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Recentemente, estava a ler o livro de Emma O’Reilly em que ela fala sobre o seu tempo na US Postal e tudo o que se passou depois. O’Reilly trabalhou como soigneur na equipa americana e foi até a responsável por tratar Armstrong durante a sua primeira vitória no Tour de France e viria depois a ser a primeira voz a falar publicamente e sem anonimato sobre o recurso a substâncias proibidas no conjunto de Armstrong e Bruyneel.

Um dos episódios que a irlandesa recorda é uma situação em que no fim duma etapa quando conduzia Armstrong para o hotel, este ter ligado ao então presidente da UCI, Hein Verbruggen, para se queixar das ações de um Comissário. Ora, é claro que este comportamento é claramente inapropriado e esta e outras situações deixaram a UCI com um problema profundo de credibilidade.

O sucessor de Verbruggen também não deixaria saudades. Apesar de deixar a UCI numa posição mais respeitável que aquela em que a encontrou, diz tudo sobre o mandato de Pat McQuaid que seja mais lembrado por durante o seu tempo à frente da UCI o seu filho se ter tornado no principal agente de ciclistas a nível mundial que por outro qualquer motivo.

Finalmente, com a chegada de Brian Cookson a UCI parecia ter entrado num novo ciclo. Apesar de também não ser imune a conflitos de interesses, nomeadamente no respeitante às questões britânicas, onde tinha anteriormente chefiado a Federação nacional, é incontornável o legado que deixou na modalidade.

Pragmático na sua abordagem aos problemas, deu um grande impulso ao ciclismo feminino, à pista e ao paraciclismo e deu ao ciclismo de estrada masculino uma estabilidade que este não encontrava há algum tempo, tanto nas competições como fora delas em termos organizativos e de fiscalização.

Cookson lançou o World Tour feminino em 2016
Fonte: The Women’s Tour

No entanto, não era tão forte no agradar aos interesses dos presidentes das diversas federações e, ao fim de somente um mandato, foi substituido pelo francês David Lappartient. E, o que dizer de Lappartient?

Uma boa palavra para descrever a sua presidência até ao momento é fiasco. Desde a ataques diretos à Team Sky/Team INEOS, incluindo a apresentação de medidas direcionadas a parar o seu domínio no Tour (ainda sou do tempo em que devia haver imparcialidade e o que importava era o desenvolvimento do desporto, não impedir uma determinada equipa de vencer), a avanços e recuos em supostas mudanças regulamentares ou à imposição de limites de tamanho das meias dos ciclistas.

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