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Desilusão

André Eusébio · 3 min

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Segunda-feira, 22 horas e 20 minutos. Chego a casa vindo da aula de espanhol e começo a ver as notícias, como é meu costume, e é quando vejo que o António Félix da Costa não foi escolhido para o lugar que estava vago na Toro Rosso. Uma grande desilusão para mim, para o formiga e para todos os portugueses que assim veem novamente gorada a presença de um português na F1.

O português viu o lugar ser comprado pelo russo Daniil Kvyat. Comprado é mesmo a palavra certa, já que a escolha deveu-se mais ao dinheiro que o russo podia pagar – fala-se em 15 milhões de euros – do que à qualidade dos dois pilotos; apesar de não ser um mau piloto, como os resultados mostram, ainda está no início da carreira. Para o formiga, resta continuar a trabalhar, na esperança de conseguir o merecido lugar na F1, o que não vai ser fácil embora devesse acontecer já em 2014.

Mas não é só em Portugal que esta notícia “chocou”: em todos os meios de comunicação especializados nota-se o espanto dos especialistas por Félix da Costa não ter um volante na F1 na próxima temporada. Destaco esta frase de Will Buxton, comentador da NBC: “O Félix da Costa é o número 1 na lista de pilotos mais talentosos que vi na última década. Tem o tipo de talento que faz o teu coração palpitar… A primeira reação? Mais uma péssima decisão da Red Bull, que desafia qualquer tipo de lógica e deixa outro enorme talento no lixo…“. Esta é apenas uma das muitas mensagens do género que se encontram pela blogosfera.

Álvaro Parente a testar o Renault R27 em 2008. http://alvaroparentegp2.wordpress.com/2008/10/22/f1-road-show-em-lisboa/
Álvaro Parente a testar o Renault R27 em 2008
Fonte: alvaroparentegp2.wordpress.com

De resto, não é a primeira vez que vemos um piloto português ficar de fora da F1: já em 2010 Álvaro Parente não entrou no grande circo por razões financeiras. Em 2008, Parente tinha feito um teste com a Renault F1, em que fez melhores tempos do que alguns pilotos consagrados da F1, como David Coulthard. De recordar que o piloto portuense em 2007 conseguiu vencer a World Series By Renault, campeonato de formação que teve entre os vencedores Fernando Alonso e Robert Kubica. O destaque deste título de 2007 é que foi ganho, entre outros, a Sébastien Vettel, que não fez o campeonato todo; o alemão é hoje tricampeão do Mundo de F1, devendo garantir o quarto título já este domingo. Quanto a Parente, na temporada 2013 corre na GT Series na classe Pro ao lado de Sébastien Loeb – sim, este mesmo. Para já, estão em quinto na competição, quando faltam duas provas para o final.

Em 2007 ficou outro português à frente de Vettel: falo de Filipe Albuquerque. O conimbricense, tal como Félix da Costa, também pertenceu à equipa júnior da Red Bull, tendo sido considerado em 2006 o melhor piloto da equipa júnior austríaca. Apesar disto, o máximo que conseguiu foi a participação em três sessões de demostração do Red Bull F1 e um teste na Toro Rosso, precisamente em 2007. Hoje em dia, o português corre no DTM (campeonato de carros de turismo da Alemanha), na equipa da Audi, tendo ficado em 18º na classificação, com 18 pontos.

Monteiro no pódio no GP dos Estados Unidos 2005. http://www.thecheckeredflag.co.uk/2012/11/united-states-grand-prix-2012-preview/
Monteiro no pódio no GP dos Estados Unidos 2005
Fonte: thecheckeredflag.co.uk

Já não temos um português no grande circo desde 2006, quando Tiago Monteiro saiu da Spyker F1 Team por não ter dinheiro para ir para uma equipa superior dentro da F1. O portuense, em 2005, então pela Jordan, tinha sido considerado o Rookie do ano. O português detém ainda dois recordes na F1: o de estreante com mais corridas concluídas (18) e o de mais corridas consecutivas terminadas no ano de estreia (16), ambos conseguidos em 2005. Monteiro conseguiu, ainda em 2005, o único pódio de um português na F1. Embora este pódio tenha sido obtido em condições muito especiais – as equipas que usavam pneus Michelin não puderam participar na corrida por razões de segurança –, não deixa de ter valor, pois teve de derrotar os dois pilotos da Minardi e o seu companheiro da Jordan. De relembrar que o portuense corre actualmente no WTCC (campeonato do mundo de carros de turismo), sendo que em 2014 vai continuar na equipa oficial da Honda.

Quando será que voltamos a ter um português na F1? Qualidade não falta a alguns pilotos portugueses, falta é o dinheiro para poder comprar um lugar numa equipa, já que hoje em dia esta é quase a única forma de se entrar nesta competição.

André Eusébio

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