Cabec¦ºalho ciclismo

Na semana em que tem início o Tour não pode existir qualquer outro tema para este artigo que não sejam as expectativas para a prova deste ano. E há sempre tanto para dizer!

Antes de mais, falar do percurso. Na sua 101ª edição, a Volta à França começará em Inglaterra e por lá continuará até à quarta etapa, o que já não é uma novidade mas é uma mudança relativamente à última edição, que teve o seu início em Itália. Dar seguimento a uma edição nº100 (que tem por motivos óbvios um grande impacto mediático) nunca é fácil, mas olhando para o percurso deste ano verificam-se duas mudanças que tentam ser um corte evidente com o passado recente: o aumento para cinco chegadas em alto e, principalmente, a eliminação de dois dos três contra-relógios habituais. Nos últimos anos, a crítica mais repetida por todos tem sido a excessiva importância dos contra-relógios nas edições do Tour, que reduziam drasticamente o espetáculo na montanha (expoente máximo na edição de 2012, ganha por Bradley Wiggins) e nota-se na edição deste ano uma clara preocupação com essa questão. É eliminado o contra-relógio de equipas (que costuma ser presença habitual nas grandes provas) e um dos dois contra-relógios individuais. Esta é, de facto, a grande novidade da edição nº101: há uma aposta forte na importância da montanha para a classificação final em deterimento dos contra-relógios e isso faz-nos antecipar uma luta espectacular nas etapas mais duras, apesar de este ano não haver a mítica chegada ao Alpe-d’Huez, que é sempre algo a lamentar por todos os amantes da modalidade.

A festa habitual nas montanhas francesas   Fonte: cyclingtips.com.au
A festa habitual nas montanhas francesas
Fonte: cyclingtips.com.au

Pensando agora nos atletas, destaca-se imediatamente outro factor a lamentar, precisamente por haver toda esta importância das montanhas: a ausência de Nairo Quintana, que é um dos melhores trepadores da actualidade e que nos daria certamente muito emoção nas montanhas. De qualquer maneira há muita qualidade no pelotão e teremos certamente um top 10 de luxo. Apesar de não querer focar-me demasiado em individualidades (para não correr o risco de ser injusto com ninguém) há alguns nomes que são incontornáveis e Chris Froome e Alberto Contador destacam-se claramente como os grandes favoritos à partida. No entanto, como se verificou no Critérium du Dauphiné, isso não é sinónimo de vitória para nenhum dos dois, pois num pelotão onde existem Nibali, Valverde, Talansky, Mollema, Van Den Broeck, Rui Costa, etc., qualquer descuido pode ser fatal. Prever quem vencerá a prova parece-me um exercício quase impossível, mas pode-se afirmar com toda a certeza que emoção não faltará. Uma última referência para Tiago Machado e José Mendes, que farão a sua estreia na mais ambicionada prova do circuito mundial de ciclismo.

Estamos apenas no princípio. Os meus próximos artigos serão dedicados a analisar cada semana da prova. O dia 5 de Julho está marcado no calendário há muito tempo. Está tudo pronto, está tudo ansioso, reservem os vossos lugares no sofá e não percam nenhum dos 3664 kms desta fantástica prova. O Tour vem aí e é já sábado!

Comentários