Talento lusitano na melhor equipa do mundo – Entrevista a Nuno Bico

- Advertisement -

BnR: A tua antiga equipa, a Klein Constantia acabou. O que é que mais te marcou nesta equipa checa?

NB: Sobretudo a relação que tínhamos uns com os outros. Havia uma variedade de nacionalidades enorme e passámos muito tempo todos juntos. Antes da temporada começar tivemos três estágios, normalmente duas semanas cada um, e deu para estarmos todos muito uns com os outros e conviver e isso fez com que se criasse um laço muito forte, ainda hoje. Isso traduziu-se depois nas corridas, na nossa dominância durante esse ano. Estávamos todos dispostos a sacrificarmo-nos uns pelos outros e isso foi muito bom. Os estágios foram muito bons para treinar e também para esses criar laços.

BnR: E tens pena que a equipa tenha acabado?

NB: Tenho pena não porque quisesse continuar, porque já esperava subir de escalão, mas tenho pena pela geração de ciclistas que aí vem não ter a hipótese de estar dentro de um projeto tão bem organizado e estruturado como foi a Klein.

Nuno Bico representava a Klein Constantia Fonte: Klein Constantia
Nuno Bico representava a Klein Constantia
Fonte: Klein Constantia

BnR: Desde cedo que começaste a fazer alguns sacrifícios em prol do ciclismo. Como é que vês agora essa fase da tua vida onde eras mais novo, mas já tão decidido quanto à tua carreira?

NB: Acho que estou muito mais descontraído. Temos de errar para começar a aprender. Na altura era demasiado focado, sem ter a necessidade porque era júnior e o que importava era principalmente disfrutar a bicicleta do que propriamente os resultados. Mas eu sempre encarei qualquer escalão com profissionalismo. Trabalhava arduamente e naquela idade era um choque muito maior porque estávamos na idade das saídas e normalmente eu dedicava esse tempo aos treinos.

BnR: Mas estás arrependido ou achas que foi melhor até porque já estavas de alguma maneira num ritmo elevado?

NB: Agora vejo que que tudo valeu a pena, claro. Se o caminho veio dar aqui é porque é o caminho certo, mas se calhar tinha tomado as coisas com mais tranquilidade.

BnR: Há uns tempos tinhas nas tuas redes sociais: “work so hard that one day your signature will be an autograph”, agora que já alcançaste isso qual é o teu próximo objetivo?

NB: Bem, agora já estou no escalão máximo mas ainda estou no fundo da hierarquia. Tenho de continuar a trabalhar e a evoluir para subir nesta hierarquia e um dia poder ser uma das pessoas mais importantes da equipa.

BnR: Disseste em entrevista à Movistar que preferes uma vitória de grupo. Triunfo coletivo, é o que te dá mais prazer no ciclismo?

NB: Quem está fora do ciclismo às vezes não consegue entender isto muito bem. Depende da corrida que for, mas vamos supor que há nove ciclistas, e há dois ou três que são muito bons e que podem ganhar mas que por vezes não se ajudam e acabam por fazer 2º, 3.º e 4.º; se calhar, se um deles abdicasse de fazer top 10, a equipa conseguia fazer o 1º lugar. Era o que se passava na Klein. Conseguíamos trabalhar de uma maneira onde a vitória era a prioridade porque é o que realmente consegue motivar toda a gente, desde os diretores aos massagistas. Toda a gente fica com o sentimento de que trabalhou bem. Isso é muito importante para uma boa relação dentro de uma equipa, o que resulta em mais vitórias e transforma-se num ciclo.

BnR: E preferes traçar objetivos a curto ou a longo prazo?

NB: Acho que tens que ter um objetivo a longo prazo, mas também tens de ter etapas pelo caminho para teres foco, senão vais estar sempre muito disperso e a adiar o teu trabalho e isso não pode acontecer. Tens de pensar nos dois futuros, no mais distante e no mais próximo para estares mais motivado.

Cátia Borrego
Cátia Borregohttp://www.bolanarede.pt
A Cátia está habituada a que façam piadas com o seu nome. Aos 14 anos comprou uma égua lusitana com o dinheiro que poupou durante 3 anos. Agora consegue pôr a família toda a ver snooker. Já tentou ir duas vezes a Inglaterra ver o campeonato do mundo mas "é mais fácil receber uma carta para Hogwarts" do que arranjar bilhetes.                                                                                                                                                 A Cátia escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Carlos Queiroz estreia-se no 5º Mundial da carreira com vitória nos descontos contra o Panamá carimbada por alvo do FC Porto e Gana vence...

O Gana de Carlos Queiroz não foi além do empate contra o Panamá. Jogo encerrou primeira jornada do Grupo L do Mundial 2026.

Grátis, em canal aberto e não só: onde ver todos os jogos do Mundial 2026 nesta quinta-feira, 18 de junho?

O Mundial 2026 continua com quatro partidas por dia. Sabe onde ver os jogos da noite (e madrugada) desta quinta-feira, 18 de junho.

Liverpool rouba negócio ao Newcastle e garante reforço que está no Mundial 2026 com a Espanha por 40 milhões de euros

Víctor Muñoz prepara-se para reforçar o Liverpool. Reds desviaram o extremo espanhol do Newcastle e vão contratar o jogador.

Ricardo Quaresma faz pedido insólito a João Félix: «Diz ao teu treinador para te meter mais vezes»

Ricardo Quaresma comentou a estreia de Portugal em conversa com João Félix. Antigo internacional português deixou recado a Roberto Martínez.

PUB

Mais Artigos Populares

Pedro Proença reage ao empate de Portugal na estreia no Mundial 2026: «A nossa convicção mantém-se intacta»

Pedro Proença reagiu ao empate da Seleção Nacional na estreia no Mundial 2026, mantendo a ambição e agradecendo o apoio dos adeptos.

Benfica vence Sporting por 5-2 no Pavilhão João Rocha e fica a um passo do título de hóquei em patins

O Benfica derrotou o Sporting, no Pavilhão João Rocha, por 5-2 e ficou a uma vitória do título de hóquei em patins.

Roberto Martínez enaltece empenho dos jogadores após empate frente ao RD Congo: «A atitude é extraordinária e acredito muito no que podemos fazer»

Roberto Martínez reconhece a necessidade de autocrítica após o empate de Portugal, mas mantém total confiança na atitude da equipa.