Esta é a prova portuguesa que antecede a Volta a Portugal, sendo que todas as equipas procuram já estar com um alto pico de forma. Esta edição do G.P Joaquim Agostinho foi constituída por um prólogo, uma etapa ao sprint, um circuito em Torres Vedras e, por fim, a habitual chegada em alto na Serra de Montejunto.

O PRÓLOGO

No primeiro dia, os ciclistas tinham apenas um pequeno “aperitivo” com um contrarrelógio individual no Turcifal. O vencedor do prólogo foi Gustavo Veloso da W52-FC Porto, que já tinha sido segundo em três ocasiões no passado. Fez um tempo de 10m20s e mostrou que ainda pode ser muito útil para o que aí vem (Volta a Portugal).

Em segundo lugar, ficou Samuel Caldeira (W52-FC Porto) a cerca de cinco segundos de Veloso e em terceiro lugar terminou Nikolay Mihaylov da Efapel, a onze segundos do vencedor. A W52-FC Porto colocou quatro homens nos primeiros sete lugares! Os restantes três, eram ciclistas da Efapel.

A ETAPA COM CHEGADA AO SPRINT

O segundo dia marcava a ligação entre Ventosa e Sobral de Monte Agraço com cerca de 156.8 quilómetros de extensão. A etapa terminou num já esperado sprint com o ciclista Enrique Sanz (Euskadi Murias) a bater Martingil (Sporting-Tavira). Conquistando a sua quinta vitória da temporada, a sua quarta em Portugal. Angulo da Efapel, ficou no último lugar do pódio.

Na geral individual, ficou tudo na mesma, com Gustavo Veloso no lugar mais alto da classificação.

PELOTÃO EM TORRES VEDRAS

Na terceira etapa estava destinado aos ciclistas um circuito dentro de Torres Vedras. Com partida em Atouguia da Baleia e com o final a ser corrido em circuito na terra de Joaquim Agostinho, numa ligação de 152,7 quilómetros.

Um grupo desde cedo procurou ter destaque na frente da corrida composto por: Hugo Nunes (Rádio Popular Boavista), António Ferreira (Vito-Feirense-PNB), Miguel Salgueiro (Sicasal/Constantinos), Clint Hendricks (ProTouch), Antonio Soto (Equipo Euskadi), Guillaume Almeida e Micael Isidoro (BAI Sicasal Petro de Luanda) foram os fugitivos do dia.

A vantagem chegou a ser de quatro minutos para o pelotão, mas o grupo da frente com o passar das voltas em Torres Vedras acabou por perder unidades e, consequentemente, por perder força. Ao todo foram cinco passagens pela meta, sendo que na quinta era o sprint final.

A fuga foi perdendo força nas últimas voltas e acabou por ser alcançada
Fonte: André Antunes/Bola na Rede
A W52-Porto e a Efapel foram as equipas que mais trabalharam e acabaram por anular a fuga na última volta. Nos últimos três quilómetros, Óscar Hernández da Aviludo-Louletano ainda tentou surpreender o pelotão, mas foi um ataque em vão.

As equipas foram lançando ataques com os seus homens do top dez da geral individual, ficando na frente: Henrique Casimiro (Efapel), Rui Vinhas e Edgar Pinto (W52-FC Porto). Na descida de acesso para a meta, Edgar Pinto caiu e perdeu a possibilidade de discutir a etapa. Vinhas sprintou e levou a melhor sobre Casimiro, dando assim a segunda vitória na prova para a W52-FC Porto.

Rui Vinhas quando cortou a meta, cerrou os punhos e deu um grito de alívio/emoção com o que tinha conseguido. No terceiro lugar ficou Jaume Sureda da equipa espanhola da Burgos.

Recorde-se que Vinhas foi ilibado, depois de um processo a cargo da UCI pelo uso de betametasona na Volta a Portugal de 2018.

Conseguiu a sua primeira vitória como elite e ascendeu ao sexto lugar da geral. No primeiro lugar manteve-se Gustavo Veloso, com menos oito segundos do que o segundo lugar, Henrique Casimiro. No terceiro lugar encontrava-se Samuel Caldeira a 13 segundos.
Rui Vinhas no pódio após a vitória na segunda etapa do G.P Torres Vedras/ G.P Joaquim Agostinho
Fonte: André Antunes/Bola na Rede

O DIA DE TODAS AS DECISÕES

Era no último dia que as principais diferenças e decisões seriam feitas. Na ligação entre a Foz do Arelho e a Serra de Montejunto, com 179,3 quilómetros entre os locais. O pelotão iniciou a subida ainda compacto e foi praticamente no caudal da subida que surgiram os primeiros ataques, onde Henrique Casimiro (Efapel) e Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) decidiram causar estragos.

O português José Neves (Burgos) não foi ao choque, mas acabou por alcançá-los. Com o avançar dos metros, restaram apenas Casimiro e Neves na frente. Na chegada ao topo do Montejunto, Neves levou a melhor, cortando a meta em primeiro. Casimiro acabou a 1 segundo e Frederico Figueiredo ficou em terceiro, a 27 segundos. No ano transato, Casimiro tinha ganho aqui e Neves tinha feito segundo lugar, que acabaria por ganhar a geral na altura pela equipa da W52-FC Porto. Este ano, os papéis inverteram-se: Casimiro perdeu a etapa, mas ganhou a geral.

Na geral individual, Casimiro ficou em primeiro com 30 segundos de vantagem para José Neves e com 1m:02s para o seu colega de equipa, Sérgio Paulinho.

José Neves esteve à altura do acontecimento, como líder da equipa Pro Continental espanhola, Burgos-BH. Teve o azar de ter de trocar de bicicleta no prólogo, onde acabou por perder tempo. Acabou por ir no seu ritmo durante a subida e obteve o primeiro triunfo da época para a sua equipa.

HENRIQUE CASIMIRO DE AMARELO

Henrique Casimiro no final do dia, era um homem emocionado. “Esta é a prova mais importante para mim, muito emotiva. É uma vitória que dedico à família. Há seis anos, quando fiz terceiro, a minha esposa, que estava grávida, perdeu a nossa filha. Ficou prometido que venceria o Troféu Joaquim Agostinho para lhe dedicar. Mais do que um objetivo desportivo, este era um compromisso pessoal”, revelou, Henrique Casimiro.

“Hoje foi a continuação da edição passada da corrida. Não queria perder o prémio por 4 segundos, podia perder um minuto ou dois, mas iria arriscar tudo. Daí ter atacado tão cedo, até porque sabia que os adversários se defenderiam melhor na fase menos inclinada. Tive de atacar muito cedo, depois do trabalho extraordinário da equipa. Depois foi gerir o esforço”, referiu o vencedor da classificação geral individual.

O alentejano Henrique Casimiro da equipa Efapel conquistou três camisolas: a amarela, a dos pontos e também a da montanha. José Neves foi o melhor na juventude, depois de ter ganho a geral individual no ano passado. O holandês René Hooghiemster (Alecto Cycling Team) venceu a camisola das metas volantes. Para fechar em grande a vitória de Casimiro, a equipa da Efapel ganhou também a classificação por equipas.

Agora as equipas portuguesas vão estar em contagem decrescente para a Volta a Portugal.

Foto de Capa: Efapel

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