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Granerud com autoridade inesperada | Saltos de Esqui

Diogo Rodrigues · 7 min

Saltos
Foto: FIS Ski Jumping

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Era e após a pausa natalícia que a Taça do Mundo de Saltos de Esqui se reatava e logo com um dos pontos altos, talvez mesmo o mais solene e prestigiado da temporada, o Torneio dos Quatro Trampolins, uma competição histórica e cheia de mística. A 71.ª edição do evento via, e após dois anos de ausência, o público voltar a lotar as bancadas dos trampolins: dois em solo germânico e outros tantos em território austríaco.

Quanto aos maiores favoritos à conquista da águia dourada, entregue ao mais regular ao longo do certame, estavam divididos em dois grupos. Na linha da frente partiam: Dawid  Kubacki, líder da Taça do Mundo, Hanz Lanisek, ele que tentaria suceder a Peter Prevc – último esloveno a tocar a eternidade – e Halvor Egner Granerud que tinha como missão recuperar algo que não sorria aos noruegueses já desde inícios do século.  Numa segunda linha contava-mos com nomes  como: Stephan Kraft já possuidor de duas águias douradas, Kamil Stoch com três troféus , Ryoyu Kobayashi atual detentor em título, mas que se encontrava ,completamente , fora de forma e um Marius Lindvik já por duas vezes pódio na geral deste torneio que para além de atravessar dois países atravessa também dois anos civis. De acrescentar que para além dos nomes citados, poderiam aparecer os tradicionais outsiders, saltadores que de um momento para o outro se exibem a grande nível acabando por suplantar os mais laureados, um clássico nesta competição assim como os emblemáticos e excitantes mata-matas, duelos diretos que apuram 25 atletas  para a ronda final, com os outros cinco a serem aqueles praticantes, que e embora derrotados  conseguem uma marca de qualidade.

As hostilidades seriam abertas com a ida até à cidade bávara de Oberstdorf, onde teriam pela frente o fantástico, imponente e moderníssimo Schattenberg- uma estrutura de 137m, cujo K-Point está localizado aos 120 e que via um dos mais longínquos records de trampolim, que datava de 2003 da autoria do viking, o já retirado Sigurd Pettersen, 143.5m. De salientar que os saltadores de perfil mais técnico como  Stoch e Kubacki, ambos polacos poderiam levar alguma vantagem.

FAVORITISMO DE KUBACKI COLOCADO EM QUESTÃO

O espetáculo, dentro dos trampolins, arrancava com uma qualificação onde e desde logo se assistia a algo inédito nos últimos 22 anos: o Harry Potter, helvético, Simon Ammann, que muito tentou mas nunca conseguiu preencher a única lacuna numa carreira pautada pelos sucessos:  a conquista dos quatro trampolins, era ausência dos primeiros dois eventos por motivos de âmbito pessoal . Na dianteira e com aparente facilidade estava Granerud, que arrancava com 133.5m, mais metro e meio face ao rival Kubacki, sendo que Zajc, igualando a marca do vencedor de há dois anos da geral global, parecia querer intrometer-se  numa clara luta de “galos”, à semelhança de Zyla e Forfang que tentavam uma gracinha, algo longe de virgem neste mítico torneio. Stoch e Geiger também começavam de forma afirmativa, prometendo capacidade e estofo para a luta! Contrariamente a: Lindvik, Kraft, Eisenbichler e Kobayashi, todos longe dos lugares de destaque. Ainda de realçar algo que acontecia pela primeira ocasião na história da competição: dois saltadores oriundos da Turquia marcariam presença na primeira das quatro provas ao longo de dez dias que fazem deste um torneio especial. Se Ipcioglu já o havia feito na temporada anterior, esse terá sido um estímulo para Bedir que lhe faria companhia , com este a ser o momento mais alto numa ainda curta carreira entre a elite. Também de destacar a aparatosa, mas felizmente sem consequências, queda do nipónico Nakamura que apesar do infortúnio conseguiria  à justa o apuramento para a prova a doer!

UM GRANERUD DE APETITE VORAZ

Com os espectadores ávidos por grandes marcas, e após os 16.000 da véspera, seriam 25.000 os que presenciariam in loco uma primeira ronda onde o vento de cauda impedia os saltadores de atingir marcas assombrosas, algo que se alteraria aquando da subida do portão, do 14 inicial para o 16. Quem mantinha a insaciedade inerente a quem  contava apenas uma vitória no decurso da temporada , era Granerud, com o nórdico a ficar a um metro de igualar o record de trampolim. Voando menos dez metros estava um Zyla que parecia ter encontrado o antídoto para se dar bem na estrutura, ao passo que, e penalizado no momento da aterragem, Kubacki era apenas terceiro a cerca de meia dúzia de pontos do viking. Wellinger somando 135.5m e Geiger averbando marca inferior em metro e meio, davam ideia de possuir capacidade para ambicionar a algo mais. De entre os demais candidatos: Stoch, Kraft e Ryoyu colecionavam registos de Top dez, contrariamente a Lanisek, Lindvik e Fettner que assinalavam um atraso já, porventura demasiadamente grande. Num dia genericamente paupérrimo para os anfitriões, o expoente máximo dessa desinspiração seria conferido por Eisi “tombado” por Ipcioglu, dizendo assim “ auf wiedersenhen”  à águia dourada!

