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O início de temporada está aí à porta, com a maioria das equipas em estágio, sobretudo em Espanha, e a preparar as provas que se avizinham. Algumas formações e ciclistas já divulgaram os seus planos para 2021.
A primeira fase do ano é crucial na organização das equipas, e é uma altura em que o calendário dos corredores começa a ser divulgado. A Jumbo-Visma, por exemplo, se tudo correr bem, deverá voltar a apostar em força no Tour de França. Depois de Primoz Roglic ter estado perto da vitória na classificação geral, a equipa holandesa vai tentar chegar à conquista da prova. Roglic será acompanhado por Steven Kruisjwijk, Tom Dumoulin, Sepp Kuss e Wout Van Aert, um superbloco!
A Astana Pro Team divulgou, na apresentação oficial da equipa, algum do planeamento para 2021. O dinamarquês Jakob Fuglsang, Alexey Lutsenko e Ion Izaguirre irão alinhar à partida na Volta a França. O dinamarquês Fuglsang estará de olho nas clássicas das Ardenas e nas provas de uma semana, assim como Izaguirre. Lutsenko irá fazer grande parte do calendário de clássicas do pavé e depois ajudar nas Ardenas. Aleksandr Vlasov irá liderar a equipa no Giro de Itália, mas antes passará pelo Tour de la Provence, Volta ao Algarve, Paris-Nice e Tour of the Alps.
A UAE Team Emirates tem estado a estagiar nos Emirados Árabes Unidos, sede da equipa e também já vazou alguma informação sobre o calendário dos corredores. Esta temporada, Fernando Gaviria irá à Volta a Itália para lutar pelos sprints, enquanto que Davide Formolo e Brandon Mcnulty irão tentar intrometer-se na geral. Tadej Pogacar, Alexander Kristoff e Marc Hirschi serão as cartas da equipa no Tour, na tentativa de revalidar o título do esloveno. Com Pogacar, David de la Cruz e Matteo Trentin a serem as principais cartas para a Vuelta. Rui Costa irá alinhar e liderar, sobretudo, em provas de uma semana, incluindo na Volta ao Algarve, “tudo indica que estarei na Volta à Comunidade Valenciana. Depois, segue-se a Volta ao Algarve, e depois Paris-Nice. Sobre grandes Voltas, o Giro posso deixar de lado, não estarei presente. O Tour ainda é uma incógnita e a Vuelta também não sei ao certo. A estratégia da equipa passa por apostar em mim nas corridas de uma semana, até mesmo nas clássicas de um dia”, referiu Rui Costa. O gaiense Ivo Oliveira tem no calendário a sua participação na Volta ao Algarve, nas clássicas belgas, Tirreno Adriático, Tour da Romandia, Critérium du Dauphiné e Tour de França, para ajudar Kristoff nos sprints, e no terreno plano, na ajuda ao seu líder Pogacar. Rui Oliveira deverá estar presente no Giro e no bloco das clássicas da equipa.
A Deceuninck-QuickStep vai tentar ser a equipa mais vitoriosa, como tem sido nos últimos anos. Remco Evenepoel e Fabio Jakobsen já treinam, mas ainda condicionados, devido às mazelas obtidas nas quedas, no Giro da Lombardia e no Tour da Polónia, respetivamente. Evenepoel irá apontar ao Giro de Itália, prova que era para ter feito este ano, não fosse o azar, sendo bem substituído pelo português João Almeida, que acabou por fazer um brilharete. Julian Alaphilippe será a carta para a Volta a França. João Almeida deverá ter o seu “spotlight” na Vuelta. “O foco agora é a Vuelta. O que fiz no Giro do ano passado foi muito bom, mas já ficou para trás. Correu muito bem, sim, mas agora ainda há mais pressão e exigência e eu sou o primeiro a exigir mais de mim próprio”, referiu o ciclista caldense na conferência de imprensa. O sprinter irlandês Sam Bennett veio a público dizer que vai focar-se em provas de um dia, e depois na camisola verde do Tour.
