O Bola na Rede esteve à conversa com o famalicense Tiago Machado, corredor de 34 anos, a correr a sua primeira temporada na equipa Efapel.

Bola na Rede [BnR]: Em primeiro lugar, gostaríamos de agradecer-lhe por ter aceitado o convite para esta entrevista. Em 2007 surgia um jovem Tiago Machado, na Riberalves-Boavista, a vencer várias classificações da Juventude em provas nacionais, incluindo na Volta a Portugal, considera que foi uma conquista importante para o início da sua carreira?

Tiag Machado [TM]: Foi importante na minha carreira sem dúvida, mas o grande marco da minha carreira foi a passagem a profissional em 2005 pela Carvalhelhos Boavista.

BnR: Como correu a adaptação na equipa RadioShack, na sua primeira temporada no World Tour?

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TM: Fui para o primeiro estágio e tudo parecia correr mal, fiquei sem telemóvel, sem computador e a minha sorte foi o Sérgio Paulinho me ter deixado usar os seus. Graças a ele acabou por correr bem a adaptação e acho que sem ele, talvez, a minha aventura fora de Portugal tivesse ficado por aquele estágio!

BnR: Esteve um ano na Team NetApp – Endura, onde atingiu bons resultados, incluindo uma grande prestação no Critérium Internacional, Giro Del Trentino, Tour da Califórnia, e a vitória na geral da Volta à Eslovénia, foi certamente um ano especial, quais são as memórias que guarda desta experiência?

TM: Foi um ano espetacular, digno de uma reserva, se de vinho se tratasse (brincadeira). Foi um ano com muito boas recordações, mas a melhor foi o Campeonato Nacional, em que fui ultrapassado a 150 metros da meta.

BnR: Em 2015 mudou-se novamente para uma equipa do World Tour, para a Team Katusha, como classifica os quatro anos que passou na equipa?

TM: Esse ano foi muito bom, bons resultados, mas exagerámos no número de corridas nessa época e no ano a seguir paguei caro, onde os resultados não surgiram. Quando isso acontece, no World Tour, não há segundas oportunidades e passas de um ciclista que podia estar no top dez a ciclista de trabalho. Por isso os últimos anos foram penosos, onde não tenho vergonha em admitir que apenas os suportei pela parte monetária.

BnR: No seu trajeto pelo World Tour teve a oportunidade de correr com grandes figuras do ciclismo Mundial (ciclistas e staff). Considera que existiu algum/alguns nomes que o ajudaram, especialmente, a ser o corredor que é hoje?

TM: Sem dúvida, cresci a ver ciclismo de Lance, Ulrich, Pantani, Cippolini. Em 2010 vi-me como colega de equipa de Lance, numa super-equipa repleta de estrelas que estava habituado a ver na TV. Oportunidade única, onde aproveitei para aprender com eles o melhor que podia!

Fonte: EFAPEL

BnR: O Tiago já teve a oportunidade de correr em diversas provas no estrangeiro, qual foi a prova que mais gostou de correr?

TM: As minhas provas preferidas foram a Volta à Califórnia e o Santos Tour Down Under (Austrália), são culturas que adorei.

BnR: Já contabiliza algumas quedas marcantes na sua carreira, houve algum momento na sua vida (queda ou momento negativo) em que se questionou sobre ter escolhido o Ciclismo de estrada como profissão?

TM: NUNCA. Quando decidi ser ciclista já sabia que isso poderia acontecer. Graças a Deus tive sorte no que a quedas diz respeito. Muitas das vezes digo “Foi Nossa Senhora que guiou a minha bicicleta “

BnR: Regressou às equipas nacionais em 2019, pelo Sporting Clube Portugal – Tavira. Como foi encarado o regresso a Portugal, era algo premeditado?

TM: Foi algo muito pensado em conjunto com a minha esposa que sempre me aconselhou bem. Estava saturado de viagens, do tempo fora de casa e de pouco reconhecimento do outro lado. A gota de água foi quando o meu filho teve de ir assistir a clássica de San Sebástian para poder ver o pai um par de horas, ter de ir para o autocarro e ele chorar amarrado à minha perna, mexeu muito comigo, e nesse dia começámos a preparar o meu regresso.

BnR: Agora a correr de amarelo e preto, quais são os seus objetivos pessoais na equipa Efapel?

TM: Tenho muito orgulho na carreira que fui construindo ao longo destes 16 anos como profissional, por isso o que vier por acréscimo é sempre muito bem-vindo. Acho que ganhei nova vida na Efapel, um grupo que de dia para dia não para de me surpreender.

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