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Cabeçalho modalidadesUma Volta a Itália com etapas bem ao jeito de Vincenzo Nibali e com Nairo Quintana a ser o indiscutível favorito para vencer a prova, eis que um ciclista holandês, outrora “apenas” um exímio contrarrelogista, decide estragar os planos das maiores estrelas e, de forma consistente (fazendo, igualmente, uso das suas mais valias naturais), chegar ao fim da prova como o camisola rosa.

A 100.ª edição deu-nos uma grande disputa pela liderança, até ao fim, entre 4 ciclistas e com muita emoção até ao último dia e aos últimos segundos da prova, com a ordem de classificação destes 4 primeiros a poder mudar completamente e foi quase o que aconteceu. Dumoulin foi de quarto para primeiro, Quintana de primeiro para segundo, Nibali de segundo para terceiro e Pinot acabou por ficar fora do pódio da prova italiana.

Focando-me mais nos resultados finais e não tanto no que se passou ao longo destas 3 semanas, é possível considerar esta vitória de Tom Dumoulin algo justa. Acabou por mostrar ainda algumas debilidades na alta montanha, como seria de esperar, mas a verdade é que, nos momentos mais decisivos, soube aguentar as duas “grandes estrelas” da prova e selar a vitória nos contrarrelógios, onde era claramente o mais forte de todos os favoritos – relembrar que venceu o primeiro e ficou em segundo no último Contra Relógio.

Controlou realmente as perdas que ia tendo, como seriam de esperar assim que Quintana ou Nibali atacassem de forma mais forte, sendo que demonstrou que poderá ser um caso sério para o futuro. Novo Induraín? Novo Froome? Quem sabe… muitas e boas expetativas para o que este ciclista irá trazer no futuro, principalmente quando for ao Tour.

Giro d’Itália
Dumoulin ganhou também na montanha
Fonte: Giro d’Itália

É de destacar que venceu 2 etapas – um CR e uma etapa de montanha – e, na etapa rainha (etapa 16), no início da última subida do dia, teve de parar na estrada, num momento verdadeiramente insólito, e tratar de determinadas necessidades fisiológicas, o que acabou por lhe prejudicar no final, onde perdeu mais de 2 minutos para a concorrência direta. Ainda assim, Dumoulin protagonizou, claramente, um dos momentos mais “speechless” deste ano no ciclismo.

Dos restantes nomes já referidos, apesar de se ter defendido muito bem no contrarrelógio final (inclusive, fez melhor do que Zakarin ou Pinot, dois ciclistas que são melhores do que ele nesta vertente), Nairo Quintana sairá da prova com aquela sensação “amarga”. Fez mais um pódio, mas não foi o suficiente para conquistar a camisola rosa da prova.

Pareceu que o grande objetivo do colombiano era tentar vencer duas grandes voltas seguidas num ano, talvez achando que neste Giro não seria assim tão complicado e que depois no Tour era dar o “tudo por tudo”. Mas não foi assim que tudo aconteceu e, agora, possivelmente, o ciclista da Movistar terá mais pressão nos seus ombros assim que começar o Tour.

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