A AG2R Citroen Team deverá dar mais oportunidades ao luxemburguês Bob Jungels, para liderar a equipa em provas de uma semana, Paris-Nice, Volta a Catalunha, Critérium du Dauphiné, e nas clássicas (Ardenas). Provavelmente será um dos corredores que irá ao Tour. Uma equipa talhada para as clássicas, de momento, e que tem grandes esperanças de resultados em nomes como Greg Van Avermaet, Oliver Naesen, Benoît Cosnefroy, Nans Peters e Marc Sarreau. Uma das figuras, Cosnefroy, ainda se encontra a recuperar de uma lesão no joelho.
No planeamento de calendário da equipa francesa Groupama-FDJ, a grande novidade é a exclusão do nome de Thibaut Pinot para o Tour, uma prova muito querida para o corredor, mas na qual tem sempre vacilado. Pinot irá ao Giro, enquanto que Arnaud Démare será o líder da equipa no Tour, com um comboio a rigor para liderá-lo. Curiosamente, o principal escudeiro de Pinot na montanha, David Gaudu, irá estar presente no Tour. “Não sei se ele alguma vez irá ganhar o Giro de Itália, não sei se vai ganhar o Tour de França um dia, mas tenho a certeza de que vai dar tudo para que aconteça”, disse Marc Madiot (manager) sobre Pinot. “Contanto que ele tenha um número nas costas, ele irá dar tudo o que puder para isso, acrescentou Madiot. O sprinter francês Démare conquistou a camisola dos pontos na Volta a Itália deste ano, e com toda a certeza, irá tentar vencer a camisola verde no Tour.
Quadruple vainqueur d’étape sur le Giro 2020, Arnaud Démare fera en 2021 son retour sur le Tour de France avec beaucoup d’ambition. pic.twitter.com/aWxkdxFmLu
— Équipe Cycliste Groupama-FDJ (@GroupamaFDJ) January 19, 2021
A equipa Bahrain-Victorious irá contar com um trio de interessante para as clássicas, com Teuns, Colbrelli e Mohoric a encabeçarem a lista de nomes. A falta de referências para liderar nas clássicas abre uma janela de oportunidade para vários corredores. Jack Haig e Wout Poels serão nomes importantes para as clássicas das Ardenas. Mikel Landa quer focar-se nas Grandes Voltas, tendo apontado o Giro de Itália como o principal objetivo, e depois, quem sabe, marcar presença no Tour para almejar uma boa classificação.
A equipa Trek-Segafredo irá dispor de um bloco bem composto para ajudar Mads Pedersen e Jasper Stuyven nas clássicas. Vincenzo Nibali e Bauke Mollema deverão correr no Giro e no Tour. O “tubarão de Messina” deverá regressar a Portugal este ano, para correr a Volta ao Algarve. Giulio Ciccone deverá estar presente nas clássicas italianas, no Tirreno Adriático, Giro e Vuelta.
A Bora-Hansgrohe deverá levar Peter Sagan, novamente, ao Giro e ao Tour. Pascal Ackermann estará com expetativas para a sua primeira participação no Tour. Antes, o ciclista alemão deverá competir na Volta a Valenciana, Clássica de Almería, UAE Tour, Paris-Nice e Milan-Sanremo. Emanuel Buchmann fará as honras, no que toca à luta pela geral, no Giro. Wilco Kelderman, o novo reforço, deverá liderar no Tour.
A equipa Cofidis conta com Elia Viviani para a Volta a Itália, mas antes espera-se que tenha um calendário bastante preenchido, com Volta à Comunidade Valenciana, UAE Tour, Tirreno Adriático, Milan-Sanremo e algumas clássicas. No entanto, o ciclista italiano, a estagiar em Espanha, notou anomalias cardíacas nos dados recebidos por um dispositivo eletrónico colocado na bicicleta. O ciclista abandonou os treinos e comunicou ao seu médico, onde teve de realizar exames médicos. Guillaume Martin deverá ser a principal arma para discutir uma classificação geral de uma Grande Volta, com o Tour à vista.
