O esloveno Tadej Pogacar venceu, este sábado, a classificação geral do UAE Tour, após concluir a última etapa sem percalços. O britânico Adam Yates terminou a prova no segundo lugar com 35 segundos de atraso, e o português João Almeida fechou no pódio final a 1m02s, sendo este o primeiro pódio do caldense numa geral do WorldTour.

A competição começou com uma vitória de Mathieu Van der Poel que, supostamente, não ia com grandes expetativas, mas arrebatou logo uma vitória a abrir. Foram muitos líderes e sprinters a ficar para trás no primeiro dia, devido às bordures provocadas pelo vento. Tadej Pogacar, Adam Yates, Chris Harper e João Almeida foram dos únicos a passar, juntamente com alguns sprinters. No final foi Van der Poel a vencer, com David Dekker (Jumbo-Visma) em segundo lugar, e Michael Morkov a fechar no último lugar do pódio.

No segundo dia, um contrarrelógio-individual de 13 quilómetros, o campeão do mundo Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) arrecadou a vitória, com Stefan Bissegger (EF Education-Nippo) a ficar a 14 segundos, e Mikkel Bjerg (UAE-Team Emirates) a 21 segundos. Pogacar foi o melhor dos homens da geral, a 24 segundos. João Almeida terminou a 30 segundos, na sexta posição. No final da etapa, o esloveno passou para primeiro, com 5 segundos de vantagem sobre o português.

Antes do contrarrelógio, foi notícia o abandono da equipa Alpecin-Fenix da competição, devido a um caso de covid num elemento do staff da equipa. A equipa em conjunto com a organização decidiram que o abandono de todos os elementos era a melhor decisão, para permitir a segurança da corrida e dos seus intervenientes. Mathieu Van der Poel era o líder da prova, mas teve de abdicar da liderança e da sua camisola vermelha, passando esta para David Dekker, à partida para o contrarrelógio.

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Na terceira etapa, o esloveno Pogacar venceu na famosa subida de Jebel Hafeet, numa luta contra Yates. Almeida chegou num segundo grupo a 48 segundos, juntamente com Higuita, Emanuel Buchmann e Harm Vanhoucke. Adam Yates subia à segunda posição da geral, agora a 43 segundos de Pogacar, e João Almeida caía uma posição, passando para terceiro a 1m03s.

Ao quarto dia assistimos à primeira vitória de Sam Bennett na presente temporada, à frente de David Dekker e Caleb Ewan. O irlandês a corresponder bem, na sua primeira chegada em grupo da temporada. Na quinta tirada, o dinamarquês Jonas Vingegaard venceu na subida a Jebel Jais. Pogacar e Adam Yates ficaram a marcar-se mutuamente, e terminaram na segunda e terceira posição, respetivamente, a 3 segundos do homem da Jumbo. João Almeida terminou na quinta posição, a seis segundos. A extensão da subida era grande, mas as diferenças de tempo foram poucas, não mudando praticamente nada no panorama dos dez primeiros. Os ciclistas que queriam lutar pelos primeiros lugares deviam de ter aproveitado esta etapa, sendo que era a última oportunidade para ganhar tempo e subir na geral.

As últimas duas etapas estavam destinadas para a disputa entre sprinters. A sexta etapa acabou num bis de Sam Bennett, após um lançamento e colocação fenomenal do dinamarquês Michael Morkov. Elia Viviani terminou na segunda posição, seguido por Pascal Ackermann no terceiro lugar.

Ontem correu-se a última etapa, com o australiano Caleb Ewan a conseguir superiorizar-se em relação à concorrência, após ultrapassar Sam Bennett nos últimos metros. Phil Bauhaus terminou no último lugar do pódio. Com cerca de 40 quilómetros para o fim, foram vários os ciclistas a ir ao chão, entre eles o britânico Adam Yates, que ficou bastante maltratado, sendo encaminhado para o hospital depois de concluir a prova. O seu colega Dani Martinez também caiu e nem sequer concluiu a etapa. Na geral, não houve alterações nos primeiros da classificação.

João Almeida obteve assim o seu primeiro pódio numa classificação geral do WorldTour, mas será o primeiro de muitos com certeza. Fez uma corrida sempre nos primeiros postos, consistente e quando teve de puxar para ir agarrar os da frente não se escondeu. Acabou em terceiro da geral e só não venceu a juventude porque Pogacar também entrava nas contas.

Foi uma prova interessante, com alguns nomes a reaparecerem e outros a serem uma agradável surpresa. É bom ver Elia Viviani nos primeiros postos. Um Chris Harper (Jumbo-Visma) e um Neilson Powless (EF Education-Nippo) a um nível acima do acostumado. Estamos a falar do quarto e quinto classificados.

Os sprints de David Dekker foram algo surpreendentes, acabando mesmo por vencer a camisola dos pontos. Boa nota ainda para os sprints do jovem australiano da equipa BikeExchange Kaden Groves e para o contrarrelógio de um menino prodígio chamado Stefan Bissegger, que apenas perdeu para Filippo Ganna!

Phil Bauhaus parece dar-se bem com as Arábias, apesar de não ter ganho, fechou por duas vezes no top dez. No ano passado venceu duas etapas no Saudi Tour e a geral. Em 2019, somou alguns top dez, e em 2018 venceu uma etapa no UAE Tour, na altura denominado de Abu Dhabi Tour.

Para além destes nomes, apareceu um rapaz chamado Mattias Skeljmose Jensen da Trek-Segafredo, que poucos terão ouvido falar dele. Sem se dar por ele, o dinamarquês de 20 anos conseguiu terminar no sexto lugar da geral, a 2m37s de Pogacar.

Em suma, parece que Sam Bennett vai embalar para mais uma temporada recheada de vitórias, com o seu lançador preferido a abrir caminho. Pogacar ganhou com relativa facilidade o UAE Tour. Não teve grandes esforços, limitando-se, praticamente, a marcar Adam Yates. Faltaram os ataques e as forças dos oponentes nas etapas de montanha. O esloveno é um ciclista muito completo, excelente na alta montanha, com grande contrarrelógio e com uma boa capacidade de sprint em grupos muito restritos, o que o torna um alvo a abater por parte de quem quer ganhar. No UAE Tour, a sua equipa corria em casa e havia obrigação de fazer boa figura perante os patrocinadores. Fernando Gaviria não correspondeu nos sprints, mas Pogacar chegou, viu e venceu, mas sem muita exuberância.

Foto de Capa: UAE Team Emirates

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