a chegada ao mítico Tourmalet. Foi a etapa mais curta, com apenas 111 km de extensão. Houve uma fuga numerosa, sendo que muitas equipas tinham ideias para esta etapa. A perseguição cabia à equipa do camisola amarela e à equipa da FDJ.

Mais tarde com as subidas a surgirem às pernas dos ciclistas, foi a equipa da Movistar quem impôs o ritmo do pelotão. O ritmo era muito forte, imposto por Andrey Amador e por Marc Soler e consequentemente o grande grupo ficou desfeito.

As primeiras baixas dos favoritos viriam a aparecer, com Bardet a ficar para trás. Seguindo-se Adam Yates, Daniel Martin e Nairo Quintana. Sim, o colombiano não aguentou o trabalho da sua própria equipa!

Apareceram os ataques do campeão francês, Warren Barguil e de David Gaudu. Este último com intenções claras de quebrar as pernas aos favoritos e de esticar ao máximo o grupo. O grupo já cada vez mais reduzido viu a Jumbo-Visma nos últimos quilómetros a assumir a cabeça do grupo. Eles que tinham ainda três homens no grupo (George Bennett, Laurens de Plus e Kruijswijk).

Emanuel Buchmann procurou sair do grupo nos últimos dois quilómetros da etapa, causando dificuldades claras para Urán, Thomas e Barguil. Ficavam seis homens na frente da corrida e Pinot decidiu atacar para a vitória da etapa. O francês foi claramente o mais forte no final do dia e acabou por erguer os braços, tendo feito uma excelente leitura de corrida. Em segundo lugar ficou o camisola amarela, Alaphilippe! Aguentou-se de forma exímia no alto do Tourmalet, quando muitos pensavam que iria perder a amarela neste dia, perdendo apenas seis segundos para Pinot. Em terceiro acabou o holandês Kruijswijk, com o mesmo tempo de Alaphilippe.

Na geral individual, o francês passou a ter uma vantagem de 2m:02s para Thomas e de 2m:14s para Kruijswijk! A maior subida na geral, dentro do grupo do top dez, foi de Fuglsang que subiu do 13º lugar para o oitavo lugar.

Thibaut Pinot teve um dia glorioso no Tourmalet                                                                              Fonte: Groupama-FDJ

A 15ª etapa era a última etapa antes do segundo dia de descanso. Mais uma etapa de alta montanha, com chegada a Foix. Muitos dos grandes nomes da geral, que já tinham perdido tempo encontravam-se na fuga. Exemplos de Quintana, Dan Martin, Mollema, Konrad, Kreuziger, Bardet, Nibali, Simon Yates e Zakarin.

A fuga nunca conseguiu ganhar muito tempo de vantagem porque poderiam a vir ameaçar a camisola de Alaphilippe. A Deceuninck precavia-se disso e o ritmo imposto no pelotão era acelerado. Landa e Fuglsang procuraram sair do grupo dos favoritos numa das últimas subidas do dia e conseguiram ganhar destaque na frente. No entanto o espanhol estava num ritmo demasiado elevado para Fuglsang, que acabou por ficar para trás.

Nos últimos nove quilómetros, Yates ficou sozinho na frente, deixando para trás o seu último colega de fuga, Simon Geschke. Lá atrás era Gaudu quem impunha o ritmo para lançar o ataque de Pinot. O ataque acabou por surgir, com Bernal, Buchmann e Alaphilippe na roda. Com o avançar dos metros, a roda do francês ficou impossível de seguir e os três ficaram para trás. Pinot acabou por alcançar Landa na frente e acabaram a etapa juntos, mas já sem conseguirem alcançar Yates, que acabou por conquistar a segunda etapa deste Tour.

Landa e Pinot terminaram com 33 segundos de atraso. Buchmann e Bernal ficaram a 51 segundos. Thomas, Kruijswijk e Valverde ficaram a 1m:22s de Yates e o camisola amarela perdeu 1m:49s para o primeiro lugar, terminando na 11ª posição nesta etapa.

No final da semana, Alaphilippe mantém a liderança, agora com 1m:35s para Thomas e com 1m:47s para Kruijswijk. Pinot está logo à espreita do pódio, a 1m:50s.

Foi uma semana em que os franceses vibraram muito! Já vão para 11 dias de amarelo, com Alaphilippe na sua posse. Duas vitórias de Alaphilippe, uma vitória de Pinot e os ataques de Barguil e de Gaudu fazem as delícias dos franceses neste Tour. Os amantes da modalidade na estrada ficam em êxtase quando vêm um dos seus conterrâneos a atacar.

Cada vez mais se pode considerar Julian Alaphilippe um todo-o-terreno, visto que ganha e anda bem em qualquer tipo de etapa/prova. Outro destaque é Thibaut Pinot que está em grande forma e será curioso ver a sua última semana. Já o holandês, Kruijswijk está a andar de forma muito consistente e vamos ver se consegue manter o pódio com a grande ajuda que vem dispondo, de Laurens De Plus e de Bennett.

Desistências da semana: Niki Terpstra (Direct-Energie), Rick Zabel (Team Katusha), Rohan Dennis (Bahrain Merida), Nizzolo (Dimension-Data), Philipsen (UAE Emirates), Wout Van Aert (Jumbo-Visma) e Maximilian Schachmann (Bora-Hansgrohe).

Top 10 do Tour (após 15 etapas):

1º lugar- Julian Alaphilippe (Deceuninck-Quick-Step) 61h:00m:22s

2º lugar- Geraint Thomas (Team INEOS) +1m:35s

3º lugar- Kruijswijk (Jumbo-Visma) +1m:47s

4º lugar- Thibaut Pinot (FDJ) +1m:50s

5º lugar- Egan Bernal (Team INEOS) +2m:02s

6º lugar- Buchmann (Bora-Hansgrohe) +2m:14s

7º lugar- Mikel Landa (Movistar) +4m:54s

8º lugar- Valverde (Movistar) + 5m:00s

9º lugar- Fuglsang (Astana) + 5m:27s

10º lugar- Urán (EF Education First) + 5m:33s

Camisola dos pontos- Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) 284 pontos

Camisola da juventude- Egan Bernal (Team INEOS) 61h:02m:24s

Camisola de montanha- Tim Wellens (Lotto Soudal) 64 pontos

Classificação por equipas- Movistar 183h:28m:20s

Foto De Capa: Le Tour de France

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