A EF Education-Nippo vê em Alberto Bettiol um nome de valor para as clássicas. Michael Valgren, Jens Keukeleire e Magnus Cort são nomes importantes também e que podem surpreender. Para a geral, Rigoberto Urán e Hugh Carthy são os ciclistas que sobressaem. Com Sergio Higuita a ser uma carta válida para provas de uma semana. O vencedor da camisola da montanha do Giro, Ruben Guerreiro, pode aparecer sempre, sobretudo em jornadas de média montanha. Ruben deverá fazer a sua primeira prova da época nos Emirados, no UAE Tour.
A equipa Intermarche Wanty Gobert apresenta um dos plantéis mais fracos para competir ao mais alto nível do ciclismo. Uma equipa que pode, sobretudo, chegar aos bons resultados nas clássicas belgas. Danny Van Poppel será o principal sprinter, seguido de Jonas Koch, Riccardo Minali e Andrea Pasqualon. A equipa belga não dispõe propriamente de um líder para a geral, mas Jan Hirt e Louis Meintjes deverão ser aqueles que dão mais garantias. Jan Bakelants e Rein Taaramae acrescentam experiência à equipa, que se estreia no WorldTour. O sul-africano Meintjes deverá estar presente no Tour.
First training block finished in Spain 🌞
Intervals for our climbers and sprint training for our sprint trains were on the menu during our first 3 days
📷 @cyclingmedia_ag #IWG pic.twitter.com/SSin2C7jdE
— Intermarché-Wanty-Gobert (@IntermarcheWG) January 15, 2021
A Ineos Grenadiers tem tantos ciclistas capazes de competir e lutar pelo top dez em Grandes Voltas, que até fica difícil escolher. No entanto, os planos dos ciclistas ainda não foram divulgados. Egan Bernal disse, em entrevista, que gostaria de alinhar no Giro de 2021, enquanto que Tao Hart quererá tentar revalidar o título de campeão. Geraint Thomas deverá correr o Tour, enquanto que Carapaz ainda é uma incógnita. Adam Yates, Richie Porte, Daniel Martínez e Laurens de Plus são aquisições de luxo para a montanha, vamos ver onde se encaixam. Filippo Ganna será uma bala nos contrarrelógios em que participar. Curiosidade para ver o neo-pro Thomas Pidcock no WorldTour.
A Israel Start-Up Nation conta com Chris Froome nas suas fileiras em 2021. O general Manager da equipa, Kjell Carlstrom, afirmou que o britânico deverá ser a aposta no Tour, assim como Daniel Martin: “tudo tem de correr bem, mas a ideia é que Chris será o nosso líder no Tour de França, mas ao mesmo tempo o Dan mostrou grande maturidade. Algumas equipas têm três líderes com potencial para lutar na geral do Tour, então, não seria mau ter pelo menos dois corredores com potencial para lutar pelo pódio. É uma boa tática.” A equipa reforçou-se em todos os campos, com Michael Woods a ser o reforço sonante para as clássicas e média montanha. Carl Fredrik Hagen e Daryl Impey são mais dois nomes com experiência e para ajudar os líderes. Impey deverá ter as suas oportunidades na média montanha, nas chegadas mais seletivas. Nas clássicas do empedrado, a equipa reforçou-se com Sep VanMarcke, um grande reforço.
Onward and upward in 2021
Chris Froome: “This is a long-term commitment for me. And I want my fifth Tour title.”
Dan Martin: “We can become a stronger team together.”
Co-owner Sylvan Adams: “More than a cycling team, we are a project.”
