Cabeçalho modalidadesA Vuelta a Espanha 2017, que vai na sua 72ª edição, é a última grande volta da época. Considerada por muitos adeptos do ciclismo como a prova menos importante das três grandes voltas, não deixa de ser curioso que tanto o desenho do percurso como a startlist deste ano surpreendam pela qualidade apresentada. Nomes como Froome (vencedor do Tour 2017) , Contador, Bardet, Fabio Aru, Nibali,Rui Costa, Estaban Chavez, entre outros deixam-nos esperançados para ver grandes duelos na montanha.

La Vuelta conta com um sortido variado de etapas que vai agradar a todos os adeptos de ciclismo, à cabeça está o regresso da chegada ao Angliru, mítica subida que será um inferno para muitos ciclistas!!

Começando por analisar o percurso da prova, podemos dividir as 21 etapas nos seguintes moldes, seis etapas planas, sendo que uma delas termina em subida, descartando assim alguns sprinters.

Oito etapas de média montanha, ideal para punchers e para que algum favorito tente a sua sorte, cinco etapas de alta montanha, onde destaco as chegadas a Sierra de La Pandera, Sierra Nevada e, claro, a subida ao Angliru e duas etapas de contra-relógio, um deles contra-relógio por equipas.

Perfil da etapa rainha com chegada ao Angliru Fonte: La Vuelta
Perfil da etapa rainha com chegada ao Angliru
Fonte: La Vuelta

A organização não deixou nada ao acaso e a colocação da ascensão ao Angliru na penúltima etapa será muito provavelmente onde se dará a decisão da prova. A etapa rainha conta com duas contagens de 1ª categoria, antes da subida final, subida essa com 12.5km de extensão e que terão rampas com mais de 20% de inclinação. Depois, teremos a dupla etapa 14ª e 15ª, com ascensões a Sierra de La Pandera e Sierra Nevada, que vão pôr à prova a capacidade dos líderes em atacar, ou não, nas dificuldades que se apresentam. A etapa três, com duas contagens de 1ª categoria e uma de 2ª a sensivelmente 7km da meta, também pode ser uma agradável etapa de se ver.

Posteriormente, temos as etapas de média montanha, que para mim serão as que mais espectáculo vão dar, onde a imprevisibilidade irá reinar e serão talvez as etapas onde o nosso melhor ciclista, o português Rui Costa, poderá ter grande destaque.

Por fim, os contra-relógios.

Se no prólogo inicial as diferenças serão poucas, visto que irá ser um contra-relógio por equipas, no esforço individual poderemos ter os ciclistas mais fortes a destacarem-se, e neste campo Froome leva vantagem sobre a concorrência.

Depois da vitória no Tour, Froome quer a Vuelta Fonte: La Vuelta
Depois da vitória no Tour, Froome quer a Vuelta
Fonte: La Vuelta

Virando agora agulhas para a startlist, e começando pelos homens mais rápidos do pelotão, a lista não apresenta os nomes sonantes que aparecem, por exemplo, no Tour, mas mesmo assim a luta pode ser interessante, isto porque não há um nome que se destaca dos demais. Assim, nas chegadas ao Sprint, e atendendo à forma apresentada até então, existem nomes que irão aparecer no pódio nas etapas planas, nomeadamente Magnus Cort Nielsen, John Degenkolb, Matteo Trentin, José Joaquin Rojas.

Pese embora a lesão que o apoquentou desde a Vuelta ao País Basco, saúda-se o regresso de Julian Alaphilippe às grandes provas. Com um percurso que tem tiradas ao seu estilo, é de apostar no francês para algumas vitórias em etapas acidentadas.

A curiosidade fervilha entre os apaixonados adeptos de El Pistolero depois deste ter anunciado o fim da sua carreira, após o término da La Vuelta.

A decisão do espanhol surge depois de um Tour em que, apesar das quedas, mostrou que muito dificilmente conseguirá seguir os melhores e a sua decisão mostrou-se, quanto a mim, acertada. Esperemos ver Contador a dar o seu máximo, como sempre, e a acrescentar no seu currículo algumas etapas, ou quiçá a geral, apesar de achar muito complicado.

Para a luta na geral, Froome aparece como o grande favorito, dependendo da forma com que aparecer no pós Tour, o britânico tem a ambição de juntar outro grande tour ao seu currículo e no mesmo ano. Para isso, terá de estar no seu melhor e bater a concorrência.

A encabeçar essa concorrência teremos Nibali, o tubarão apresenta-se fresco na Vuelta e será, a seguir a Froome, o grande candidato à vitória.

Mas devido à imprevisibilidade da prova, há nomes que podem surpreender e juntar-se a Nibali e Froome na lista de candidatos. Atendendo a que podem juntar as suas características de trepadores/contra-relogistas a um percurso diversificado e apostarem na surpresa, saltam à vista os nomes de Bob Jungels, Wilco Kelderman, Steven Kruijswijk, Zakarin e os irmãos Yates. Nunca descurando trepadores que se defendem bem no contra-relógio, Contador e Aru, por exemplo, e trepadores que, ganhando uma boa vantagem na montanha, também podem levar a sua avante – Estaben Chavez, Warren Barguil, Bardet, Marc Soler e Maijka.

Contador vai deixar saudades Fonte: La Vuelta
Contador vai deixar saudades
Fonte: La Vuelta

Quanto à armada lusa, o cabeça de cartaz vai ser Rui Costa, que, com algumas etapas ao seu jeito, nos faz crer que poderá ter algum sucesso. Resta saber se o ciclista luso, muito conhecido por preferir dias mais frescos, irá lidar com o calor em estradas espanholas. Nélson Oliveira tem na etapa de contra-relógio uma oportunidade de brilhar, não sendo de descartar um top5. Com José Gonçalves, podemos esperar muitos ataques e escapadas para vitórias em fugas. Já Rafael Reis e Ricardo Vilela vão depender muito do que a sua equipa pedir deles, se terão liberdade para ataques ou se serão meros gregários.

Misturando todos estes condimentos, esta Vuelta promete muito porque junta de tudo um pouco, e talvez seja essa a essência que permita que esta prova cresça e se torne uma melhor alternativa ao Tour e Giro!

Foto de Capa: La Vuelta

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

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