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Chris Froome, um rei em terras francesas! O britânico sagrou-se tricampeão do Tour e renovou o título do ano passado. Mais uma vez, contou com o forte apoio da sua equipa, a “imparável” Sky, que voltou a demonstrar um poderio impressionante, com homens que facilmente seriam líderes noutras equipas a resguardarem o camisola amarela e a levarem a nau a um bom porto.

Antes de irmos às considerações finais, voltemos a atenção para as etapas que se seguiram após a última atualização (feita até à 16.ª etapa, inclusive). Um grande final era aguardado para os Alpes, mas a última fase da corrida apenas serviu para confirmar quão forte estava Froome e a sua equipa.

Na 17.ª etapa, uma fuga voltou a ser feliz. Ilnur Zakarin foi o homem mais contente dessa fuga no final da etapa, pois levou consigo a vitória e deu uma tão ambicionada vitória no Tour para a equipa da qual o português José Azevedo é diretor, a Katusha. Jarlinson Pantano ficou em segundo lugar e Rafal Majka em terceiro. Em relação aos favoritos, Richie Porte e Chris Froome – uma boa definição de “rivais na estrada, mas amigos fora dela” – voltaram a mostrar que eram os melhores na montanha e ganharam mais uns segundos a toda a concorrência, parecendo que ainda corriam ambos na mesma equipa.

A etapa seguinte era de contrarrelógio e Froome, após voltar a ganhar tempo aos rivais, queria sentenciar por completo este Tour com mais uma grande prestação no CR, provavelmente aquilo que o distingue mais dos outros favoritos, pese embora a excelente qualidade que também tem nas montanhas.

Num CR montanhoso e com as caraterísticas ideias para os homens mais bem colocados da classificação geral se destacarem, eis que vimos Nélson Oliveira, Thomas De Gendt ou o inevitável Tom Dumoulin a quererem contrariar esse favoritismo. O português da Movistar acabou por terminar num modesto 21.º lugar, num CR que não o favorecia tanto como aquele em que ficou em 2.º, e o belga da Lotto conseguiu ficar entre os dez melhores da prova. Dumoulin, o vencedor do contrarrelógio anterior, até Froome terminar a prova, estava na liderança.

Foi num contra-relógio que Froome atingiu a liderança Fonte: Tour de France
Foi num contrarrelógio que Froome atingiu a liderança
Fonte: Tour de France

A verdade é que Chris Froome era o adversário que o holandês mais “temia” nesta etapa e os seus maiores receios vieram a confirmar-se. O britânico bateu o excelente tempo deixado pelo homem da Giant e bateu-o por 21 segundos. Foi uma incrível prova do ciclista da Sky e a demonstração de força e de querer por parte daquele que viria a ser o vencedor deste Tour!

Aru fez uma grande etapa e terminou no pódio, sendo que Porte e Bardet também fizeram muito bons tempos. Os restantes candidatos defenderam-se bastante bem, mas ciclistas como Mollema ou Adam Yates fizeram CRs abaixo do esperado, demonstrando, talvez, uma quebra no que tinham feito até então na prova (Daniel Martin também não fez um grande tempo, mas são conhecidas as “debilidades” do irlandês da Etixx para tais tipos de corrida, tendo ou não alguma montanha).

Chegava a etapa 19 e com ela mais uma fuga que tinha todas as condições para vingar. Rui Costa era um dos nomes presentes, mais uma vez, nesta fuga, e foi o último homem a resistir aos ataques provenientes do pelotão. Outra das notas de destaque desta etapa vai para as inúmeras quedas (devido, essencialmente, ao mau tempo), que afetaram todo o tipo de ciclistas, fossem eles gregários, homens da fuga ou até mesmo homens da geral individual.

Em relação ao fim da etapa, o português saiu na altura certa, seguindo o ataque do francês Pierre Rolland. Quando se previa que os dois se ajudassem mutuamente para chegar ao fim e discutirem a corrida entre si, eis que Rolland, devido ao tal mau tempo, cai numa curva e deixa Rui Costa sozinho, com ainda alguns quilómetros a faltarem para terminar a corrida.

Rui Costa foi um dos mais combativos do Tour Fonte: Prix Antargaz
Rui Costa foi um dos mais combativos do Tour
Fonte: Prix Antargaz

No grupo dos principais favoritos começaram a existir ataques, e Romain Bardet, numa jogada bastante ousada, mas que deu frutos no final, conseguiu alcançar Rui Costa e, depois, devido ao imenso desgaste que o português já tinha nas pernas, ultrapassá-lo para conseguir levar de vencida a primeira jornada para os franceses. Primeira vitória para a França nesta “sua prova” e vitória para um corajoso Bardet e em que a recompensa foi a sua subida ao segundo lugar da geral. O português da Lampre, apesar de não ter conseguido a vitória, conseguiu um “prémio de consolação” com a atribuição de homem mais combativo do dia!

O segundo lugar à partida para a etapa, Bauke Mollema, sofreu e perdeu o seu posto, caindo imediatamente para o décimo lugar, tendo perdido alguns minutos para todos. Também teve azar, mas não conseguiu aguentar depois o ritmo. Richie Porte também voltou a ter azar (um dos favoritos ao “prémio” de “mais azarado da prova”) e não conseguiu desferir qualquer ataque que pudesse causar perigo aos ciclistas que estavam acima dele na geral.

Entretanto, Chris Froome, numa curva e a descer, caiu igualmente e Nibali foi ao chão com ele. Para bem de ambos, não foi nada de grave; Froome teve apenas de pedir a bicicleta a um dos seus companheiros, sendo que o “sacrificado” foi Geraint Thomas, que prontamente lhe deu a bicicleta. No final da etapa, o britânico, com a enorme ajuda de Wout Poels (um excelente ciclista e colega), conseguiu minimizar as perdas e perder apenas uns segundos para os demais adversários. Adam Yates também não se mostrou no melhor das suas capacidades e passou para o quarto posto em troca com Nairo Quintana (que esteve “passivo” demais durante este Tour e deveria ter atacado por mais vezes).

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