Read: https://t.co/6Zdmun7DBn#YallaISN
— Israel Start-Up Nation / Israel Cycling Academy (@TeamIsraelSUN) January 18, 2021
A Lotto Soudal, uma equipa de veterania e juventude, tem como principal arma para 2021 os sprints de Caleb Ewan, que já fez uma afirmação: ” O meu grande objetivo para 2021 é vencer etapas nas três grandes Voltas, no mesmo ano. Até ao momento, não houve muitos ciclistas a fazer isso na história do ciclismo, então esse é o meu grande objetivo”. A equipa apresenta-se com ciclistas muito combativos e caçadores de etapas, como Thomas de Gendt e Tim Wellens, que são corredores que podem conseguir bons resultados a qualquer momento. Para as clássicas, a equipa belga faz uso dos experientes Philippe Gilbert e John Degenkolb, corredores com um palmarés invejável.
A Movistar Team continuará sobretudo a correr para as classificações gerais. Enric Mas é um corredor cada vez mais importante dentro da equipa e deverá corresponder isso no Tour, acompanhado pelo novo reforço Miguel Ángel López. Valverde deverá ficar com a competição “caseira”, em Espanha, competindo na La Vuelta. Iván García Cortina foi uma contratação muito boa para a formação de Eusebio Unzué, sendo ele uma das jovens promessas do ciclismo espanhol, com uma boa ponta final para dias mais duros, e com estaleca para lutar por bons lugares nas clássicas do pavé. Nélson Oliveira deverá alinhar no Giro.
A Team BikeExchange perdeu uma das suas pérolas, Adam Yates, para a Ineos Grenadiers, no entanto, o seu irmão permanece nas fileiras e, ao que parece, estará nos planos correr tanto o Giro como o Tour. Antes disso, o britânico corre na Volta à Comunidade Valenciana e no Tirreno Adriático. Espera-se o salto de Lucas Hamilton para ajudar Simon nas etapas mais duras. A equipa conta ainda com Tanel Kangert, Esteban Chaves e Mikel Nieve na ajuda para a montanha. Luka Mezgec e o regressado Michael Matthews tomarão conta das chegadas mais rápidas. Matthews deverá ser a aposta no Tour e nas clássicas mais importantes para os sprinters.
A Team DSM apresenta-se com Romain Bardet como “cabeça de cartaz” para 2021. O francês será o principal líder para as Grandes Voltas, depois da saída de Kelderman. Depois da prestação de Jai Hindley no Giro deste ano, a equipa deverá dar-lhe a chance que ele merece numa Grande Volta. Soren Kragh Andersen continuará a ser um ciclista capaz de dar resultados quando menos se espera, seja em clássicas ou média montanha. Para as clássicas, o nome que sobressai é o de Tiesj Benoot. Nos sprints, a equipa conta com Cees Bol, Alberto Dainese e Max Kanter. A saída do suíço Marc Hirschi foi um rude golpe para a formação alemã, sendo que ele foi um dos principais destaques da temporada transata. Vamos ver como se desenvolve o jovem prodígio norueguês Andreas Leknessund.
Sunshine and smiles at team camp ☀️ pic.twitter.com/9ntDmfYJB9
— Team DSM (@TeamDSM) January 18, 2021
A equipa sul-africana Qhubeka ASSOS, antiga NTT, sofreu uma debandada de ciclistas e teve de reformular a equipa. Giacomo Nizzolo continuará a ser a principal figura, pois é um dos nomes mais regulares a dar bons resultados, nos sprints neste caso. Domenico Pozzovivo e Aru serão os homens a lutar pela classificação geral em provas por etapas. Max Walscheid será também aposta para chegadas ao sprint. Victor Campenaerts será o nome principal para o contrarrelógio. Simon Clarke e Killian Frankiny são duas boas adições para a média montanha. É uma equipa que peca por falta de profundidade e qualidade nos vários setores. Giacomo Nizzolo afirmou que tem nos seus planos correr as primeiras clássicas belgas, Milan-Sanremo, o Giro e o Tour de França.
Foto de Capa: Deceuninck Quick-Step












