Tour de France 2016: O domínio de Froome e da Sky

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Chegava-se, assim, à última etapa antes de Paris, e eis que voltamos a ter uma Sky bastante controladora, mau tempo e um Froome que mostrou que estava recuperado da queda do dia anterior. Os ciclistas da classificação geral mostraram que preferiam fazer um jogo mais “seguro” do que “arriscar” naquelas condições. E assim foi; poucos ataques e pouca oposição à “armada” da Sky.

Na frente da corrida, estava mais uma fuga e mais uma possível vitória para um homem que estivesse nela. Rui Costa voltou a tentar, mas voltou a não conseguir cortar a meta em primeiro lugar, infelizmente. Bem tentou, ao longo do Tour, mas não teve a mesma sorte que em anos anteriores. Ficou em quinto na etapa, atrás de Alaphilippe (que grande Tour de mais uma excelente promessa – agora, confirmação – francesa!), que foi quarto classificado, e de Nibali, que foi terceiro. O “Tubarão” levou uma dentada quando menos se previa… A descer!

É verdade: Jarlinson Pantano e Ion Izaguirre, os seus “companheiros de descida”, levaram a melhor sobre um dos ciclistas que mais bem desce no pelotão e conseguiram deixar o vencedor do Giro fora da luta pela etapa, na parte final. Izaguirre, o espanhol da Movistar, deu a primeira vitória aos espanhóis nesta prova e também a primeira vitória à sua equipa. Desceu muito bem, melhor até do que provavelmente se esperava, e conseguiu vencer um Pantano que voltou a terminar em segundo (muito bom Tour por parte do colombiano da IAM, sem dúvida).

Pantano foi uma boa surpresa no Tour Fonte: Tour de France
Pantano foi uma boa surpresa no Tour
Fonte: Tour de France

No meio disto tudo, o pelotão com os favoritos tentava aproximar-se da frente da corrida, tendo a Astana tido um papel importante nisto tudo e que, no final, se veio a revelar uma má jogada, visto que acabaram por ficar com Fábio Aru a ter um mau dia e a sofrer para chegar ao fim da etapa, perdendo bastante tempo e saindo, inclusive, do top’10, logo no último dia para se marcar diferenças e onde se esperava que o italiano tivesse um papel importante nesse aspeto. Além disto, Roman Kreuziger conseguiu entrar na fuga e ganhar tempo suficiente para entrar no top’10. Grande etapa para o homem da Tinkoff, que, provavelmente, só assim conseguiria entrar nos 10 melhores e fê-lo de uma forma bastante boa.

A verdade é que o mau tempo também estragou um pouco as “ambições” dos favoritos, sendo que a maioria optou por conservar o seu lugar. Joaquin “Purito” Rodriguez foi a exceção. O espanhol da Katusha, no seu último Tour, quis dar uma última prova (como se fosse preciso, claro) de que merece ficar num lugar entre os grandes do ciclismo, principalmente deste século. Não teve receio de atacar e, graças a isso, conseguiu um lugar no top’10 (mais propriamente, em 7.º) e despediu-se quase da melhor forma desta prova mítica. Faltou apenas uma vitória em etapa, que poderia ter chegado no dia anterior, não fosse o movimento arrojado de Bardet.

Após tudo isto, era altura de descansar, festejar, parabenizar, etc… 21 dias de plena Volta à França terminavam ali, em Paris, numa etapa bastante bonita de se ver (tal como muitas que existem neste Tour) e bastante simbólica. Além de todos os festejos iniciais, era a última oportunidade para um sprinter – ou, quem sabe, um “fugitivo de última hora”, tal como já acontecera em (poucas) ocasiões anteriores – conseguir vencer. Todos os homens mais rápido aguentaram estas últimas montanhas para poderem ter a oportunidade de disputar uma etapa nos Campos Elísios. Um verdadeiro e incrível momento para qualquer ciclista, o facto de poder vencer ali.

Existem cada vez mais pessoas a assistir ao Tour apenas pelas paisagens Fonte: Tour de France
Existem cada vez mais pessoas a assistir ao Tour apenas pelas paisagens
Fonte: Tour de France

Antes da decisão da etapa, Tony Martin, por infelicidade, teve de abandonar e não conseguiu completar este Tour. Sprinters como Bryan Coquard (um furo quando menos podia), Sondre Enger, Dylan Groenewegen ou um dos principais favoritos, Marcel Kittel, não tiveram a oportunidade de discutir a etapa, como em dias anteriores, por azares que lhes podiam ter acontecido em qualquer outra etapa menos nesta, mas a verdade é que lhes aconteceu mesmo nesta, sendo que o cansaço acumulado depois não ajudou, principalmente no caso de Kittel, que ainda conseguiu recuperar, mas já não teve capacidade para discutir o sprint no final.

A discussão da etapa foi bastante renhida entre Greipel, Sagan e Kristoff. Desta vez, e finalmente, o alemão da Lotto conseguiu vencer uma etapa e “salvar” o seu Tour, visto que tinha entrado em poucas discussões ao sprint e nas que entrou não fez a diferença como costumava fazer. Ele que costuma vencer pelo menos uma etapa no Tour e voltou a “cumprir” com isso. Peter Sagan ainda tentou, mas, por pouco, a vitória foi mesmo para o alemão, que no final celebrou efusivamente, percebendo-se que realmente aquela vitória tinha um grande impacto, principalmente pelo Tour que Greipel fez.

Tudo contado nesta parte, é tempo de vermos quais os maiores destaques, desilusões e surpresas deste Tour de France 2016.

Nuno Raimundo
Nuno Raimundohttp://www.bolanarede.pt
O Nuno Raimundo é um grande fã de futebol (é adepto do Sporting) e aprecia quase todas as modalidades. No ciclismo, dificilmente perde uma prova do World Tour e o seu ciclista favorito, para além do Rui Costa, é Chris Froome.                                                                                                                                                 O Nuno escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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