Publicidade

Portugal: O país onde as mulheres não andam de bicicleta?

José Baptista · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

A Federação Portuguesa de Ciclismo já anunciou os representantes nacionais para os Mundiais de Ciclismo de Estrada a disputar em Innsbruck na Austria. No total, serão 12 os portugueses a enfrentar um dos mais seletivos Mundiais de que há memória: Nelson Oliveira, Ruben Guerreiro, Rui Costa, Tiago Machado e Domingos Gonçalves em Elites, André Carvalho, Gonçalo Carvalho, João Almeida, Tiago Antunes e Ivo Oliveira em Sub 23 e Guilherme Mota e Afonso Silva em Júniores.

Certamente o leitor reparou que todos estes nomes são masculinos e estará neste momento a perguntar-se se em Portugal não há mulheres a praticar ciclismo. Não tema. Não só as há, como este ano temos um número recorde de três ciclistas femininas a correr no estrangeiro em equipas UCI. O que, realmente, só nos faz questionar ainda mais esta decisão da Federação.

Olhando para o panorama nacional, o ciclismo feminino nunca esteve tão vivo e há várias ciclistas que bem mereciam esta experiência, até porque a dureza e competitividade dos Mundiais seria uma excelente aprendizagem para atletas com muito poucas oportunidades de se testarem contra as melhores da modalidade.

Soraia Silva é uma das jovens promessas nacionais
Fonte: José Baptista/Bola na Rede

A campeã nacional absoluta Daniela Reis tinha aqui um percurso que lhe assentava melhor que as edições mais recentes e, por isso, Portugal teria todas as condições para, através dela, obter um resultado aceitável tanto no crono como no fundo, como ainda há pouco provou com os seus 4.ºs postos em ambas as provas nos Jogos do Mediterrâneo.

Nas Elites, entre Liliana Jesus, que este ano até disputou algumas provas no País Basco, Marta Branco cuja regularidade foi um dos destaques da Taça de Portugal ou a veterana Celina Carpinteiro, medalhada de bronze nos nacionais, pelo menos uma delas poderia ser recompensada e ir à Austria para dar apoio à Daniela Reis na prova de fundo.

No escalão Sub23 (que em femininos não têm Mundial próprio, pelo que também correriam em Elites), as duas grandes promessas nacionais, Maria Martins e Soraia Silva, ambas da Sopela Team, não se adaptam ao percurso tão acidentado, mas beneficiariam bastante, especialmente Maria, de participar no contrarrelógio, onde já mostraram algum potencial.

Eider Merino vence uma etapa do Tour de l’Ardeche: em Espanha, a Federação faz um esforço para apoiar as atletas
Fonte: Vélofocus/Movistar Team

Para fazermos a comparação, a Federação Espanhola, que tem muito menos necessidade disso, porque em Espanha há várias equipas UCI e um calendário muito mais alargado, não deixa de aproveitar as oportunidades para dar mais experiência às suas atletas e ainda recentemente esteve com seis ciclistas no Tour de l’Ardèche, onde disputou a corrida.

Por tudo isto, é inaceitável esta postura da Federação Portuguesa de Ciclismo que não pode pregar o desenvolvimento do ciclismo feminino, mas falha nestes momentos. E se o problema for financeiro, então aí tem de reivindicar e não assobiar para o lado e agir como se não houvesse nada de errado com esta lista de convocados.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ciclismo

José Baptista

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
La Liga

Quem vive do passado é che | Valência

Para os adeptos do Valência, os che, o virar do milénio foi sinónimo de coleccionar quadros bonitos para mais tarde apreciar. No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o Valência encheu a vitrina: uma Taça do Rei, uma Supertaça de Espanha, dois campeonatos, uma Taça UEFA e uma Supertaça Europeia. Importa referir que, embora não tenha vencido, disputou duas finais consecutivas da Liga dos Campeões, sendo derrotado primeiro pelo Real Madrid, depois pelo Bayern de Munique. Em campo brilharam nomes como Santiago Cañizares, David Albelda, Pablo Aimar, Rubén Baraja e Gaizka Mendieta; já no banco, Claudio Ranieri, o futuro obreiro do conto de fadas em Leicester, plantou as sementes que Héctor Cúper e Rafael Benítez souberam regar e transformar em frutos.

Ailton Pereira · 3 min de leitura
Ler a crónica
Seleção Nacional

5 jogadores que mais se destacaram com Jorge Jesus na Seleção Nacional

Os primeiros quatro jogos de Jorge Jesus ao comando da Seleção Nacional permitiram perceber quais os jogadores que melhor se adaptaram às ideias do novo selecionador. Entre golos, assistências e novas dinâmicas táticas, cinco nomes destacaram-se pela influência que tiveram no rendimento da equipa e pela forma como potenciaram as suas qualidades individuais. De João Félix a Rúben Neves, passando por Gonçalo Ramos, Vitinha e João Cancelo, este é o top-5 dos jogadores que mais se evidenciaram neste arranque da era Jorge Jesus.

Miguel Costa · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.