 CONCORRÊNCIA SEM ARGUMENTOS PARA TRAVAR ÊXITO DE GRANERUD

Com o vento ainda mais irregular, numa segunda ronda com diversas paragens por este mesmo motivo, e conseguindo corrigir o deficit técnico da ronda de abertura, seria mesmo e após 139m que Granerud somaria a 15ª da carreira e a primeira neste palco, repetindo o feito de Anders Jacobsen, o canalizador, último norueguês a festejar em Oberstdorf. Zyla seguraria mesmo o segundo posto e com 137m bateria um Kubacki que amealhava meio metro menos. Geiger e Kraft salvavam-se e mantinham-se  claramente em posição relevante. Stoch e Lanisek, com registos de Top dez conseguiam manter o contacto, embora já algo distanciados, ao passo que Ryoyu e Lindvik, 15º e 17º, respetivamente, ficavam já arredados da discussão, sendo certo que a águia dourada mudaria de mãos.

Era com Granerud na dianteira, detendo uma vantagem de cerca de treze pontos face a Zyla, que rumava-mos a Garmisch PartenKirchen, mais em concreto ao Grobe Olympiaschanze , uma estrutura de 142m, com um K-Point situado nos 125 e que via o record da autoria de Dawid Kubacki vigorar desde 2021. Com 9.000 nas bancadas e num evento que se despedia de 2022 e dava as boas-vindas a 2023 com saltos de esqui, quem somava uma vitória, ainda que parcial, era Kubacki, isto apesar de Granerud deter vantagem neste trampolim, em minha opinião. O polaco de 32 anos venceria a derradeira ronda de 2022 ao angariar 140.5m, três metros e meio menos que a marca da sua autoria que vigora como máximo da estrutura. Lanisek era segundo com 138, enquanto Zajc somava meio metro menos. Zila mantinha a regularidade, ao passo que Fettner dava lastro à época mais bem conseguida da carreira. Granerud era apenas sexto com Stoch e Kraft também por perto. Ryoyu e Lindvik esclareciam não possuir arcaboiço competitivo para estas andanças. Os caseiros: Geiger e Eisenbichler também não pareciam fechar o ano com grandes razões para sorrir. Ainda menos teria Tande, com o viking a poder já ir adiantando as malas para rumar à Áustria.

SÓ LANISEK FAZIA FRENTE AO VIKING

Era com 22.000 nas sempre repletas bancadas que decorreria a primeira disputa de 2023 e a segunda competição do torneio. Numa primeira ronda emocionante, nivelada por cima e com o espetáculo nos píncaros, eis que Granerud voltava a superiorizar-se e com 140m, ia detendo uma curta vantagem, 0.6 pontos face  a um determinado em encurtar distâncias Lanisek, que averbava meio metro menos, com Kubacki já algo mais afastado a somar 136m. Zila e Wellinger encontravam-se à espreita, com o sempre bem disposto polaco a assumir-se como sério candidato, pelo menos a subir ao pódio no dia de reis. Igualmente de destacar que também Kraft já poderia ser “riscado” da luta, com o austríaco e Ryoyu aquém do Top 20, não conseguindo nem com um grande segundo registo sair vivos de GAPA!

GRANERUD NUMA COMPETIÇÃO À PARTE

Num dia em que Lindvik e Eisenbichler  se despediram precocemente da compita e em que o vento conferia avultadas  bonificações, a cabal demonstração de qualidade de Granerud voltou a ficar bem expressa e com um voo na casa do tamanho do trampolim cilindraria Lanisek, segundo com 137m e Kubacki terceiro  rubricando 138.5m. Isto num dia em que Fettner, mas principalmente Hoerl surpreendiam para o país do esqui. Quanto ao anterior vice-líder, Zila, perderia folgo ao concluir em sexto. Kraft, Geiger e Ryoyu perdiam as remotas chances que ainda tinham para alcançar a glória.

Agora e antes da transição para as etapas austríacas onde já no passado se operaram reviravoltas brutais, o torneio é comandado pelo mestre Granerud que totaliza 616.1 pontos, Kubacki segue em segundo com 589.3, já Zila é terceiro com 576. Já nas contas do grande globo temos Kubacki, Lanisek e Kraft, na dianteira, mas com Granerud a encetar uma aproximação bem vertiginosa. Se quer continuar a acompanhar tudo sobre esta edição dos quatro trampolins  já sabe, fique desse lado.

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Diogo Rodrigues

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