Masterclass de Pogačar marca semana de loucura em França

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E DEPOIS DE “LOULOU”, O LEGADO DE POULIDOR CONTINUA…

Com duas etapas explosivas a inaugurar a edição número 108 do Tour, era difícil esperar um cenário diferente daquele que se veio a verificar, ainda para mais com os nomes presentes em competição. No plano da organização da competição não estavam as quedas que marcaram as etapas iniciais, realizadas na região da Bretanha, e que originaram consequências marcantes para o normal desenvolvimento da competição, nomeadamente a nível de desistências e lesões que acabaram por limitar diversos nomes de primeira linha, quer a nível físico, quer em perdas de tempo.

Se é verdade que esse aspeto sobressaiu pela negativa, como a grave queda – que correu mundo -, originada por uma espectadora, a corrida em si nem por isso se viu privada de elementos que engrandeceram o Tour para o patamar que lhe é reconhecido. O primeiro “nome-forte” desta semana de loucos não poderia ter um currículo e um estatuto mais invejável: Julian Alaphillipe.

A solo e em grande estilo, o campeão do mundo foi o primeiro a vestir a amarela depois de disferir um ataque sem resposta a cerca de dois quilómetros e meio da linha de meta, em Landerneau. Dries Devenyns serviu de lançador para uma movimentação na parte mais dura da subida, que, na roda, apenas Pierre Latour, ciclista da Team TotalEnergies, tentou seguir. Um espaço importante acabou por se abrir, deixando a questão esclarecida desde cedo, mas a situação bem que podia ter sido diferente.

A dupla eslovena, Tadej Pogačar e Primož Roglič, ainda esboçou uma reação, mas a falta de colaboração matou à nascença a hipótese de alguém fazer a ponte para a frente. Resultado final: camisola amarela, camisola verde e vitória com uma dedicatória muito especial.

Como não há uma sem duas, imaginemos, a chegada ao imponente Mur de Bretagne prometia novo espetáculo. Talvez com nova vitória de Alaphilippe, talvez com um homem da geral a surpreender, ou talvez com uma das grandes figuras do pelotão internacional em ano de estreia.

Isso mesmo, Mathieu van der Poel fez das suas na maior competição do mundo. A figura central do ciclismo holandês entrou com um objetivo bem vincado: envergar a camisola amarela, algo que o seu avô, Raymond Poulidor, o “eterno segundo”, nunca tinha conseguido, apesar da imensa fama e dimensão que ganhou em França.

Depois de ter atacado na primeira passagem pela dificuldade final para somar segundos preciosos, tendo em vista a aproximação à camisola amarela, o líder da Alpecin-Fenix fez um “Alaphilippe”, protagonizando um ataque de relativamente longe e que não encontrou adversário à altura, bonificando e criando uma distância suficiente para cumprir o sonho do seu falecido avô.

Para além de toda a lógica emoção associada a este momento, seguiram-se cinco dias de amarelo e a camisola de líder máximo da prova não poderia ter ficado melhor entregue. Van der Poel preparou sprints, entrou em fugas, realizou um contrarrelógio de grande nível. Era mais do que previsível o seu abandono ao fim de uma semana, devido à sua presença nos jogos olímpicos, mas a forma como dignificou a amarela foi incrível, sendo um dos maiores autores do verdadeiro espetáculo vivido nas estradas francesas.

Destaque para a ajuda fulcral na vitória de Tim Merlier (e dobradinha com Jasper Philipsen a fazer segundo) na caótica etapa três; o grandíssimo contrarrelógio que realizou, mantendo a amarela por escassos segundos e terminando na quinta posição da etapa, entre especialistas como Kasper Asgreen ou Wout Van Aert; a audácia para se colocar em fuga com Wout Van Aert numa etapa com a extensão de 250 quilómetros, colocando minutos a todos aqueles que estavam a segundos da camisola amarela.

Ricardo Rebelo
Ricardo Rebelohttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo é licenciado em Comunicação Social. Natural de Amarante, percorreu praticamente todos os pelados do distrito do Porto enquanto futebolista de formação, mas o sonho de seguir esse caminho deu lugar ao objetivo de se tornar jornalista. Encara a escrita e o desporto como dois dos maiores prazeres da vida, sendo um adepto incondicional de ciclismo desde 2011.

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