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O Começo… na “Terra dos Cangurus”!

Nuno Raimundo · 4 min

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Cabeçalho modalidadesDe ano para ano, de salto em salto, o Santos Tour Down Under costuma ser das primeiras provas do novo ano e aquela em que podemos voltar a ver grandes nomes juntos após alguns meses de descanso e preparação. Desta vez, não foi exceção e temos realmente uma boa prova para abrir o “apetite” a todos os fãs do ciclismo para uma temporada que se avizinha bastante competitiva.

A Austrália é palco de uma das corridas que “aquecem” sempre o princípio da temporada no ciclismo. De 17 a 22 de Janeiro, teremos 6 etapas repletas de emoção e, esperemos, para bem do espetáculo, incerteza até ao fim. No ano passado, tivemos uma grande vitória de Simon Gerrans, que poderá repetir-se neste ano.

Mas antes de passar para os favoritos, é importante observar um pouco daquilo que serão os perfis das etapas. As primeiras duas etapas serão muito diferentes uma da outra, visto que a primeira etapa possivelmente terminará ao sprint. Ainda assim, todos os ciclistas terão que ter cuidado com a descida e a forma como a abordam. Na segunda etapa, temos um perfil “mais acidentado”, mas que poderá servir para separar logo os grandes favoritos à vitória final dos restantes concorrentes.

Fonte: Tour Down Under
Fonte: Tour Down Under

A terceira e quarta etapa darão mais 2 oportunidades aos sprinters para brilharem nesta prova, sendo que há que ter cuidado com os ventos que se farão sentir na altura. A quarta etapa parece terminar “em plano”, mas, com mais atenção, é possível reparar que haverá uma curta subida até ao fim e isso poderá alterar todos os resultados finais.

Por fim, na etapa 5 iremos ter a “etapa rainha” deste Tour Down Under, onde descobriremos quem realmente teve mais forças nesta prova de início de época. Com rampas a chegarem a uma percentagem considerável, essa etapa será, em princípio, a mais decisiva de todas. A etapa 6 e última, que será feita numa espécie de circuito e, provavelmente, terá um final ao sprint, mostrará que, no final de tudo, este tipo de provas não são consideradas “brincadeiras de início de ano” e servem como “montra” para uns e “grande objetivo” para outros.

Espera-se uma corrida bastante disputada e, curiosamente, os dois maiores candidatos ao lugar mais alto do pódio são os dois que disputaram esta prova, no ano passado, até ao fim: Simon Gerrans (o vencedor em título) e Richie Porte (o vice-campeão de 2015).

O australiano da Orica sabe bem o que é ganhar esta corrida, visto que já o fez por 4 ocasiões e é daqueles ciclistas que aproveita muito bem o tipo de oportunidades em que existem segundos de bónus à espreita em algumas partes da corrida. Ainda assim, terá de lidar, na própria equipa, com a imensa qualidade do jovem colombiano Chaves e com as aspirações dos sprints da equipa a estarem ao cargo do jovem prodígio Ewan.

Já o ciclista australiano da BMC terá aqui uma excelente oportunidade de vencer um título que lhe escapou por pouco na edição passada. Em perspetiva, a etapa rainha irá assentar-lhe da melhor forma, mas Porte não poderá distrair-se em qualquer uma das outras etapas, principalmente aquelas ao sprint, porque poderão existir cortes e/ou quedas. Conta com um grande ajudante (será?) no também australiano Rohan Dennis.

A equipa da Sky, que costuma apresentar na maior parte das provas com um elenco acima da média, volta a ter um dos potenciais vencedores deste Tour Down Under. O colombiano Henao foi terceiro, em 2015, sendo que é dos candidatos mais seguros a estar no pódio. Terá um excelente apoio por parte de Geraint Thomas (é esperar para ver se só será “apoio” ou teremos também o britânico como concorrente), Luke Rowe e Ian Stannard. Também será dos maiores beneficiados com a etapa 5.

Simon Gerrans venceu em 2016 Fonte: Simon Gerrans
Simon Gerrans venceu em 2016
Fonte: Simon Gerrans

Até há bem pouco tempo, o nome de Michael Woods era pouco conhecido no mundo do ciclismo, principalmente entre os adeptos da própria modalidade. A verdade é que o ano passado foi o ano da sua revelação e este ano espera-se muito mais da sua parte. Veremos se consegue já exceder as expetativas neste TDW e se conseguirá um lugar no pódio.

Para acrescentar aos já mencionados, temos mais alguns nomes a ter em conta: Nathan Haas, LL Sanchez, Jesus Herrada, Robert Gesink, Jay McCarthy, Carlos Barbero, Diego Ulissi, Domenico Pozzovivo, TJ Slagter, Jarlinson Pantano, Cameron Meyer, Gianluca Brambilla, Rafael Valls, Peter Vakoc ou Wilco Kelderman, entre outros…sendo que os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves, da Katusha, também poderão ter uma palavra a dizer numa ou noutra etapa (já o terceiro português da lista, Rúben Guerreiro, acredito que irá servir de bastante apoio a Pantano e a Theuns).

A luta pelos sprints será igualmente bastante interessante, sendo que o grande favorito a vencer a maioria desses sprints tem o nome de Caleb Ewan, ciclista australiano de apenas 22 anos e ainda com tanto potencial por explorar. Um dia, acredito mesmo que será o melhor sprinter do mundo. Hoje, já é dos melhores, sem dúvida. Por isso, que todos os seus “rivais” tenham cuidado em qualquer uma das etapas propícias a acabarem ao sprint.

Peter Sagan, como é claro, tem de ser outro dos grandes nomes a serem destacados nesta prova, mas a verdade é que os objetivos principais do bicampeão do mundo são outros e acredito que tente mais ganhar uma etapa do que lutar pela geral individual, por muitas capacidades que tenha para tal. Além dos 2 nomes já citados, Sam Bennett será uma força a ter em conta neste tipo de chegadas, tal como Bonifazio, Theuns, Swift, Arndt ou Renshaw. Não faltará qualidade quando estivermos nesse tipo de etapas.

Após isto…que se abram as cortinas e comece, finalmente e novamente, este espetáculo!

Foto de capa: Tour Down Under

Nuno Raimundo

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