Cabeçalho modalidadesFoi um dos nomes mais falados do ciclismo em 2017, já esteve envolto em várias polémicas com as suas equipas e protagonizou uma das grandes transferirias do defeso. Aos 27 anos, Mikel Landa já se estabeleceu como um nome de relevo no panorama internacional e, pelo caminho, ganhou a fama de bad boy.

O basco apareceu para o ciclismo profissional da mesma forma que tantos outros da sua região, subindo na estrutura da Euskaltel-Euskadi, primeiro através de um ano na equipa satélite, a Orbea-Oreka SDA, e passando depois três anos com a formação World Tour. No seu tempo com a equipa, os resultados foram aparecendo com o tempo e, apesar de ainda muito jovem, começou a mostrar o seu talento nas provas montanhosas com boas exibições em várias provas continentais espanholas.

Foi assim que o homem a que muitos apelidam de ‘Landani’, pelas semelhanças na forma de correr com o histórico italiano Marco Pantani, subiu mais uma vez de nível e com o estatuto de promessa chegou em 2014 a uma das melhores equipas do mundo, a Astana.

O primeiro ano foi de aprendizagem e, depois de vencer uma etapa e ser décimo da Geral do Giro del Trentino, fez parte das equipas do Giro e da Vuelta, ajudando o também jovem Fabio Aru a ser, respetivamente, terceiro e quinto e a afirmar-se como homem para provas de três semanas. Mas, em 2015, tudo mudou. Após um bom início de época em que venceu uma etapa na Vuelta al Pais Vasco e foi segundo em duas tiradas e na Geral do Giro del Trentino, Landa foi ao Giro com o objetivo de ajudar Fabio Aru a vencer a Grande Volta italiana.

Os problemas surgiram com o passar dos dias, já que, à medida que Alberto Contador ia impondo a sua autoridade na corrida, Mikel Landa parecia melhor que o seu líder e mostrou-o na estrada ao vencer as duras etapas 15 e 16, ascendendo ao segundo lugar da Geral, apenas atrás de Contador e à frente de Aru. No entanto, a equipa preferia apostar em alguém que já tivesse provas dadas em três semanas e insistiu em dar a Aru a liderança. O italiano melhorou e viria a ganhar também duas etapas, ainda que com a ajuda de um Landa forçado em certos momentos a sacrificar-se pelo colega de equipa. No final, Aru seria segundo e Landa terceiro, mas o espanhol saía com a convicção de ser o melhor dos dois e revoltado por não ter tido o apoio da equipa quando era ele o mais próximo adversário de ‘El Pistolero’.

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Aru contou com o trabalho de Landa para vencer a Vuelta 2015 Fonte: Astana Pro Team
Aru contou com o trabalho de Landa para vencer a Vuelta 2015
Fonte: Astana Pro Team

Três meses volvidos e o duo voltava a encontrar-se para disputar a Vuelta. Landa teria um mau dia à etapa nove e ficaria arredado da luta pela Geral. Por isso, duas etapas depois, na mais dura dessa edição, foi para a fuga e venceu a tirada isolado. Só que, pelo meio, num ato de rebeldia, tirou do ouvido o auricular do rádio e, em vez de esperar e ajudar Aru que havia atacado no grupo dos favoritos para ganhar segundos importantes, seguiu sempre, apenas preocupado com a sua vitória individual. A partir daí, apenas depois de assegurar o seu sucesso pessoal, trabalhou em prol do seu companheiro e foi peça importante para que Fabio Aru conseguisse destronar Tom Dumoulin e vencer a Vuelta.

A aventura que se seguiu foi a Team Sky, a mais forte do mundo em provas por etapas e casa do indiscutível Chris Froome. O plano de Landa era simples, liderar no Giro e ajudar Froome no Tour. A época começou bem, vencendo mais uma etapa na volta ao seu País Basco e uma etapa e a Geral do Giro del Trentino. Chegado ao primeiro grande objetivo da época, começou discreto, mas uma boa prestação no contrarrelógio – ele que tinha indicado a vontade de melhorar nos esforços individuais como uma das grandes razões para escolher a Sky – colocou-o como um dos grandes favoritos à vitória final, mas acabaria por ter de abandonar na etapa seguinte devido a doença.

Assim, até ao final da época ficou confinado ao papel de gregário de luxo e esteve em bom plano na equipa que ajudou Chris Froome a vencer o Criterium du Dauphiné e o seu terceiro Tour. Apesar da desilusão no Giro, parecia que algo estava a funcionar bem na Sky e, por isso, o plano para 2017 incluía os mesmos pontos, Giro e Tour, liderar e ajudar.

Entretanto, começou também a despontar na Sky como homem para as provas por etapas o britânico Geraint Thomas e a equipa atribuiu-lhe o mesmo plano que a Landa, partilhando a liderança. Assim foi no Tour of the Alps, em que Thomas ganhou uma etapa e a geral e houve lugar a uma demonstração da união do duo quando na terceira tirada os dois chegaram isolados e Landa deixou Thomas vencer já que este precisava das bonificações para a luta pela classificação Geral.

Landa ajudou Thomas a ganhar o Tour of the Alps Fonte: Team Sky
Landa ajudou Thomas a ganhar o Tour of the Alps
Fonte: Team Sky

No Giro, também não houve lugar a rivalidades, mas por razões diferentes. Após chegarem ambos no grupo principal na subida ao Etna, estiveram envolvidos na queda causada por uma moto da organização na etapa montanhosa seguinte e perderam a possibilidade de lutar pelos lugares de topo. Thomas desistiria passados uns dias e Landa agarrou-se à sua combatividade para vencer uma etapa e a classificação da montanha.